Encontro de Filiadas RENAS 2026 reuniu organizações de todo o país para refletir sobre atuação em rede, compartilhar experiências e construir os próximos passos da campanha nacional.
Entre os dias 1 e 3 de Junho, as organizações e indivíduos filiados à RENAS se reuniram em Campinas para o Encontro de Filiadas. Foram cerca de 40 participantes, representando 18 instituições filiadas, 6 interessadas na filiação e convidados.
O encontro aconteceu no Lar Luterano Belém e teve início na tarde do dia 1 com uma reflexão trazida pelo Pr. Casso Vieira, Pastor na 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Campinas, acerca da importância da presença para nos conectarmos, conduzindo os participantes a compreender que a presença de Deus é a base da missão, da reconstrução de vínculos e da transformação de vidas. A partir de textos do Antigo e do Novo Testamento, foi destacado que a caminhada cristã não acontece de forma solitária, mas sustentada pela promessa de Cristo de permanecer conosco em todos os momentos.
Ao longo da mensagem, também foram compartilhadas experiências que evidenciaram como a presença genuína, a escuta e o cuidado são capazes de restaurar pessoas e fortalecer comunidades. O encontro reforçou o compromisso de viver uma espiritualidade presente no cotidiano e de seguir promovendo relações marcadas pelo acolhimento, pelo serviço e pela esperança.

No fim da tarde, foi apresentado um painel sobre “O papel das redes, organizações e igrejas diante dos desafios sociais do Brasil hoje”, com a participação de Silvia Kivitz, representando as redes, Emilene Araujo, representando as organizações e o pastor Davi Nogueira, representando as igrejas.
Silvia trouxe à luz a importância do pastoreio e cuidado com as lideranças e organizações sociais. O cansaço e a solidão tem sido um desafio recorrente que demanda atenção e prevenção imediata. Emilene, por sua vez, destacou os desafios e a relevância do diálogo com as intuições do poder público para que políticas de proteção possam avançar. “Se nós não ocuparmos esses espaços para falar, alguém irá falar por nós e talvez não do jeito que a gente gostaria”, relata Emilene.
O Pr. Davi trouxe mais uma vez a urgência da teologia e a prática eclesiástica serem capazes de responder às novas demandas, como as famílias atípicas. Como preparar equipes e lideranças pastorais para serem, de fato, inclusivas e relevantes.
A terça-feira, 2, foi cheia de momentos especiais. Iniciamos o dia com um devocional trazido por Klênia Fassoni, representante da Revista Ultimato. A partir dos textos de Habacuque 3:17-19 e Lamentações 3:21-22, Klenia refletiu sobre a “esperança do tipo ainda que”: uma esperança que não depende das circunstâncias, mas permanece firme mesmo diante das perdas, incertezas e sofrimentos. Destacou que a esperança cristã encontra seu fundamento em Deus, a única âncora segura que não decepciona, sustentando a caminhada de fé em qualquer cenário.

Ao longo da mensagem, a palestrante ressaltou que essa esperança não apenas fortalece a vida pessoal do cristão, mas também o capacita a levar esperança aos outros. Reforçou que a Igreja é chamada a ser arauto da esperança, anunciando, por meio de sua presença e testemunho, que existe uma esperança capaz de permanecer firme mesmo quando tudo parece desmoronar.
Nicolas Eller, apresentou em seguida a parceria social Bravva e a importância da construção de diálogo com o segundo setor como alternativa de captação de recursos. A Parceria Social Bravva se dá com seguradoras.
“Durante cerca de 2 anos, com horas pró-bono de desenvolvedores e algum investimento, desenvolvemos um sistema de venda e controle para corretoras – uma ponte real entre o mercado de seguros e as organizações sociais. Conversamos com 5 corretoras de médio e grande porte. Uma delas entendeu a visão, implantou o sistema e construiu conosco um modelo real de repasse de receita”, explica Nicolas.
Após esse momento, Livan Chiroma, representando a Missão Sepal e a Aliança Evangélica Brasileira, apresentou o programa “Igreja Pela Vida das Mulheres”, uma importante parceria entre o Ministério Público do Estado de São Paulo, a Prefeitura Municipal de Campinas e as Igrejas Evangélicas da cidade. A iniciativa prepara quem muitas vezes é o primeiro ponto de escuta: a igreja.
“Esse projeto é um enfrentamento a uma constatação técnica de que há violência doméstica praticada por maridos em direção às suas mulheres nos ambientes eclesiásticos. E essa dor causou a construção de um projeto que envolve algumas ferramentas como cartilhas, cursos e protocolos para treinar e trazer esse letramento para pastores e homens no geral, porque a violência também é fruto de como a masculinidade é construída nas igrejas”, relata Livan.
Foi, também, o primeiro dia de construção das bases da nova campanha oficial de RENAS. Um processo guiado por Lidiane Nogueira, pedagoga e esposa do pastor Davi. Uma manhã e tarde produtiva de escuta, mapeamento e diagnóstico, proposições, debates e definições iniciais.

No fim da tarde, as redes e os grupos de trabalho compartilharam suas atuações e atividades desenvolvidas no Amazonas, Sergipe e Paraná. Bem como os projetos e iniciativas da Rede Mãos Dadas, com o Mutirão Mundial de Oração, e a rede Renovar Nosso Mundo, com o movimento Junho Verde.
Na quarta-feira, 3, iniciamos o dia com um devocional trazido por Glauce Makoski, coordenadora da Rede Paranaense de Ação Social e representante da Associação Metodista de Assistência Social, sobre a Missão do cristão a partir de uma perspectiva da coerência, da experiência e do milagre como resultado da ação de Deus no mundo.
Houve ainda a consolidação final da construção da campanha, que focará na violência como tema principal, e a entrega oficial para o GT de Campanha aprimorar a proposta. E seguimos para o momento tradicional de encerramento com a celebração do corpo de Cristo e foto oficial.

O Encontro Filiadas é um momento de descanso, compartilhamento, renovo e ânimo comunitário. É essencial para alinhar as atividades da rede, mas ainda mais fundamental pelo privilégio do cuidado e pastoreio mútuo.
