Perfil do terceiro setor no Brasil e no mundo

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O segmento de organizações da sociedade civil que não visa lucro, denominado terceiro setor, é composto por uma grande diversidade de organizações, atuando em diferentes áreas. Visando mapear e classificar este universo, a Universidade John Hopkins liderou um “Projeto comparativo internacional sobre o setor sem fins lucrativos” em 22 países, incluindo o Brasil.

 

As organizações foram identificadas e classificadas em uma das seguintes áreas:

1) Cultura e Recreação;

2) Educação e Pesquisa;

3) Saúde;

4) Assistência Social;

5) Ambientalismo;

6) Desenvolvimento e Defesa de Direitos;

7) Religião;

8) Associações Profissionais e Sindicatos;

9) Outras.

 

No Brasil, a pesquisa encontrou 1.120.000 pessoas trabalhando com remuneração no setor sem fins lucrativos. É significativo também o número de pessoas que realizam trabalho voluntário: 16% da população acima de dezoito anos. Como a maior parte destes o faz em tempo parcial, o total de horas trabalhadas foi transformado no equivalente a jornadas em tempo integral, resultando em 333.000 pessoas. Somando os voluntários com os remunerados, chega-se a quase 1,5 milhão de pessoas envolvidas.

 

Analisando cada área de atividades, encontrou-se 34,0% do pessoal remunerado trabalhando na área de Educação e Pesquisa. Por outro lado, 58,7% dos voluntários estão na área religião. A tabela abaixo apresenta os números de remunerados e voluntários em cada atividade.

 
Áreas de atividade
Remunerados
Voluntários
Total
1. Cultura e Recreação
175.540
15,7%
0
0,0%
175.540
12,1%
2. Educação e Pesquisa
381.098
34,0%
29.711
8,9%
410.809
28,3%
3. Saúde
184.040
16,4%
21.777
6,5%
205.817
14,2%
4. Assistência Social
169.663
15,2%
55.709
16,7%
225.372
15,5%
5. Ambientalismo
2.499
0,2%
0
0,0%
2.499
0,2%
6. Des. e Defesa Direitos
13.721
1,2%
26.279
7,9%
40.000
2,8%
7. Religião
93.769
8,4%
195.881
58,7%
289.650
19,9%
8. Ass. Profissionais
99.203
8,9%
1.266
0,4%
100.469
6,9%
9. Outros
0
0,0%
2.955
0,9%
2.955
0,2%
Total
1.119.533
100,0%
333.578
100,0%
1.453.112
100,0%
 

Os que trabalham com remuneração no terceiro setor representam 1,7% da população ocupada no Brasil, o que coloca o país em 18º lugar dentre os 22 pesquisados. O país com menor percentual de trabalhadores no terceiro setor foi o México com 0,4%, enquanto que a Holanda foi o país com maior percentual, com 12.6% da população ocupada trabalhando no terceiro setor.

 

Em termos monetários, as despesas totais das organizações sem fins lucrativos no Brasil estão em torno de 1,5% do PIB, enquanto que a média nos 22 países é de 4,7 % do PIB. Já nos Estados Unidos, enquanto o setor empresarial constitui 80% do PIB e o setor governamental é responsável por outros 14%, o terceiro setor já representa 6% da economia nacional

 

Comparando as fontes de financiamento das organizações do terceiro setor, percebe-se que as doações privadas no Brasil (10,9%) representam um percentual ligeiramente superior à média dos 22 países (10,5%). Contudo, a grande diferença está nos percentuais de receitas próprias e repasses governamentais. No Brasil, 15,7% dos recursos do terceiro setor provêm de verbas públicas, enquanto que 73,4% são originados com a venda de seus produtos e serviços. Já a média dos 22 países pesquisados indica uma participação muito maior do Estado, na faixa de 40,1% dos recursos contra 49,4% de receitas próprias das organizações do terceiro setor.

 

A RENAS está promovendo o Mapa da Ação Social Evangélica no Brasil (MASE). Com base nos dados que serão levantados nesta pesquisa, poderemos comparar o perfil das entidades evangélicas com o conjunto do terceiro setor no Brasil e no mundo.

 
 

2 respostas para Perfil do terceiro setor no Brasil e no mundo

  1. e aí pessoal, quase dez anos depois, como evoluimos?? Abraços….

  2. Só lembrando que o IBGE produziu e publicou o Censo 2010 das FASFIL e os números já são diferentes destes da RENAS.
    A pergunta continua sendo: entre 2010 e 2014, o que avançou? Em que direção avançou? Sabemos que a velocidade de crescimento da quantidade de novas OTS se reduziu na presente década, passado o “boom” dos anos 90 e primeira década do presente século.

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