Drogas: prevenção e riscos

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Nesta sexta-feira (dia 12) pela manhã, cerca de 50 pessoas participaram do Fórum “Dependência química no contexto das desigualdades sociais”, no 9º Encontro Nacional da RENAS.

O Fórum contou com a participação dos integrantes da Rede Cristã de Agentes em Proteção e Prevenção às Drogas (REAGE), uma iniciativa de âmbito nacional proposta pelas igrejas cristãs e tem como objetivo principal a promoção do relacionamento e troca de experiências entre o gestor público e os vários segmentos da sociedade civil organizada, através da discussão e reflexão da importância do papel das políticas públicas sobre drogas.

As gestoras da REAGE, Rosane Neumann e Silvane Farah, apresentaram o contexto histórico que a organização foi criada e a maneira que vem trabalhando a prevenção ao uso de drogas.

Deusa Avelar, coordenadora da REAGE, completou que um dos objetivos da instituição é instrumentalizar as comunidades terapêuticas para que entendam sua importância a nível social, e consequentemente se organizem, com o apoio de pessoas capacitadas no grupo gestor da REAGE. “Normalmente falamos das drogas e esquecemos das pessoas que estão na ponta, ou seja, das famílias que estão sofrendo. A REAGE atua como uma rede articuladora entre o governo e a sociedade civil, a fim de empoderá-la”, afirmou.

Teatro para explicar o problema

Teatro para explicar o problema

Internação Compulsória
Quando questionadas por um participante sobre a internação compulsória, as gestoras explicaram que a proposta da REAGE não é fazer intervenção in loco, mas auxiliar as comunidades terapêuticas, buscar políticas públicas, articular a sociedade civil em torno do tema. “Existe um mito que não pode acontecer o internamento compulsório, pois não traz resultados. Porém, entendo que existem situações com risco de morte, e assim eu defendo que [a internação compulsória] possa ser uma opção, não deve ser desconsiderado”, defendeu Carolina Maia, facilitadora da REAGE.

A prevenção
Logo após esse momento de apresentação, um teatro abordou a temática da prevenção ao uso das drogas, com duas personagens: “Alcoolina” e a “Erva”. “Precisamos estar concentrados na realidade, não terceirizar os problemas, prevenir as pessoas para não usarem drogas. As escolas e igrejas deveriam usar melhor seus espaços para discutir leis e campanhas a favor da vida, e não contra às drogas”, afirmou Carolina.

Os fatores
Segundo as facilitadoras, há dois fatores: de proteção e de riscos. Os fatores de proteção são: querer aprender sobre o assunto, estar atento ao que acontece à sua volta (analisar se algo está acontecendo no comportamento das pessoas próximas), criar um ambiente e uma postura de acolhimento, procurar saber os interesses dos filhos,  praticar valores de Deus dentro de casa, definir regras claras de convivência para todos, respeitar hierarquia familiar, estar presente e interessado na vida dos filhos, estimular os vínculos entre professores e colega e dar atenção especial as amizades mantidas por meio da internet.

“O ponto chave da prevenção está relacionado aos fatores de proteção. A prevenção exige que você fique esperto. O uso de drogas pode acontecer em qualquer pessoa. É possível fazer alguma coisa, sempre!  A mudança de pensamento, sentimento e atitude tem que começar por você, em você e com você. Se Deus te trouxe aqui hoje é porque ele tem um propósito”, disse Carolina.

A prevenção deve gerar novas formas de pensar, sentir e agir. Normalmente não há um fator único causador da dependência química, e sim, é multicausal. As facilitadoras reforçaram a importância de conhecer o assunto sem preconceitos ou juízo moral, ver o que a ciência estudou sobre isso e junto com a dimensão da fé de cada um. “Devemos atuar como cidadão nos mais diversos espaços públicos e privados que tratem do assunto”, afirmou Irma Zaninelli, facilitadora da REAGE.

Compreender e mudar forma de lidar com este problema é o grande desafio da sociedade. Segundo Irma, é preciso ajudar os adultos a compreenderem que as crianças e adolescentes convivem a todo instante com fatores de risco, dentro de casa e também fora. “A ideia de prevenção é simples: reforçar e aumentar os fatores de proteção e diminuir os fatores de risco”, explicou.

A família
A participação familiar é um fator de proteção. “A família é um ninho precioso, e por isso, precisamos rever algumas posturas dentro do nosso seio familiar”, concluiu Irma que a dependência química é uma doença familiar, e que deve tratar a família toda. Existem grupos de apoio aos familiares que dão esse suporte, e faz com que os familiares passem pelas crises com apoio necessário.

Outro fator importante na prevenção é a qualidade de vida biopsicossocial e espiritual.

“Sempre é possível fazer alguma coisa. Quem trabalha com prevenção ao uso de drogas só tem começo, não tem fim. São conquistas do passo a passo de cada pessoa’, finalizou Carolina, citando Romanos 12:2 “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

— Por Carolina Chueire, jornalista e assessora de comunicação da REPAS (Rede Evangélica Paranaense de Ação Social).

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