Depoimento Pr. Silvestre – ALEF – Natal/RN

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Eu costumo até dizer que Jesus era bem bronzeado. Jesus vivia na praia, subia no barco, encontrava com Pedro que era pescador, andava no barco com os discípulos… E a igreja diz que a gente não deve ir à praia? Aí eu ficava mais confuso ainda. Se Jesus, bronzeado, vivia em barcos na beira da praia, falando com pescador e a igreja diz que a praia é do Diabo? Aí eu entrei em crise. Não entendi mais nada. Onde é que eu estou? Eu fiquei totalmente confuso com essas pregações engessadas que você recebe na igreja que se não estiver dentro daquele padrão, não é de Deus.

Quando eu encontrei a Missão Integral, quando comecei a ver que aquilo que eu estava defendendo eu não estava sozinho, tinha muitas outras pessoas que falavam a mesma linguagem, aí eu me encontrei de novo. Agora eu saí da crise. Porque agora eu tenho convicção que eu posso ser pentecostal, falar em línguas, profetizar e que eu posso ser ambientalista. Isso é Missão Integral. A gente divide: isso aqui prá cá, isso aqui prá lá. Isso aqui pode, isso aqui não pode. Fica difícil. Confunde as coisas. Faz tudo pela metade.

A Missão Integral não nega você ser um pentecostal, não nega você falar em línguas, não nega você ser um homem de fogo, uma mulher de oração… não nega nada disso, mas amplia você ter uma visão do que está ao seu redor. Pegar o peixe e a rede e transformar em parábola. Pegar a semente e a terra e transformar em parábola. Qual é a diferença? Por que não pode? Jesus interligava a nossa vida à vida ambiental, à vida da terra, da semente, da galinha, do peixe, do mar, da vida. Então é isso. Então aí sim eu comecei a entender que eu estava no caminho certo. Aí encontrei A Rocha e pronto. Foi aí que me esclareceu mais ainda. Quer dizer, agora dá para a gente fazer as duas coisas, não tem contradição. A gente é que às vezes fica inventando coisas ou até atrapalhando as coisas porque fica fazendo partidarismo: isso aqui prá cá, isso aqui prá lá; isso aqui é de Deus, isso aqui não é de Deus. Onde é que está escrito que não é?

Então, essa é a experiência que eu passei, essa é a experiência que eu vivi. Anteriormente eu tinha me formado numa escola que eu aprendi muito que foi a Teologia da Libertação. Eu tinha realmente um compromisso com as Comunidades de Base, compromisso com a justiça. E de repente, eu tinha vindo para a igreja evangélica que negava todos esses princípios. Daí não dava… Por isso eu entendo que a Comunidade Vida Plena é quando nós dizemos o seguinte: diante dessas questões em que a gente tem divergência, às vezes, é necessário você ter vinho novo em odre novo. Por isso que às vezes surgem novas igrejas. Não surgem novas igrejas por luta de poder, mas surgem novas igrejas para se comprometer com a Palavra. Então, quando surgiu a Vida Plena, não foi uma igreja para disputar poder com ninguém, mas foi uma comunidade para se comprometer com o que está escrito e fazer Missão Integral: podemos ser pentecostais, podemos ter dons espirituais e podemos ser ambientalistas.


Pr. José Silvestre de Moura, Comunidade Vida Plena, Natal/RN.
Depoimento gravado em oficina do Programa de Educação Ambiental (PEA) d´A Rocha Brasil em dezembro de 2009.

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