“Equidade é a implementação do amor”, afirma Jorge Barro

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Jorge Henrique Barro, doutor em Estudos Interculturais, professor, pastor e presidente da Fraternidade Teológica Latino-americana (FTL), foi o preletor da primeira plenária do 9º Encontro Renas, que começou ontem (dia 11) e termina amanhã (dia 13), em Curitiba (PR).

O tema do encontro é: Equidade: a justiça do Reino de Deus – Igreja em rede pela redução das desigualdades sociais e Barro ficou responsável por trazer as bases bíblicas da equidade.

Ele mesmo percebeu que não era uma tarefa muito fácil. Ao pesquisar o termo, identificou apenas 19 citações no Antigo Testamento e apenas duas no Novo. As traduções traziam palavras das mais diversas: justo, reto, amável, de direito, igualdade, equânime, equitativo.

Para fazer sua definição, Barro então se utiliza do amor, do serviço e da soberania de Deus.

Regras de ouro
Barro fala de duas “regras de ouro”. A primeira é encontrada em Mateus 22.35-50, em que alguém pergunta a Jesus qual é o maior mandamento? E Jesus responde que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo e completa: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.40, NVI).

Tudo o que Deus falou, sua vontade na Lei, sua voz através dos profetas, dependem de amar a Deus e ao próximo. Se desses dois dependem toda a Lei e os Profetas, quanto mais RENAS, cada organização, nós, como pessoas, nossas comunidades de fé? “O centro de uma vida justa e equânime é o serviço a Deus e ao próximo. É daí que o conceito de equidade nasce… Equidade é a implementação do amor”, afirma o pastor.

A segunda regra é “façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam”, registrada em Mateus 7.12 (NVI). Aqui não há dependência, mas esta é a própria Lei e os Profetas. Esta é uma regra de equidade, de tratamento equitativo e aqui, afirma Barro, Jesus determina a equidade em termos positivos e não negativos. Ele não fala “não façam”, ela diz “façam”!

Esta deve ser a regra a nos guiar para implementar o segundo mandamento: ame o seu próximo em seu dia-a-dia. Este texto é Jesus nos ensinando a viver de um modo correto e justo; a viver os últimos seis mandamentos em um ambiente de justiça, adotando o padrão de Cristo em nossos relacionamentos humanos.

Equidade, justiça e serviço
Vamos ver que justiça e equidade possuem algumas diferenças, ao mesmo tempo em que equidade tem tudo a ver com o amor ao próximo e serviço.

Em um paralelo com o livro de Provérbios, Barros cita Provérbios 1.3: “Para se instruir em sábio procedimento, justiça, juízo e equidade” (versão do preletor). Aqui Deus dá a sabedoria – “a verdadeira sabedoria”, enfatiza o preletor – para os retos. E o sábio “Então entenderá a retidão, a justiça, a equidade e todas as boas veredas” (Pv 2.9, versão do preletor)

Tudo que a segunda tábua do décalogo proíbe pode ser resumido em uma única proibição: não faça nenhum dano ao seu próximo. A justiça para a qual Deus nos chama abraça todos os deveres da equidade, que é a regra que quando praticada assegura que todos recebam justiça,  que nada mais é aquilo que já é deles. E o papel da equidade é nos guiar, dar-nos um guia formal, prático, para nos prevenir de fazer dano ao nosso próximo.

“Sem a concepção de igualdade conseguiremos combater a desigualdade?” Pergunta e responde Barro: “Não, uma igreja ou organização que trabalha em rede contra as desigualdades não vai conseguir combatê-la se não souber sobre a equidade”.

“Dentro de cada um há um guia para a justiça social do Reino. São estes que são amáveis, estes que são equitativos para com os outros.” A equidade é fundamentada no seu amor e no amor ao seu próximo, pois a justiça definida apenas em termos de deveres e direitos é insuficiente para assegurar os resultados equitativos.

A justiça – baseada na lei – não garante que ocorrerá justiça porque sempre existirão situações em que o legítimo direito gera injustiça para aquele que não tem direito. A pessoa equitativa se esforça para a justiça equitativa, isto é, ela quer ver todas as pessoas como o seu próximo. Infelizmente fracassamos em amar nosso próximo e pecamos quando tratamos outros com favoritismo.

Deus reina!
O Senhor reina! As nações tremem! O seu trono está sobre os querubins! Abala-se a terra! Grande é o Senhor em Sião; ele é exaltado acima de todas as nações! Seja louvado o teu grande e temível nome, que é santo. Rei poderoso, amigo da justiça! Estabeleceste a equidade e fizeste em Jacó o que é direito e justo. (Sl 99.1-4, NVI)

“Onde está Deus em nossas organizações?”, pergunta Barro. Às vezes ele não é Senhor lá, porque lá queremos garantir às pessoas o que é de direito e não o que é equânime! “O amor verdadeiro quer agradar a Deus. O amor verdadeiro não requer amor do outro”, afirma o pastor.

Equidade não é meramente fazer o que é certo e dar ao outro o que é “devido”. É relacionar-se com o próximo de forma temperada, com misericórdia e auto-sacrifício. Nenhuma instituição poderá ser equitativa sem misericórdia e autossacrifício!

“Nossa falta de equidade está baseada na nossa ignorância de toda a lei. Não sou apenas injusto, sou ignorante. Se eu conhecesse toda a lei e levasse toda a lei em consideração, eu seria menos injusto”, exorta o pastor que nos leva às palavras de Paulo: “Senhores, deem aos seus escravos o que é justo e direito” – tratem os seus escravos da mesma forma: sem favoritismo – “sabendo que vocês também têm um Senhor no céu.” (Cl 4.1, NVI)

Deus é sempre nosso modelo: “Não buscamos equidade porque somos equânimes, mas porque meu Deus é equânime e nos compete ser também”, afirma ele.

A plenária terminou com um momento de reflexão em grupo. Abaixo algumas perguntas para você refletir sozinho ou em grupo:

  1. Com base no Salmo 99.1-4 responda: qual a diferença entre equidade e justiça?
  2. Em Mateus 7.12 encontramos a afirmação comumente chamada de regra de ouro. Pense em algumas ações que, a partir dessa regra podem nos conduzir em direção à equidade.
  3. Qual a relação da regra de ouro com o Grande Mandamento registrado em Mateus 22.36-40 para a construção da equidade?

— Tábata Mori, jornalista, missionária, assessora de comunicação do Bola na Rede

>> Assista, na íntegra, à preleção de Jorge Henrique Barro:

Uma resposta para “Equidade é a implementação do amor”, afirma Jorge Barro

  1. […] Barro, para nos fazer refletir sobre bases bíblicas da equidade. Sua palestra pode ser assistida aqui. Mas também compartilhamos o material escrito do palestrante. Confira a seguir a introdução e […]

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