16º Encontro Nacional RENAS reúne em Anápolis organizações cristãs
que atuam na transformação social do Brasil

Anápolis (GO) foi palco, entre os dias 24 e 26 de Outubro, do 16º Encontro Nacional da Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS) — um dos principais espaços de articulação entre igrejas e organizações cristãs que atuam em prol da justiça, da solidariedade e da transformação social no país.
Com o tema “À Mesa com Jesus: encontro, partilha e transformação”, o encontro reuniu representantes de diversas regiões do Brasil, que refletiram juntos sobre o papel da Igreja diante das desigualdades, das crises contemporâneas e dos desafios de viver e promover o Evangelho no cotidiano.
Palavra e celebração
O pastor Ricardo Barbosa trouxe duas exposições bíblicas marcantes, abordando a parábola da grande ceia (Lucas 14.16-24) e a última refeição de Jesus com os discípulos (Marcos 14.22-26).
“A mesa é o lugar da reafirmação do nosso compromisso com Jesus”, destacou. “Louvamos porque o teu Reino já veio. Preserva o teu povo em torno desta mesa, à qual temos acesso por causa de Cristo e para a glória de Cristo.”

Um chamado à entrega e à comunhão
A fala de Hideide Brito Torres trouxe profunda reflexão sobre o texto bíblico de Marcos 6.30-44, destacando que “todo milagre começa com uma disposição de entrega”. Em sua exposição, Hideide enfatizou que a verdadeira fé se manifesta quando o que temos — por menor que seja — é colocado nas mãos de Jesus.
“Não há milagre sem entrega”, afirmou. “A entrega nos aproxima da presença de Deus, e é nessa presença que todas as coisas se completam.”
A temática da mesa permeou todo o encontro como símbolo de comunhão, partilha e transformação. Em diversas falas e momentos de celebração, a mesa foi lembrada como lugar de juízo e graça, onde todos são convidados e onde Deus restaura a dignidade humana.
A missionária Mara Dantas, de Asas de Socorro, sob a plenária “Mesa, lugar de transformação”, nos lembrou que “nessa mesa cabem todos — ela transforma vidas e restaura a esperança”. A celebração marcou também os 70 anos de atuação da organização, que há décadas leva atendimento e suporte a comunidades isoladas da Amazônia e de outras regiões do Brasil.

Durante a celebração da ceia, o pastor Roscindes leu Neemias 8.10-12, lembrando que a alegria do Senhor é a força do Seu povo.

O encontro também prestou homenagem ao pastor Wildo, da Missão Vida, falecido há poucos meses. A organização, presente em dez estados brasileiros, acolhe mais de mil pessoas em situação de rua e segue como inspiração de entrega e serviço cristão.
Vozes e ações pela justiça
O evento contou com momentos de louvor conduzidos por Carlinhos Veiga, que convidou os participantes a refletirem sobre o amor que inflama a missão. Também houve espaços de aprendizado e troca, com oficinas e conversas sobre meio ambiente, mudanças climáticas e enfrentamento da violência contra a mulher.
Alessandra Vidmontas apresentou ferramentas de combate à violência doméstica, enquanto Simone Vieira conduziu o painel “Por que estamos na COP30 e como as mudanças climáticas afetam a mesa?”, ao lado de Phelipe Reis, Carlos Henrique e Eunice Cunha.
Outras oficinas foram oferecidas com o objetivo de capacitar igrejas e instituições na busca pela dignidade promoção de direitos, como:
Reflorescer: um tempo para quem cuida com Neliana Schulz, Por que a igreja deve se envolver em iniciativas práticas de ação social? com Silvia Kivitz, A igreja e o desenvolvimento comunitário com Alberto Lins, Mobilização de recursos financeiros para organizações sociais com Debora Fahur e Jailme Rodrigues, O direito da criança e do adolescentes a conviver em familiar e comunidade com Patrick Reason, Caminhos para garantir direitos das pessoas mais vulneráveis com Emilene e Alessandro, Alimentação adequada como um direito humano com Daniela Frozi, Migração e refúgio: quais sãos os desafios para a igreja hoje? com Tércio Freire, O que a sua igreja pode fazer para enfrentar a violência doméstica, com Alessandara Vidmontas; e Toda criança tem direito a uma família: adoção e família acolhedora com Sara Vargas.
Um banquete de comunhão
Os participantes se reuniram literalmente em torno da mesa — desta vez, para compartilhar um café da tarde com comidas regionais de todo o Brasil. O momento simbolizou a diversidade e a unidade da Igreja em missão.

Histórias entrelaçadas – Testemunhos de fé
Na noite de sábado, durante a roda de conversa, histórias emocionantes de atuação social foram compartilhadas por Carlinhos Veiga, Débora Fahur, Eunice Cunha, Agnes Camisão, Rocindes Corrêa e Phelipe Reis, que mostraram como, ao redor da mesa da partilha, vidas se transformam e comunidades ganham nova esperança. A conversa trouxe depoimentos autênticos de pessoas que, muitas vezes com recursos modestos, decidiram entregar o que tinham — tempo, talento, comida, escuta — e presenciaram o milagre da solidariedade em ação.
Foi um momento de conexão, reconhecimento mútuo e fortalecimento da rede de organizações e igrejas que acreditam que a mesa não é apenas um lugar de refeição, mas de dignidade, missão e transformação.
Impacto e esperança
Participantes de todas as regiões destacaram o impacto espiritual e social do encontro.
Para Jorge dos Santos, da RENAS Sergipe, o evento foi uma demonstração da força das organizações e igrejas da região de Anápolis, especialmente o trabalho na área da educação. “A mesa do sábado à noite, com os testemunhos de vidas transformadas, foi inesquecível”, afirmou.
Wilma Rodrigues, de Manaus (AM), ressaltou a importância das trocas e das mensagens:
“Os testemunhos de vida nos encorajam a prosseguir. O pastor Ricardo Barbosa trouxe um despertar incrível. Gostaria que todas as ministrações pudessem ser revisitadas — cada uma foi um alimento para a alma.”
Ao final, Soraya orou pelo grupo de representantes de Anápolis, convocando-os a permanecer “em rede” e em ação pela transformação das cidades e comunidades.
Um encontro que reafirma a missão
O 16º Encontro Nacional RENAS foi, mais uma vez, um espaço de escuta, aprendizado e comunhão. Em tempos de polarização, crise ambiental e desigualdade, os participantes saíram de Anápolis com a certeza de que a missão da Igreja continua sendo repartir o pão, acolher o próximo e viver a fé que transforma.
“Deus não tem filhos favoritos. Ele é um Deus global, ama a todos”, lembrou uma das falas durante o encerramento.
E foi em torno da mesa — símbolo de unidade e partilha — que todos reafirmaram o compromisso de continuar sendo sal e luz, levando o Evangelho em palavras, ações e presença.



