RENAS debate lógica da desigualdade e desafios da igreja

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Nessa quinta à tarde (11), aconteceu no 9º Encontro RENAS, a plenária: “O Panorama das Desigualdades e os Desafios da Igreja”, bem como a exposição da realidade brasileira e a reflexão de como a Igreja reage a esta problemática.

Um dos preletores da plenária é Mário Pires, doutor em geografia e diretor do Observatório de Favelas (RJ). Segundo Pires, a desigualdade é um dos elementos mais centrais da sociedade, pois está na estrutura do país mesmo antes de ser Brasil.

Pires discorreu sobre as visões equivocadas a respeito das favelas. “O próprio IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) classifica as favelas como espaços em desconformidade dos padrões legais e de propriedade alheia”, explica que vem na contramão do trabalho do Observatório, que é enxergar a favela pelo que possui e suas potencialidades, e não pela sua ausência ou carência. Para ele, os trabalhos das igrejas estão ligados à concepção de caridade, na qual o sujeito dos projetos é analisado pela sua condição social e o espaço que ocupa na relação, muitas vezes de subordinação e dominado pelas instituições.

Pires coloca um dado importante da realidade brasileira: acontecem cerca de 50 mil assassinatos por ano no país, ou seja, números semelhantes aos resultados de guerras. “A cidadania deve ser exercida por ação e palavra. Não se dá para alguém, não é presente. A gente vive uma realidade brasileira chamada de cidadania tutelada e assistida, pois, reproduz a pobreza e não emancipa as pessoas.  Do ponto de vista da igualdade política e do protagonismo, não dá para pensar numa cidadania que não emancipe os sujeitos, que não entenda as pessoas como são, e que reconheça a diferença e a humanidade presente no outro”, afirma Pires, que completa o quanto é importante para os trabalhos sociais redimensionar o que entende-se enquanto sujeito, relações sociais, saberes e cidadania. “A equidade resgata a individualidade”, finaliza.

Ariovaldo Ramos e Mário Pires discutem qual a lógica que mantém a desigualdade. Foto: Francisco Avelardo.

Ariovaldo Ramos e Mário Pires discutem qual a lógica que mantém a desigualdade. Foto: Francisco Avelardo.

Já o pastor Ariovaldo Ramos, da Missão na Íntegra e presidente da ONG Visão Mundial, iniciou sua fala questionando os participantes se há alguma forma de quebrar o paradigma da superioridade ou da desigualdade. “A equidade cria um círculo virtuoso, porque na medida que eu concorde que eu quero que o outro tenha como eu tenho, isso vai me fazer refletir sobre o que eu tenho”, explica.

Ramos ainda incita os presentes a refletirem qual a lógica que está por de trás dos projetos e relacionamentos de cada um.  “Precisamos rever a nossa lógica. Como aqueles que atendemos nos veem, como parceiros ou benfeitores? Eles se sentem iguais a nós ou com sentimento de gratidão por nós?”, questiona e contextualiza com a passagem do milagre da multiplicação dos pães e peixes que Jesus realizou (Marcos 6).

Logo após a plenária, os participantes se reuniram em grupos e debateram a respeito do assunto.

– Por Carolina Chueire, jornalista e assessora de comunicação da REPAS (Rede Evangélica Paranaense de Ação Social).

>> Assista, na íntegra, à plenária “O Panorama das Desigualdades e os Desafios da Igreja”:

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