Celebramos a missão de Deus na história

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A noite de ontem (sexta-feira, 12) foi marcada pela celebração da missão de Deus na história. O programa do 9 Encontro RENAS foi dedicado ao resgate da riqueza dos 40 anos de realização do famoso Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em 1974, em Lausanne, Suíça, o chamado Congresso Lausanne. Foi lá que surgiu o Pacto de Lausanne, um documento que sintetizou e integrou os vários aspectos da missão da igreja no mundo.

Clemir Fernandes dividiu didaticamente estre trecho da história em três partes: antes, durante e depois de 1974. Ele lembrou a reflexão de John Stott em 1966, em Berlim, quando o teólogo inglês usou João 20.21 para expressar a versão joanina da “Grande Comissão” com uma relação clara de que “assim como Deus enviou Jesus, ele também nos envia”.

“A missão deve ser praticada de acordo com a própria vivência e dimensão de doação da vida (e até as últimas consequências) de Jesus. Ele é tomado pelo Pai para esta responsabilidade e ele toma a forma mais básica da dimensão humana, de servo. Até a morte de cruz: a mais desgraçadamente abjeta. Somos chamados por Cristo para cumprir a mesma missão” disse Clemir.

Clemir também lembrou a participação decisiva de dois teólogos latino-americanos durante o Congresso de Lausanne: Samuel Escobar e René Padilla. As perguntas que ambos levaram aos ouvintes do congresso gerou incômodos e o apoio de um dos líderes do evento: John Stott.

O pastor Key Yuasa, da Igreja Holiness, e uma das testemunhas histórias das consequências do Congresso Lausanne no Brasil, lembrou que o Pacto gerou uma atualização da missão de Deus na igreja.

“Quando o teólogo Samuel Escobar nos trouxe o Pacto de Lausanne para nós, fizemos leitura e estudo do pacto, em cada um dos seus 15 parágrafos, sentimos contentamento, e alívio. Era como um sopro novo do Espírito de Deus sobre sua igreja. O Pacto de Lausanne para nós pareceu um sopro do Espírito. E eram de pessoas que amam o povo de Deus e servem junto com o povo de Deus”.

A professora de missões, Durvalina Bezerra, ressaltou que o Pacto de Lausanne contribuiu muito para a caminhada da igreja. Ajudou a lidar com a tensão da Teologia de Libertação e a ler a Bíblia com seriedade. “[O Congresso de Lausanne] nos ensinou que precisamos ir literalmente ao texto bíblico, mas também precisamos levar a verdade bíblica ao contexto. O Evangelho é imutável, no entanto, precisamos trazer para o contexto sem perder a essência da verdade, mas contextualizar”.

Dois momentos ainda foram marcantes na noite de ontem. Um deles foi quando a missionária brasileira Zazá, que trabalha junto à Igreja Perseguida no Oriente Médio, lembrou os “cheiros” que o Pacto de Lausanne traz à sua memória. “Primeiro, o cheiro de querosene, porque foi à luz da lamparina que li pela primeira o Pacto. Depois o cheiro de jasmim, quando minha avó fazia coroas de flores e, mesmo com poucos recursos, ela sabia dividi-los. Por último, me vem o cheiro da comida do Egito. Quando cheguei no país, perguntei a uma criança onde era o hotel e ele pegou minha mão e me levou lá. Quais sejam os cheiros que Lausanne evoque em nossas memórias, que sejam cheiros que transformam”.

O segundo momento marcante foi o relato de Key Yuasa. Ele lembrou o dia em que a delegação brasileira no Terceiro Congresso de Lausanne na Cidade do Cabo (África do Sul) em 2010 pediu perdão ao povo africano pela escravidão a que ele foi submetido pelo nosso país. Key distribuiu cópias da carta lida aos líderes africanos.

>> Leia a carta

A noite foi encerrada com a oração do Pr. René, um dos líderes de uma rede de igrejas recém-iniciada no Equador.

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