Jesus nos chama!

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Alguns dos chamados mais marcantes na vida dos discípulos de Jesus aconteceram à beira mar, no lago e no barco ou envolveram pesca e figuras do mar. O sol, a maresia, os ventos fortes, a falta de vento, o balançar do barco, a tessitura das redes, o cheiro e o gosto de peixe, o suor nos corpos: tudo isto – depois da ascensão de Jesus – certamente trazia de volta à mente dos discípulos, especialmente aos ‘discípulos pescadores’ as suas experiências com o Mestre. E estas memórias traziam de volta as palavras de Jesus convocando-os à ação.

Ali na beira do lago da Galileia, Jesus convocou os seus primeiros quatro discípulos: Sigam-me! Venham comigo! Convidou-nos a largar as redes, o negócio, os afazeres para: estar com ele, acompanhá-lo e – com ele – aprender a chamar outros seguidores. O chamado de Jesus – e a autoridade com que o fez – foi tão irresistível que os discípulos – e também nós – deixaram para trás aquilo que preenchia seus dias, em que gastavam suas energias, de que tiravam seu sustento e em que eram especialistas para aventurarem-se num novo caminho, a respeito do qual pouco sabiam.

TODOS: E nós atendemos a seu chamado.

Foi um convite progressivo. Mais à frente Jesus deixa claras as exigências e a radicalidade deste seguimento: é um chamado para esquecimento e renúncia de nós mesmos e para colocar os interesses de Jesus e de seu reino em primeiro lugar. Ele nos explica e nos promete que esta é a vida verdadeira, o que significa garantia de alegria nos termos das “bem aventuranças”, que nós – seus discípulos – já temos experimentado. Antes de subir aos céus, ele repete este chamado: “Deus me deu todo o poder no céu e na terra. Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores”.

TODOS: E nós atendemos ao seu chamado!

Quem sabe mostrando a seus discípulos um pouco de sal, que tempera e conserva os alimentos, Jesus enfatizou uma das marcas de seus seguidores. O chamamento a eles e a nós para sermos sal. Mais do que um chamado foi uma declaração: “Vocês são o sal para a humanidade”. Ele também nos advertiu: “se o sal perde o gosto, deixa de ser sal, perde a sua utilidade e não serve para mais nada”. É um chamado para estar onde o sal pode salgar: fora do recipiente que o guarda, para trazer bênçãos à humanidade.

TODOS: E nós atendemos ao seu chamado!

É num frágil barco – em meio à tempestade – que Jesus chama a seus discípulos para: descansar nele, para experimentar o seu poder capaz de domar a natureza, e para esperar bonança em meio às intempéries. Somos chamados também a reconhecer que nossa expertise de marinheiros nunca será suficiente para guiar o barco. Dependemos dele, de sua presença conosco, especialmente nos dias de mau tempo. Somos chamados a confiar que somente Jesus nos levará a porto seguro e a destino certo. Reconhecendo sua autoridade sobre a natureza, reconhecemos por extensão sua autoridade sobre poderes humanos e sobre-humanos. E Jesus prometeu que continuaria conosco por meio da presença do Espírito Santo.

TODOS: E nós atendemos ao seu chamado!

O dia que – ao ar livre, num descampado – os discípulos comeram pão e peixe com o Mestre juntamente com grande multidão nos lembra do chamado de Jesus para ter compaixão das multidões e dos menores entre nós. Sejam crianças, a quem pertence especialmente o reino de Deus, sejam mulheres desumanizadas, como a acusada de adultério, a samaritana, a Cananéia; sejam doentes e carentes diversos como o cego Bartimeu, o paralítico há 38 anos, o gadareno. Somos chamados por Cristo a dar seguimento a seu ministério, satisfazendo as necessidades humanas, a partir do alimento e para anunciar-lhes que Jesus é o Pão da Vida, o único que satisfaz ao verdadeiro anseio do coração e que concede a vida eterna. Jesus igualmente nos desafia a confiar no seu poder frente a situações aparentemente insolúveis, a confiar que Deus multiplica o pouco que temos. Convoca-nos também a identificar, valorizar e contar com os recursos da multidão da qual nos aproximamos.

TODOS: E nós atendemos ao seu chamado!

De madrugada, à beira do Mar de Tiberíades, Jesus chama os seus discípulos abatidos por causa de sua morte para – em seu nome – jogar de novo a rede, a fazer novas tentativas, a ter expectativas mesmo quando a realidade indicar o contrário, e a nos surpreender com o resultado da pesca. Ele nos chama a estar com ele, a comer – ali – um gostoso peixe na brasa, acompanhado de pão e a sermos servidos por ele. Convida-nos a reconhecê-lo no partir e no comer do pão, tal como os discípulos de Emaús e à lembrança de sua promessa feita na última ceia de que comeremos com ele na eternidade. É um chamado a desfrutar de sua companhia. Mais do que tudo é um chamado à celebração de sua ressurreição, garantia de que ele venceu a morte e de seu poder para nos salvar e para fazer novas todas as coisas, dia após dia.

TODOS: E nós atendemos ao seu chamado!

Assim como os seus primeiros seguidores nós vimos o reino de Deus se manifestar gloriosamente em Jesus de Nazaré, produzindo salvação, justiça, alegria, dignidade de vida. E hoje renovamos o nosso compromisso e desejo de segui-lo neste caminho.

Nota:
Este texto fez parte da liturgia de celebração da Santa Ceia no encerramento do 10 Encontro Nacional da RENAS, em 26 de setembro de 2015. Ele foi lido audível e comunitariamente.

Leitura do texto "Jesus nos chama" durante a celebração da Santa Ceia.

Leitura do texto “Jesus nos chama” durante a celebração da Santa Ceia.

Uma resposta para Jesus nos chama!

  1. […] pessoas de todas as regiões do Brasil leram o texto Jesus nos chama!, lembrando que Jesus, à beira do lago da Galileia, convoca seus discípulos a largar a rede e diz: […]

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