De Samaria à Ilha de Patmos: o caminho do amor de Deus

Comente!

A vida do missionário e o cuidado para resguardar o seu coração foram o foco da mensagem do pastor Osmar Ludovico na última manhã do 10º Encontro Renas, no Vale da Bênção, em Araçariguama, em São Paulo. Para ilustrar o tema, o autor do livro recém-lançado “O caminho do peregrino” e também mentor de líderes e outros pastores, fez uma reflexão sobre a caminhada do discípulo João, que viveu conflitos em Samaria, sentiu-se isolado na Ilha de Patmos, mas foi reconfortado pelo amor de Deus e revelações sobre o cumprimento da Palavra.

Baseando-se em leituras do Apocalipse e dos evangelhos de Lucas e João, Ludovico comentou que, muitas vezes, ao sermos contrariados, falta-nos o amor e a compaixão. Foi o caso do chamado “discípulo amado” (Lucas 9.51-56), que, ao ver seu mestre rejeitado pelos samaritanos, perguntou a Jesus se deveria mandar fogo para consumir a comunidade local.

Outro aspecto da personalidade de João que se relaciona com a vida do missionário é relatado em João 13.21-30, trecho bíblico em que Jesus faz a última ceia com seus discípulos e revela o nome daquele que o trairia. “Naquele momento, João começa a compreender o amor de Deus e de que nada adianta fazer sem amor. Ao longo do trabalho missionário é preciso anunciar o Evangelho para que o amor de Deus seja percebido por todos. Isso traz uma enorme responsabilidade para o missionário. Porém, de nada adianta salvar o mundo e perder a família. Por isso, é necessário cuidar da própria espiritualidade, pois muitos acabam se perdendo no processo por negligenciar a saúde e os familiares”, explanou Ludovico.

Do cenáculo para o calvário, João mostra outro importante aspecto da vida do missionário. Em João 19.25-27, Jesus incumbe o discípulo a cuidar de Maria dali em diante, sendo expressão do amor de Deus e criando vínculo, como no campo missionário.

Já na Ilha de Patmos, durante seu exílio, segundo é relatado em Apocalipse 5, em um momento de solidão, João recebeu a visão de um livro selado e que somente pode ser aberto por Jesus. A revelação da vinda do Cordeiro de Deus e da vitória do bem contra o mal acalmou o seu coração e renovou a esperança por um mundo sem sofrimento. Mas, até lá, é preciso anunciar o Evangelho para que mais e mais pessoas sejam alcançadas pelo amor de Deus.

“No processo de discipulado com Cristo, temos dias de Samaria. Mas, nessas horas, somos acolhidos nos braços de Jesus que nos ama. E aí podemos ouvir que nossa missão é cuidar de pessoas, vivendo isso ao pé da cruz. Ele nos chama para um serviço afetivo e desinteressado. E quando ficamos como João, desolados, olharemos para céu e veremos Jesus. Então entenderemos que o mal tem prazo de validade e o bem é eterno”, refletiu Osmar Ludovico.

Aretha Fernandes é jornalista e membro da Rede Evangélica de Marabá (PA).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *