“Só somos povo de Deus se nos preocupamos com o pobre”, afirma Ronald Sider

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27/07/09

“Não conhecemos de fato o Deus da Bíblia, a não ser que nos preocupemos com os pobres”. Palavras contudentes como estas foram a tônica da primeira explanação do teólogo e escritor norte-americano, Ronald Sider, no IV Encontro Nacional da RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social) na noite desta quinta-feira, na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro.

Durante 50 minutos, Sider explanou sobre como o Deus da Bíblia se preocupa com a pobreza. Com muitas citações bíblicas, especialmente do Antigo Testamento, em seu sermão intitulado “Deus, a Bíblia e a Pobreza” ele refletiu sobre dois tipos de pecado: o individual e o social ou estrutural. Segundo ele, falamos mais do pecado individual, mas Deus fala sobre os dois. “O pecado social pode ser tão natural e escondido que a gente quase não percebe”. Ele afirmou que é possível termos leis injustas quando as estruturas em que estas leis estão inseridas são baseadas em pecado sociais.

Sider disse ainda que há três coisas que “não se encaixam” quando pensamos sobre a pobreza. “A primeira é a realidade da pobreza no mundo, com, por exemplo, 30 mil crianças morrendo de fome por dia. A segunda é que há centenas de centenas de versículos na Bíblia que falam sobre a preocupação com os pobres. E a terceira é o comportamento dos cristãos hoje. Nos Estados Unidos, por exemplo, quanto mais ricos os cristãos estão se tornando, menos doam aos pobres”.

Segundo Sider, fica claro nas páginas da Bíblia que Deus tem uma preocupação especial pelos pobres, que ele considera a justiça econômica e prosperidade e que, porém, fica furioso quando as pessoas enriquecem oprimindo os pobres ou, ao enriquecer ilicitamente, se tornam indiferentes à pobreza.

Para o escritor, a preocupação com os pobres não é apenas para um grupo de pessoas especiais. “De acordo com a Bíblia, Deus e seu povo estão do lado dos pobres. Se somos o povo de Deus, mas não compartilhamos a preocupação pelo pobre, não somos, de fato, povo de Deus”.

O autor de livros como "Cristãos Ricos em Tempos de Fome" e de O Escândalo do Comportamento Evangélico, propôs um caminho para combater a injustiça estrutural. “Primeiro, precisamos mudar nossa vida pessoal, viver de maneira mais simples para que outras pessoas possam simplesmente viver. Depois, precisamos mudar a igreja para que, então, possamos mudar a sociedade”.

Enquanto suas palavras iniciais foram a saudação “em nome do Senhor Jesus ressurreto”, suas palavras finais, no entanto, vieram em forma de súplica. “Eu suplico, olhem para o pobre com os olhos de Jesus!”.


Lissânder Dias do Amaral

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