Igreja profética e justa

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28/08/09

Maurício Cunha, diretor de programas da Visão Mundial, dirigiu segunda plenária do IV Encontro RENAS. O tema abordado foi “A igreja a serviço do reino”.

Para Maurício a justiça social é uma visão bíblica. Sua palavra, baseada no texto de Lucas 24.17-19, pretendeu focar no papel da igreja de transformação social enquanto local. Nesta passagem o discípulo define o ministério de Jesus. E a igreja? Como deve ser reconhecida? Ela tem sido profética?

Nos nossos dias muito se tem falado sobre profecias. Mas qual a natureza do profético? Segundo Maurício, é o anúncio e o fazer cumprir a vontade de Deus. É confrontar o que realmente é justo e estar ciente da realidade social.

A igreja deve ser, assim como Cristo, poderosa em palavras e obras. Infelizmente, o que temos visto são igrejas que só dão valor à primeira; gosta muito de púlpito e oratória. Porém não devemos nos restringir apenas à proclamação, e sim fazer cumprir os desígnios de Deus. Toda a ação social cristã deve ser profética.

Além disso, o preletor lembrou que uma igreja relevante é reconhecida pela sociedade e não apenas internamente: “Se sua igreja sumisse do nada o que a comunidade iria pensar? Sentiria falta? Ficaria aliviada?”.

Visão bíblica
A justiça é tema central nas Escrituras. Um mendigo em Israel não se fazia de coitado; pelo contrário, pedia por justiça. E Deus nos ensina a viver assim (Dt 15.4,7,11). Então o que seria a justiça de Deus?

A ajuda aos desfavorecidos não é vista como ato de bondade e sim como uma obrigação ética. Mas biblicamente não era assim. O não cumprimento dessa “obrigação” é considerada pela Bíblia como extremamente grave (Ez 16.49).

A fé cristã exige compromisso com o outro e com a ação. A justiça não tem a ver com sentimentalismo e sim com atitude. “Deus elabora, executa e avalia projetos. Ele é prático. Às vezes queremos ser mais espirituais que Deus.”

Alguns exemplos da justiça de Deus na Bíblia:
– O ano sabático (Dt 15)
– O ano de pousio da terra (Ex 23.10-11)
– Preocupação com as condições de vida do trabalhador (Dt 24.14-15)
– Disposições orientadas para proteger o consumidor. Medidas certas e preço justo (Dt 25.13-16)
– Apoio aos pobres (Lv 25.35)
– Oliveiras, bagos de vinha e espigas (Lv 19.9-10, Dt 24.19-21)
– As esmolas de Cornélio (At 10. 1-4)

A igreja precisa ser “educada”. Uma relação de mutualidade e de aprendizado deve fazer parte da vida da igreja. Precisamos fazer para os outros como se estivéssemos fazendo para Jesus e clamar por uma igreja relevante e que pratica a justiça.

A igreja irrelevante defende apenas os seus próprios interesses. A relevante está atenta; contextualiza e busca a excelência. Como ela é um celeiro de recursos e talentos, devemos orientar os vocacionados para a transformação social.

Contudo a igreja não pode fazer isso sozinha. Ela precisa da ajuda de pastorais, ministérios, que, por sua vez, devem se juntar em redes.

Maurício encerrou sua palavra dizendo que a fé cristã não cabe dentro de quatro paredes. “É na comunidade que se acendem candeias!”


Fernanda Brandão

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