O compromisso da igreja no cuidado com os idosos

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O terceiro bloco do 10 Encontro RENAS ocorreu na noite desta sexta-feira (25) e teve como tema os idosos. O primeiro a falar foi Ageu Heringer Lisboa, um dos fundadores do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC). Para Ageu, “a velhice não é necessariamente morte, já morrem mais jovens nesse país do que idosos; também não significa automaticamente sabedoria, pois sabedoria é aprender a contar os dias”.

Para Ageu, a experiência do cotidiano sinaliza as mudanças psicofísicas que ficaram ainda mais difíceis de ser encaradas na cultura do “juvenalismo”, em que a velhice é o signo dos perdedores. O papel da igreja é ensinar a contar os dias antes que venha a velhice, mas também de auxiliar nas tarefas existenciais dinamizadas pelo próprio Espírito.

O idoso precisa fazer uma revisão de vida, perdoar, pedir perdão. “Há pessoas amarguradas na igreja porque não falam com alguém há 20 anos”. O preletor também aconselhou os ouvintes a ajudarem o idoso a fazer seus acertos financeiros, a resolver pendências e a preparar sucessores.

Se o idoso está vivo, ele ainda tem que “completar a carreira”. Quais são as tarefas da última idade? Onde eles podem ser úteis? Como manter interesse pelo presente e pelo futuro?

A igreja tem o papel de acolher o idoso e também de defender seu direito e ensinar a família a lidar com aqueles que são totalmente dependentes porque sofrem de Mal de Parkinson ou Alzheimer. A família precisa descobri, se e quando procurar uma instituição de abrigo.

Ageu ressaltou ainda que “temos que planejar nossa aposentadoria, nossa vida social na velhice. Ele terminou sua fala conduzindo os participantes a pensarem hoje sobre algumas coisas do futuro: “quem vai tomar decisões sobre meus cuidados quando eu não puder fazê-lo? que tipo de tratamento eu não aceito receber? que nível de conforto eu espero ter? como eu quero que as pessoas me tratem? o que deve ser informado para meus entes queridos?”.

Silvia Kivitz

Silvia Kivitz

A segunda fala foi de Silvia Kivitz, da Rede IBAB Solidária, que compartilhou a experiência de uma pastoral do idoso em sua igreja local, a Igreja Batista da Água Branca em São Paulo (SP). “Criamos um espaço na igreja onde reconhecemos os idosos como protagonistas, cidadãos plenos com muito a contribuir. Mas precisamos tomar cuidado para não criar um espaço à parte da Igreja, antes inseri-los como membros”. Ela também questionou como estamos tratando os nossos idosos em nossas igrejas. “Quais delas possuem acessibilidade, rampas, elevadores?”. Ou ainda: estamos perguntando aos idosos de que formas eles mais gostam de serem acolhidos?

A igreja, defende ela, deve reconhecer o conhecimento acumulado dos idosos, deve acolhê-los de forma ideal, inclusive com uma equipe de acolhimento e apoio, deve promover uma semana de atividades diferentes: com profissionais na área de saúde, atividades físicas, intercâmbio de gerações, habilidades manuais ou quem sabe de enfoque cultura como contação de histórias, leitura, resgate de memórias e até mesmo escrever um livro. Devemos vê-los, não como “um grupo da igreja, mas como a própria igreja”, desafia Sílvia.

O momento seguinte foi a apresentação do vídeo do Recanto Vida, um lar de idosos que atua com o apoio da Igreja Batista de Barro Preto, de Belo Horizonte (MG).

Plataforma de cidadania
Felipe dos Anjos, do Rio de Janeiro (RJ), apresentou o projeto de uma plataforma que pretende mapear e divulgar iniciativas evangélicas de cidadania em todo o Brasil. O projeto chama-se “Entre.Nós”.

O público foi dividido em pequenos grupos com o objetivo de refletir sobre o que foi dito na noite. Uma das perguntas para discussão foi: “qual a representação social sobre o idoso e envelhecimento no Brasil?”. Isto é, como nós vemos o velho e o envelhecer.

Que esta pergunta possa levar você a refletir também.

Uma resposta para O compromisso da igreja no cuidado com os idosos

  1. Rosana Thomas Camargo disse:

    Gostei desta postagem…preciso aderir isso em minha igreja

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