O Dia Mundial da Justiça Social. Podemos comemorar?

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A Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou, por unanimidade, a Resolução nº 62/10 em 26.11.2007, em que decidiu declarar 20 de fevereiro o Dia Mundial da Justiça Social, a partir de 2009.

Por meio dessa resolução os Estados-membros foram convidados a dedicarem este dia a promover, a nível nacional, atividades concretas para apoiar os objetivos e metas definidos na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social, realizada em Copenhague, em 1995.

O documento produzido ao final da referida Cúpula, ficou conhecido como Declaração de Copenhague¹, tendo em seu quinto ponto da introdução a seguinte declaração:

Partilhamos a convicção de que o desenvolvimento social e a justiça social são indispensáveis para a prossecução e a manutenção da paz e da segurança nas nações e entre elas. Por sua vez, o desenvolvimento social e a justiça social não podem alcançar-se se não existe paz e segurança ou se não são respeitados todos os direitos humanos e liberdades fundamentais. Esta interdependência básica foi reconhecida há 50 anos na Carta das Nações Unidas e cada vez se reforça mais. (Sic)

Destaco especificamente esse ponto em razão de que, no aniversário de 10 anos da Declaração de Copenhague (em 2005), pouco havia sido feito para alcançar os objetivos ali traçados, oportunidade em que José Antonio Ocampo, Secretário-Geral Adjunto para os Assuntos Econômicos e Sociais, na abertura da 43ª sessão da Comissão de Desenvolvimento Social do Conselho Econômico e Social da ONU, reconheceu o seguinte: “Os princípios que foram adotados há 10 anos, na Cimeira de Copenhague, estão longe de ter sido aplicados, embora tenham sido reafirmados em Genebra, há cinco anos”² (Sic).

No mesmo sentido, Leslie Kojo Christian (Gana), Presidente da Comissão de Desenvolvimento Social³ , em 2010 afirmou que “estamos longe de concretizar a visão de Copenhague”.

Hoje se fala na agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e, os compromissos de acabar com a pobreza e estabelecer Justiça Social efetiva, continuam sendo adiados, permanecendo, ainda, tão presentes entre nós a exclusão e a desigualdade que persistem em avançar.

O que quero dizer com tudo isso é que a flexibilidade das agendas das nações e suas conveniências, não parecem se coadunar com o que a palavra de Deus, por meio dos profetas Isaías, Amós, Oséias e Miquéias nos confrontam quanto respeito da prioridade da justiça social:

“Vocês, céus elevados, façam chover justiça; derramem-na as nuvens. Abra-se a terra, brote a salvação, cresça a retidão com ela; eu, o Senhor, a criei.” (Isaías 45.8)

“Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene! (Amós 5.23 e 24)

 

“Semeai justiça para vós, colhei conforme o hesedh, amor misericordioso; lavrai o campo virgem; porque agora é a hora de buscar a Yahweh, o SENHOR, até que ele venha e faça chover sobre todos vós a chuva de tseh’-dek, justiça e salvação.” (Oséias 10.12)

“Ó ser humano! Ele já te revelou o que é bom; e o que Yahweh exige de ti senão apenas que pratiques a justiçaames a misericórdia e a lealdade, e andes humildemente na companhia do teu Deus!” (Miquéias 6.8)

O Senhor é o Justo, justiça é a sua natureza, Ele a criou e deseja que a mesma seja abundante e perene. É certo que a agenda do Reino de Deus, para que seja implantada a sua Justiça já, há muito, está decretada e liberada profeticamente com um senso de urgência que precisamos compreender.

Por certo, também, não podemos continuar contendendo com Ele, uma vez que somos, tão somente, caco (Isaías 45.9-25) e, precisamos nos arrepender de buscar o nosso reino, de buscar construir as nossas próprias casas (ou causas, como queiram) (Ageu 1.9-11). Precisamos nos arrepender de buscar estabelecer a sua Justiça a partir do referencial adiável desse mundo.

Queremos sim, influenciar as agendas mundiais e torná-las realidade, para a Glória do Senhor. Essa rede é o amém de Deus e pode dizer Ebenézer, mas precisamos continuamente alinhar a nossa agenda a agenda dEle, atuarmos na sua força e instrução, andando humildemente na companhia do nosso Deus, buscando não o nosso reino, quando então, certamente, virá o seu Reino e a sua Justiça. Podemos comemorar!

Autor: Gustavo Gomes, advogado e facilitador RENAS-MA.


 

¹http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Confer%C3%AAncias-de-C%C3%BApula-das-Na%C3%A7%C3%B5es-Unidas-sobre-Direitos-Humanos/declaracao-e-programa-de-acao-da-cupula-mundial-sobre-desenvolvimento-social.html

² https://www.unric.org/pt/novedades-desenvolvimento- economico-e- social/11176

³ https://www.unric.org/pt/actualidade/27329-necessaria- nova-dinamica- para-promover- integracao-social

3 respostas para O Dia Mundial da Justiça Social. Podemos comemorar?

  1. Erisson Sousa disse:

    Muito producente a produção textual do amigo e facilitador de RENAS MA. A prática da justiça depende do amor à misericórdia ou seja, é intrínseca a relação entre nossa atitude cristã e o apoio aos menos favorecidos como por exemplo a população carcerária mundial, que cresce assustadoramente em todo mundo.

  2. CIPRIANO DE SOUZA PEREIRA disse:

    O autor foi muito feliz quando coloca questão que estamos longe de implantar a justiça do Reino, enquanto estivermos preocupado com o nosso”reino”. Que possamos abrir mão da nossa vida e dos nossos interesses e construir uma sociedade mais justa.

  3. Rômulo disse:

    Definitivamente não há justiça social para se comemorar no Brasil. Pelo contrário, o que estamos presenciando é uma profunda desigualdade entre camadas sociais.

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