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	<title>atualidade | RENAS | Rede Evangélica de Ação Social</title>
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		<title>Refugiados em São Paulo: relato de uma visita</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2016 21:17:24 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma tarde chuvosa e fria de junho, eu e mais duas pessoas fomos conhecer a <a href="http://www.missaonspaz.org/">Missão Paz</a>, no bairro do Glicério em São Paulo (SP). A Missão Paz é uma comunidade internacional de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Escalabrinianos">padres scalabrinianos</a>. Tem por missão acompanhar imigrantes das mais diversas culturas, crenças e etnias. Possivelmente a comunidade mais antiga no Brasil, oferecendo apoio a imigrantes.</p>
<p>Ao chegar, nos deparamos com uma grande fila de homens e algumas mulheres, jovens, negros, na sua grande maioria, que aguardavam entrevista para tentativa de colocação no mercado de trabalho.</p>
<p>Conhecemos o local onde é realizada a “mediação”, uma conversa entre o imigrante e representantes de empresas que tenham disponibilidade de vagas para serem ocupadas por estrangeiros.</p>
<p>Há também um grande auditório, que é utilizado por comunidades de diferentes países que realizam festas comemorativas e apresentações típicas. Naquela tarde, o auditório estava sendo preparado para uma festa de uma comunidade boliviana.</p>
<p>Conhecemos também a Casa do Migrante, que acolhe pessoas até que a situação de documentação e outras providências delas seja encaminhadas. Encontramos duas crianças lindas e saudáveis, filhos de imigrantes que haviam chegado à casa fazia pouco tempo.</p>
<p>Ficamos sabendo ainda de mais três casas de acolhimento. Duas delas atendem mães grávidas, viúvas e adolescentes na faixa etária de 14 a 16 anos que chegam ao Brasil escondidas em navios.</p>
<p>Fomos informados sobre os dados atuais no mundo: 65 milhões de pessoas vivem em situação de deslocamento forçado dos seus países de origem. No Brasil, segundo o CONARE (Comitê Nacional de Refugiados do Ministério da Justiça), nos últimos quatro anos, o número de refugiados no Brasil praticamente dobrou, passando de 4.218, em 2011, para 8.400 em 2016, vindos  de 79 diferentes nacionalidades, sendo as cinco maiores comunidades originárias, em ordem decrescente: Síria, Angola, Colômbia, Congo e Palestina.</p>
<p>Acrescenta-se a este número mais de 25 mil pessoas que já vivem no Brasil, mas que ainda aguardam processos de documentação a serem expedidos pelo Ministério da Justiça.</p>
<p><strong>Espanto, tristeza e desafio </strong><br />
O sentimento naquela tarde foi um misto de espanto, tristeza e desafio. O espanto, por nos depararmos com tantas pessoas que foram obrigadas a se deslocarem de seu país de origem em busca de um futuro melhor. A tristeza, por imaginar a história individual de separação de suas famílias.</p>
<p>A saudade, pelo peso da escolha de sair do seu próprio país. O desafio, por conhecermos tão pouco sobre esta dura realidade que afeta o nosso país e milhões de pessoas no mundo todo e saber que precisamos nos juntar aos que já estão trabalhando e servindo nesta área.</p>
<p>A visita chegou ao final e perguntamos ao padre que nos recebeu tão bem: de que forma poderíamos ajudar? Há algo que podemos fazer?</p>
<p>A resposta dele foi:</p>
<blockquote><p>Vocês precisam fazer campanhas de sensibilização nas igrejas evangélicas, para que elas se despertem a acolher o imigrante, o refugiado</p></blockquote>
<p>Ele nos disse ainda que a maioria das pessoas que hoje residem na casa do Migrante vêm de alguma igreja evangélica do seu país de origem.</p>
<p>Saímos daquela visita impactados com o que vimos e ouvimos e dispostos a agir em favor destas pessoas. Estamos orando para que o Senhor nos dê discernimento, nos mostre os caminhos por onde devemos seguir e que, num curto espaço de tempo, possamos trabalhar para que famílias sejam completamente restauradas e nos ajudem a restaurar milhares de outras famílias, através do amor do nosso Senhor Deus.</p>
<p style="text-align: center;"><em>“Ele defende os direitos dos órfãos e das viúvas. Ele  ama o estrangeiro e lhes dá comida e roupa. Amem os estrangeiros.” Deuteronômio  10:18,19 NTLH</em></p>
<p><strong><em>• </em></strong><strong>Débora Fahur </strong>é assistente social e uma das diretoras da AEBVB (Associação Evangélica Beneficente Vale da Benção), em Araçariguama, SP. Débora também é uma das fundadoras da RENAS e uma das coordenadoras da campanha Bola na Rede.</p>
<p><em>Ilustração: capa da cartilha <a href="http://www.acnur.org/fileadmin/Documentos/portugues/Publicacoes/2011/Nacionalidade_e_Apatridia_-_Manual_para_parlamentares.pdf">Nacionalidade e Apatridia: Manual para Parlamentares</a>, da ACNUR, Agência da ONU para Refugiados.</em></p>
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