Justificativas

a) Bíblica

 “O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. (Mateus 25.40)

“Antes, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene”. (Amós 5.24)

Deus se preocupa com a desigualdade e a injustiça social.  Ele é um Deus justo e compassivo. A Bíblia demonstra isto, de forma contundente, citando inúmeras vezes a vontade de Deus sobre assuntos como: justiça, higiene e saneamento, saúde individual e pública, tortura, direitos trabalhistas, refugiados, alimentação, violência, agricultura, meio ambiente, prisões, infância, velhice, paz, guerra, ensino, política, advocacy, trabalho, fome, guerra, vulnerabilidade, escravos, pragas, sexualidade, habitação, acesso à água, vida urbana e rural, mordomia, crueldade, macro e microeconomia, orfandade, família, equidade, pobreza, riqueza, entre outros.

O Reino de Deus é o principal modelo para a nossa sociedade. Um reino de “paz, alegria e justiça” (Rm 14.17), onde o Rei é louvado plenamente e toda a criatura encontra sentido nele e em suas obras.

Vem aumentando a compreensão holística e bíblica sobre a missão da igreja, como reflexo e testemunho obediente do caráter de Deus. No Brasil e outros países, “Missão Integral” é um termo conhecido que expressa mais claramente esta compreensão e que conseguiu nas últimas décadas envolver movimentos, igrejas, organizações e redes. Em nível internacional, é possível encontrar no Movimento Lausanne esforço parecido. Há ainda outras iniciativas que agregam a igreja em torno de sua responsabilidade coerente e integral, como a Rede Miquéias.

b) Contextual

O Brasil é um país muito desigual, e ainda persistem milhares de famílias empobrecidas, e muitas pessoas que sofrem injustiças e privações de seus direitos sociais, violações de direitos humanos além de outras injustiças sociais sistêmicas e ambientais.

Fica cada vez mais evidente que as igrejas e as organizações sociais de iniciativa evangélica se constituem em uma relevante força nacional. Isso, porém, por muito tempo, se deu de forma desarticulada, com esforços dispersos, sem muita visibilidade e representatividade nos espaços públicos e com baixa influência nas políticas de governança. Era necessário que houvesse articulação, troca de informações e recursos, qualificação e formação técnica, inovação, gestão profissional, transparência e ética, visibilidade, abrangência nacional e territorial, representatividade, incidência em políticas públicas, monitoramento e avaliação, diagnóstico, participação e controle social, entre outros.

Faltava a construção de uma ampla rede de relacionamentos entre organizações e igrejas evangélicas que atuam na área social, no sentido de proporcionar formação, encorajamento, capacitação, articulação; para transformação no âmbito da participação e controle social e nas frentes da ação social. Como consequência, havia um significativo desconhecimento das ações sociais desenvolvidas pelos evangélicos no Brasil, bem como da relevância desse trabalho para a sociedade.

Faltava também um espaço evangélico para trocas de experiências que propiciem o acesso das organizações evangélicas de ação social aos diversos recursos existentes.

Foi neste contexto que surgiu a RENAS – Rede Evangélica Nacional de Ação Social.

c) Política

A caminhada da RENAS se pauta na fé em Jesus Cristo e na participação em seu Reino, assumindo um papel de protagonista na articulação de organizações que, por meio da participação social legitimada pela democracia, levantam a bandeira da justiça — não de um partido ou grupo político.

A atuação da RENAS – seja em dimensões locais quanto regionais e nacionais – se dá em meio à diversidade de opiniões do povo evangélico no país e em meio a possíveis conflitos que o contexto desta diversidade possa gerar. No entanto, a RENAS crê que somos chamados para caminhar juntos, como povo de Deus, sendo “sal” e “luz”, para a glória de Deus.

>> Leia a declaração A Posição Política da RENAS

>> Leia nossa Carta de Princípios