Os novos órfãos

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Na escala da opressão, em via de regra os textos bíblicos falam do estrangeiro, da viúva e do órfão. Há uma clara intenção de que esses grupos, que nesse contexto são aqueles que estão em situação de desvantagem, que precisam de uma maior proteção.

O órfão, na perspectiva bíblica, é aquele proporcionalmente que sofre com maior crueldade os males da injustiça, por isso, é notório que ele tenha uma atenção especial. De todos que tiveram o azar de estar abandonada a própria sorte, são esses que estão em maior situação de maior vulnerabilidade social. estão abandonados a própria. Isaías chega a nos dizer que o culto que Deus deseja é aquele que faz o bem, procura a Justiça, ajuda e oprimido, mas sem esquecer do órfão (Isaías 1.17). Qual tipo de religiosidade que não considere esses valores, se prostitui e macula a adoração ao Senhor.

Quando pensamos quem seria o órfão hoje, não podemos nos furtar de imaginar dos jovens, crianças e adolescentes que estão a margem por conta da falta de oportunidade de vida digna. Órfãos hoje não apenas aqueles que não tem pai e mãe, mas todos esses ainda em fase de desenvolvimento que não tem um sistema que os garanta viver em plenitude suas potencialidades.

Esse “novo órfão“ são os que mais sofrem com a violência brasileira, seja causada pela bala, pela imoral falta de investimento em políticas públicas específicas para o mundo juvenil ou pelo não cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente. Essa definição pode ser também dita para a juventude negro que padece um crescente genocídio que os aniquila.

Essa fase da vida, tratada ainda como uma época problemática do ser humano, retrata apenas que o problema maior é o mundo adulto que não zela por esses e acha que a solução é tão simplesmente encarceramento dos mesmos. Uma total inversão que denuncia o quão longe a equidade é um sonho e que não observa a sabedoria bíblica nos ensina: “Educa a criança no caminho em que deve andar, E ainda quando for velho, não se desviará dele“. Provérbios 22:6

No livro de Salmos, que registra preces, clamores e intercessões diante do Senhor, nos lembra que essa fase especial do mundo juvenil, deva ser cultivada com afinco e esculpida com esmero. ”Que os nossos filhos, na sua juventude, sejam como plantas em crescimento; que as nossas filhas sejam como colunas esculpidas de palácios”. (Salmos 144:12).

“Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão.” Deuteronômio 24.17

Nossa oração é:

Senhor Nosso,
Não nos deixe esquecer que o Teu Reino não permite que deixemos de lados aqueles que esse mundo mal os transformou em órfãos de direitos e oportunidades.
Que a nossa adoração seja antes de tudo uma voz que clama pela justiça. Reconhecemos, ó Deus, a nossa responsabilidade de fazer com que o Brasil seja mais justo e confessamos nossa culpa pelos jovens e adolescentes que são engolidos pela lógica perversa da violência.
Nos dê a sua graça para servir e amar. Faz-nos vencer o medo irracional que hoje reina entre nós e que nos impede de tocar nos intocáveis desse mundo.
Em Cristo, que por meio do Seu Sangue, Tu nos adotaste eternamente.
Amém.

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Caio César Sousa Marçal
Secretário de Mobilização da Rede FALE

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