O que são redes de organizações?

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A palavra rede vem do latim retis, que significa o entrelaçamento de fios com aberturas regulares, formando uma espécie de tecido. Nos últimos anos, ela tem se tornado cada vez mais freqüente no mundo organizacional. Estudos mostram que, enquanto em 1989, menos de 10% das empresas norte-americanas estavam ligadas em rede, apenas quatro anos depois, em 1993, mais de 60% delas já estavam conectadas em algum arranjo deste tipo [1].

Entretanto, uma análise mais cuidadosa revela que o termo “rede” é utilizado com uma grande diversidade de significados. Dentre os sinônimos que são empregados para este termo, conforme o contexto considerado, encontram-se: alianças, parcerias, fóruns, associações, coalizões, federações, confederações, clusters, arranjos produtivos locais, joint ventures, consórcios, cadeias, etc.

Diante disto, é importante estabelecer alguns fatores essenciais, indispensáveis para caracterizar uma rede de organizações. Propomos oito, a partir da compilação dos trabalhos de diversos autores que estudam o tema. É preciso que todos estejam presentes para classificar um conjunto de entidades como uma rede de organizações:

1. Formada por pelo menos três organizações com personalidades jurídicas distintas: Uma única organização pode se estruturar na forma de rede, mas, neste caso, trata-se de uma rede interna, e não uma redes entre organizações. Da mesma forma, duas organizações podem formar uma parceria ou aliança estratégica, mas só começa a haver rede quando há, pelo menos, três organizações com personalidade jurídicas distintas interconectadas;

2. Propósito bem definido: A rede deve ser formada em torno de um propósito ou conjunto de interesses bem definidos, que motivam as organizações a se associarem. Alguns autores exigem também que haja dependência dos membros com relação à rede, ou seja, que os objetivos particulares só possam ser alcançados se os coletivos também o forem [2]. Não cremos que a interdependência seja mandatória. Há situações em que uma organização é capaz de alcançar seus objetivos, atuando de maneira isolada, mas percebe que atuar em rede pode ser uma forma mais eficaz de alcançar tais objetivos. O que se coloca como característica essencial é que haja uma convergência de propósitos com relação à rede entre todos os membros;

3. Membros possuem autonomia administrativa e financeira: Além de personalidade jurídica própria, as organizações devem apresentar autonomia administrativa e financeira. Os membros da rede não podem ser dependentes dela ou de uma “organização-mãe”, tanto em termos financeiros quanto administrativos;

4. Membros possuem marca própria: Esta é uma diferença fundamental entre o modelo de redes e o de franquias. A franquia (comercial ou social) está intrinsecamente ligada à difusão de uma marca forte. Nas redes, embora possa haver um compartilhamento de conhecimentos e metodologias de operação, cada organização-membro mantém sua identidade de marca;

5. Capacidade de expansão praticamente ilimitada: Dado seu caráter eminentemente virtual e a possibilidade de comunicação trazida pela Tecnologia da Informação, a rede pode crescer de forma praticamente indefinida [3];

6. Liberdade de associação e dissociação: Uma rede deve estar sempre aberta à entrada de novos membros que aceitem as regras de intercomunicação estabelecidas [4]. Como busca somar forças em torno de um objetivo comum, a rede deve ser favorável à adesão de novos parceiros, desde que comparilhem seus valores. Da mesma forma, a rede não deve impor barreiras se algum de seus membros decidir se desligar. Caso uma organização entenda que seus objetivos ao participar da rede já foram alcançados ou não compartilhe mais os objetivos comuns do grupo, deve exercer sua plena liberdade de se dissociar [5].

7. Liberdade de adesão pontual: Os membros participam da rede de diferentes formas e em variados graus de adesão. As organizações-membro não são obrigadas a aderirem ou concordarem com todas as iniciativas do grupo. Deve prevalecer na rede uma lógica de adesão pontual, segundo a qual cada membro toma parte apenas nas iniciativas de seu interesse. O fato de não participar de uma ou outra ação não deve, de forma alguma, comprometer o status da organização na rede e, muito menos, sua condição de membro [6];

8. Duração enquanto cumprir o objetivo comum: A rede é formada para explorar uma oportunidade ou necessidade. Assim que os propósitos forem atingidos ou tão logo os membros assim decidam, a rede se dissolverá [7]. Não faz sentido querer perpetuar a rede se seus custos de manutenção são maiores que os benefícios auferidos pelos membros.

Referências bibliográficas

[1] RIFKIN, J. A era do acesso. Trad. de Maria Lúcia G.L. Rosa. São Paulo: Makron Books, 2001.
[2] TORO, B. Reedição, Diálogo e Disseminação de Saberes. In: 1º Seminário Internacional sobre Avaliação, Sistematização e Disseminação de Projetos Sociais. Anais. São Paulo: Fundação Abrinq, set. 2002, p.64-83.
[3] CASTELLS, M. A sociedade em rede: A era da informação – economia, sociedade e culutra. Trad. de Roneide Venâncio Majer. 6.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
[4] WHITAKER, F. Rede: uma estrutura alternativa de organização. Revista Mutações Sociais, v.2, n.3, p.1-7, mar./mai. 1993.
[5] YANACOPULOS, H. The strategies that bind: NGO coalitions and their influence. Global Networks, v.5, n.1, p.93–110, 2005.
[6] COYNE, K.P.; DYE, R. The competitive dynamics of network-based business. Harvard Business Review, p.99-109, Jan./Feb. 1998.
[7] PETERS, T. Liberation Management. New York: Fawcett Columbine, 1992.

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