Por que a igreja deve enfrentar a desigualdade no Brasil?

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A desigualdade é uma pauta que deveria estar na agenda da discussão da igreja local, da igreja de Jesus Cristo no Brasil, nesses tempos.

Alguns aspectos da desigualdade no Brasil também são reproduzidos dentro da estrutura de igrejas locais. As nossas igrejas locais são micro experiências que ratificam esse espaço desigual de acesso, por exemplo, da criança e do adolescente aos nossos cultos (que são em vários sentidos ‘adultocêntricos’ no que diz respeito à nossa linguagem). A deficiência na inclusão de mulheres é outro exemplo que eu quero destacar. Qualquer instituição que queira seguir os passos de Jesus deveria enfrentar essas temáticas nos termos que Jesus fez, como por exemplo, quando disse assim: “deixai vir a mim as crianças, porque é delas o reino do Céu”. O Reino do Céu é de todo mundo, a igreja deveria ser o protagonista nesse sentido tanto na produção de discurso e ações práticas que reduzissem, amenizassem e erradicassem todos os sinais, as evidências de desigualdade no Brasil.

— Marcel Camargo faz parte do CADI Brasil

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O tema da desigualdade é um tema tão importante para igreja no nosso continente. É também muito importante no ministério que eu estou envolvido com estudantes universitários. Universitários que vão concluir seus cursos e serão profissionais cristãos que espero que transformem e sejam agentes de transformação nos seus contextos, lidando com um desses desafios tão grandes que é a desigualdade na nossa região, no nosso continente.

Ricardo Wesley Borges faz parte da equipe Regional da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos para América Latina

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Nós, evangélicos em geral, saímos de uma situação de uma vida simples e vivemos a vida toda procurando alcançar algum nível de, como se diz, de bem estar social, oportunidade de estudo, oportunidade de trabalho e nossos filhos acabaram de se graduar, conseguir alguns títulos e estão exercendo suas profissões. Acho que a grande maioria dos evangélicos tem essa visão de ascensão social e não está suficientemente preparada pra encarar a problemática da desigualdade social. Nós precisamos de instrução, nós precisamos de articulação para enfrentar essa questão. É verdade também que as igrejas evangélicas no Brasil têm feito muitos trabalhos sociais, dos mais diferentes tipos e está enfrentando essa questão. Mas pessoalmente eu sinto que eu preciso aprender a enfrentar essa questão, como uma questão atual importante.

— Key Yuasa, pastor da Igreja Holiness

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Tenho em meu coração que uma frase resumiria o porquê que nós como seguidores de Jesus de Nazaré, discípulos de Jesus, temos que nos envolvermos e trazermos esse tema para dentro da igreja em todos os aspectos, simplesmente por uma palavra: Shalom. Shalom a todos!

Que o conceito de Shalom em sua inteireza nos alcance naquilo que a gente se prepara, naquilo que a gente ensina e principalmente naquilo que a gente pratica. Shalom, paz, justiça e prosperidade para todos sem ninguém ficar de fora. Essa, sem dúvida nenhuma, é muito mais que uma saudação. Esse é o nosso grande argumento e nossa grande ferramenta de serviço para que acabemos de vez com a desigualdade social e com esse abismo que existe entre as pessoas no que diz respeito à paz, à justiça e à prosperidade.

— Levi Araújo é pastor na Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo (SP). Casado com Simone e pai de dois adolescentes, Sabrina e Vinícius.

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