Uma bala por um beijo

[ 1 ] Comentário

Você tomaria uma vacina de mel? Em forma de bala… é claro! Com o objetivo de adoçar relacionamentos a Juventud Para Cristo (JPC) do Uruguai* e a Cooperativa Andenes realizam anualmente a Campanha de Vacinação contra Maus-tratos a Crianças e Adolescentes.

A campanha tem os objetivos de promover os direitos da criança e do adolescente com ênfase no “bom-trato” e de sensibilizar a sociedade quanto às situações de violência vividas diariamente por eles. Maus-tratos são toda ação, omissão ou negligência que tire da pessoa seus direitos e condições de bem-estar, colocando em risco seu desenvolvimento físico, psíquico, moral ou social. Os causadores podem ser pessoas, instituições ou a própria sociedade.

O tema é “Um trato pelo bom-trato”. Ou seja, a pessoa vacinada deve se comprometer a viver relacionamentos “livres de violência” tanto entre gêneros (homem e mulher), como entre gerações (crianças, adolescentes, jovens e adultos). A consciência de que crianças e adolescentes sofrem abusos (maus-tratos) físicos, emocionais e, sobretudo os abusos sexuais, é recente. Por isso, JPC se preocupou também em fazer do adolescente um agente importante na luta em defesa de seuspróprios direitos.

Em outubro de 2007, foi realizada a 5ª Campanha de Vacinação em várias cidades do interior do Uruguai e em diversos pontos da capital. Em um deles, o Palácio do Legislativo de Montevidéu, adolescentes, de escolas públicas, de igrejas e atendidos por projetos sociais, vacinaram deputados e senadores.

Os adolescentes vacinadores agem da seguinte forma: abordam um adulto e perguntam a ele se já tomou a vacina antipegánica (pegar em castelhano significa “bater”). Mesmo que a pessoa não seja uma abusadora (maltratadora), ela pode vacinar-se, pois seus atos sempre podem melhorar. O adulto deve então expressar seu compromisso com ações de bom-trato, como abraçar o filho e dizer-lhe o quanto o ama, ler um livro com ele antes de dormir, tirar um tempo para escutar o adolescente e levar em conta suas opiniões etc. Depois de expresso o compromisso, o jovem lhe entrega o certifi cado de vacinação, um adesivo de carro e o convida a tomar a dose oral: uma bala de mel.

Segundo Denise Teixeira, missionária brasileira que participou da Campanha no Uruguai, a participação dos adolescentes é importante “pois alguns deles sofrem maus-tratos em suas próprias casas. Isso lhes dá autoridade para falar aos outros”, além de ser uma oportunidade de trabalhar em favor deles mesmos e de outras crianças e adolescentes.

Brasil
Inspirada na proposta da JPC do Uruguai acontece há três anos no Brasil a Campanha de Vacinação pela az, que é realizada pelo Projeto Crescendo no Morro em parceria com o Conselho de Moradores do Morro da Conceição, em Recife, PE, e a ONG Diaconia.**

Durante os Jogos da Paz, uma parte da programação da campanha, um grupo de jovens do projeto aborda os moradores do Morro da Conceição e os convida a se vacinarem em favor da paz. Os adultos devem comprometer-se a amar e cuidar das crianças da comunidade. Nesse caso o contrato é um carimbo e a vacina também é uma bala.

Assim como no Uruguai, os adolescentes têm um papel importante, são os responsáveis por mobilizar, animar e convidar as pessoas a se vacinarem. Na campanha realizada em setembro de 2007, participaram cerca de 280 crianças, adolescentes e jovens, familiares, moradores e visitantes da comunidade.

A Campanha de Vacinação contra Maus-tratos a Crianças e Adolescentes acontece no Uruguai há cinco anos e tem-se difundido pela Argentina, Chile, Peru e Brasil. Divulgar a Campanha em âmbito nacional é um dos projetos da rede Mãos Dadas*** para 2008.

Poesia "Que sejam crianças as crianças" de Mex Urtizberea [Download]


Notas
* JPC trabalha pelo desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.
** Diaconia trabalha pelo desenvolvimento humano na região semi-árida e em centros urbanos do Nordeste.
*** Rede formada pelos parceiros da revista Mãos Dadas que busca soluções para a problemática das crianças e adolescentes em situações de risco social.

Uma resposta para Uma bala por um beijo

  1. Patricia Lima disse:

    Realizei a campanha de vacinação em uma comunidade no Grajaú, Rio de janeiro. Foi muito gratificante ver os adultos se vacinando e mais ainda, as crianças (filhos e netos) trazendo seus familiares para serem vacinados, denunciando a necessidade deles receberem a vacina. Tivemos 02 pessoas que se negaram a tomar a vacina.
    Patricia Lima

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