Há catorze anos, durante uma viagem de pesquisa, Eunice e sua equipe pousaram em uma comunidade com o nome “Araras” — mas descobriram, cercados por um grupo de curumins curiosos, que não havia ali nenhum Pastor Paulo, pessoa que procuravam. Tinham ido parar no Araras errado: estavam no Rio Negro quando, na verdade, deveriam estar no Lago do Arara, no Rio Solimões.
A partir dessa confusão geográfica — comum na imensidão amazônica — nasceu uma relação de treze anos com a comunidade de São José do Araras, no município de Caapiranga, região onde só se chega por água. O trabalho de desenvolvimento comunitário integral realizado ali, sempre a partir das demandas dos moradores, já gerou resultados expressivos.
A comunidade criou sua própria associação de moradores, regularizada com apoio do projeto, e hoje é reconhecida no município por sua força organizativa, participando de conferências e conselhos públicos. Reorganizou também a proteção do lago local, recuperando espécies como tambaquis e pirarucus. Criou um grupo de teatro, uma casa de artes e desenvolveu uma estrutura comunitária capaz de unir evangélicos, católicos, profissionais da saúde e educadores em torno de um mesmo propósito.
O Araras que Eunice encontrou por engano tornou-se, com o tempo, um exemplo de protagonismo amazônico.

