Folha de S. Paulo destaca projeto apoiado por Asas de Socorro

Comente!

O jornal Folha de S. Paulo publicou em sua edição de 27 de novembro a notícia sobre como um projeto de filtros bioativos conseguiu acabar com a diarreia em Parintins (AM).

O “Água Limpa para os Curumins” foi desenvolvido em uma escola rural pelo professor Valter Menezes e apoiado pela nossa parceira, Asas de Socorro. Por causa do projeto o professor Valter foi um dos premiados pelo Educador Nota 10, projeto das Fundações Roberto Marinho e Victor Civita.

Confira a seguir a matéria da Folha de S. Paulo.

***

 

Fossa feita com bananeira acaba com diarreia em Parintins (AM)

Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook

Um projeto de uma escola rural de Parintins (a 370 km de Manaus) vem transformando a realidade de comunidades ribeirinhas da região amazônica ao combater um dos problemas mais persistentes do local: a diarreia.

Idealizado pelo professor Valter Menezes, da comunidade de Santo Antônio do Tracajá, em parceria com alunos e com a ONG Asas de Socorro, o “Água limpa para os curumins” construiu e distribuiu 800 filtros bioativos (de areia e pedras) e 70 fossas –a maior parte delas feita com bananeiras– para vilarejos da região.

Moradores relatam que a diarreia praticamente desapareceu e que a incidência de doenças epidemiológicas e parasitárias caiu muito – o projeto não foi acompanhado por órgãos da saúde.

Cerca de 27% da população de Parintins não tem água encanada, de acordo com dados de 2010 das Nações Unidas, a maior parte dela na zona rural.

“Em locais sem rede de esgoto e com águas mais paradas, como na beira do rio Tracajá, os dejetos humanos são mais difíceis de serem escoados. Aquela água acaba sendo grande fonte de doenças”, explica o professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) José Almir Pereira.

FOSSAS

Para evitar o contato da população da região do Tracajá com dejetos humanos, Menezes e seus alunos começaram construindo 20 fossas para moradores idosos, população mais vulnerável a doenças.

Trata-se de poços onde os rejeitos se acumulam e bactérias agem naturalmente na eliminação de parte dos sedimentos. O problema é que os recipientes eventualmente se encheriam e, como a comunidade é cercada de água, não haveria onde esvaziá-los. Era preciso reaproveitar o que fosse despejado. Como? Plantando bananas.

Assim, o dejeto humano se tornou adubo para as plantas. A bananeira, que tem alta demanda por água, absorve e evapora os líquidos da fossa e é pelo menos cinco vezes mais durável que a fossa convencional, segundo Menezes. Outras 50 casas ganharam os novos equipamentos, mais sustentáveis.

O fruto, garante Menezes, é totalmente comestível e não há qualquer resquício de sua origem. “É um quintal comum. Ninguém diz que ali tem uma fossa”, afirma.

FILTROS

Disseminados pela região amazônica e considerados uma das formas mais eficazes de tratar água em povoados isolados, os filtros bioativos foram levados ao Tracajá pelo professor Menezes.

Neles, a água passa devagar por um recipiente composto por camadas de seixo (espécie de brita), areia grossa e fina. As barreiras dificultam a passagem de partículas e micro-organismos, e o líquido sai mais limpo.

“Deu tão certo que um rapaz que consumiu essa água por mais de um ano nunca mais adoeceu. Quando foi a outra região e bebeu água de lá, passou mal”, diz Menezes.

Os dois filhos de Tiane de Andrade, 36, foram alunos do professor. Ela se animou com o projeto e, hoje, é uma das responsáveis pela manutenção dos filtros. “É impressionante, você coloca a água marrom e ela sai clarinha. Ninguém mais passou mal.”

O projeto levou os filtros para outras comunidades de Parintins, além de Caapiranga, Humaitá e Prainha (Pará), desde 2013, beneficiando pelo menos 3.700 pessoas. O professor Valter Menezes foi um dos premiados pelo Educador Nota 10, projeto das Fundações Roberto Marinho e Victor Civita.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *