Afinal, por onde começar?

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Os discursos vazios, que terminam dizendo que a igreja evangélica precisa fazer “alguma coisa” devem ser direcionados para fornecer informação ao povo evangélico sobre o que pode ser feito, com conteúdos concretos e ferramentas eficazes

[Por Gerhard Fuchs]

Talvez você já tenha pensado nisso, e tenha percebido que estamos numa época especial e inédita na história deste país e na história dos evangélicos no Brasil. Para ilustrar isso cito apenas quatro aspectos:

  • Vivemos uma época de transformação social nunca antes vista, e percebemos isto principalmente na ciência e tecnologia, na comunicação, no acesso às informações. Esta evolução está trazendo um profundo impacto na forma de nos comportamos como sociedade. Por exemplo, como procuramos informações, como vamos ao médico, como vivemos nossa fé, como nos comunicamos e relacionamos uns com os outros.
  • Pela primeira vez na história do Brasil, mais de 40 milhões de pessoas afirmam ser evangélicas.
  • Pela primeira vez na história, temos um grupo expressivo de evangélicos, universitários, esportistas, políticos, empresários, pensadores, artistas.
  • Pela primeira vez na história deste país, temos organizações como RENAS, como Aliança Evangélica, e várias outras organizações fortes com interesse de olhar para o país todo, e com alguma capacidade de articulação e organização para iniciar fazer frente ao desafio da transformação da sociedade segundo os padrões divinos.

Pensar a nação, a relação da sociedade com o Estado, qual Estado precisamos ou queremos, o que os outros pensam e querem. Tudo isso é novidade para muitos evangélicos. Significa pensar no impacto de um evangelho do reino de Deus em que a boa nova é que há um novo Rei, que vem com a missão de trazer vida abundante. Reino de Deus que, no entendimento de muitos, fica reduzido à Igreja, mas que é muito maior do que ela.

Os evangélicos continuam fragmentados e isto tira seu potencial e força. Mas graças a Deus algo está mudando, pois estamos criando unidade ao nos mobilizarmos em torno de propósitos comuns.

Nos últimos tempos Deus tem levantado alguns líderes e pensadores que sabem ouvir do Espirito Santo os propósitos que o Senhor Jesus tem para as nações. Jesus disse que devemos ensinar as pessoas a viver, ensinar os princípios divinos para a vida em abundância. No entanto, muitas vezes nem ao menos conhecemos profundamente o que a Bíblia diz sobre as diferentes áreas da vida humana, como saúde, educação, governo, leis, etc. A Bíblia contém ensinamentos preciosos, que começaram já antes da formação do povo de Israel, e muitos foram escritos quando este povo escravo saiu do Egito e não sabia como administrar uma nação.

Então, há cerca de oito anos, pela primeira vez na história, tivemos o privilégio de ouvir como pensar a sociedade sob o ponto de vista dos valores do reino de Deus.

Nesta época a Sepal/Brasil21 trouxe o Dr. Jun Vencer, então executivo da Aliança Evangélica Mundial, que ensinou sobre criar parâmetros para medir o nível de transformação de um país. Ensinou como fazer isto com cinco pontos: 1) influência cristã, 2) suficiência econômica, 3) paz social, 4) justiça pública, e 5) retidão nacional.

Logo depois, em 2005, foi a Rede de Cosmovisão e Transformação Integral, que trouxe um resgate dos ensinamentos de João Calvino, Abraham Kuyper e Hermann Dooyeweerd, ensinando que Jesus requisita para si o senhorio sobre todas as esferas da vida.

Ao mesmo tempo, a JOCUM começou a falar sobre as sete áreas de influência, citando: 1) família, 2) religião e igreja, 3) educação e escolas, 4) governo e política, 5) mídia e comunicações, 6) artes (incluindo entretenimento e esportes), e 7) Economia (negócios, comercio, ciência e tecnologia).

A partir de 2010 o Instituto Transforma trouxe para o Brasil excelentes pensadores como Landa Cope, Steven McDowell e Vishal Mangalvadi, que trabalham estes conceitos e analisam as várias áreas da vida, ampliando-as para 8, 17 ou 21, incluindo temas como: saúde, ação e justiça social, conduta pessoal, e segurança nacional. (Leia mais aqui).

Nesta época também surgiu a Aliança para Discipulado das Nações DNA, liderada por Bob Moffit e Darow Miller, unindo estudiosos e articuladores.

De todos estes ensinamentos temos um princípio comum: para entender o país, precisamos dividi-lo em áreas, assim como o poder executivo do governo o faz.

Mas não podemos parar neste ponto. Ainda nos falta intencionalidade, falta escrever uma plataforma de ideais que queremos defender para cada área, falta organização, mobilização, projetos, estrutura.

Para suprir esta demanda e entender a nação e como influenciá-la com os princípios cristãos, estamos construindo o projeto de incidência em políticas públicas, em que não olhamos apenas para o como ocupar espaços da democracia participativa, como os conselhos de direitos, mas também para pensar o país, avaliar o que está de acordo com a vontade de Deus e o que não está e a partir desta análise ser proativos, investindo tempo, recursos, e esforços para mudar o que precisa ser mudado e preservar o que não deve ser mudado. Enfim, devemos pensar numa transformação a longo prazo.

Os discursos vazios, que terminam dizendo que a igreja evangélica precisa fazer “alguma coisa” devem ser direcionados para fornecer informação ao povo evangélico sobre o que pode ser feito e como cada um pode se envolver, com conteúdos concretos, ferramentas eficazes que ajudam o povo evangélico a ser protagonista na transformação do país e a compreender exatamente o que deve e pode ser feito em cada situação.

Nos estudos iniciais estamos procurando exemplos concretos de ações que transformaram a nação brasileira. Buscamos casos objetivos de pessoas e organizações que se levantaram contra a injustiça e mobilizaram esforços para a transformação alcançando resultados concretos.

Além das ações descritas no livro de Atos, destacam-se dois exemplos de outros países, com Patrick, o “apóstolo da Irlanda”, e William Wilberforce na Inglaterra, cuja vida e atuação trouxeram valores cristãos para países inteiros. Olhando para o Brasil, ainda nos falta descobrir e divulgar casos bem sucedidos de transformação ampla, e exemplos de pessoas e organizações cuja missão e trabalho são transformar e discipular a nação.

Neste sentido buscamos uma objetividade que consegue responder claramente a quatro perguntas:

  1. Qual é, concretamente, o problema? Você o conhece bem ou pelo menos se dedicou a estudá-lo?
  2. Qual é a solução? O que precisa ser feito para resolver o problema?
  3. Qual é o plano de ação?
  4. Quanto vai custar?

Este alvo será alcançado na medida em que houver participação na construção do projeto, mobilização de recursos para viabilizar a incidência e vontade do povo de Deus de seguir o que Ele tem orientado.

A primeira participação de que precisamos é sua resposta à pesquisa que lançaremos nos próximos dias para os filiados da RENAS e da Aliança Evangélica, e que busca relacionar todas as possibilidades de incidência nas políticas públicas ligadas à ação social e que tem como objetivo ajudar a definir um ou mais focos e prioridades.

Qual o problema mais importante que devemos enfrentar? Tendo este foco, podemos construir um projeto de incidência em torno dele.

Se você também deseja dar sua opinião, escreva para gf@fcinvestimento.org

_________
Gerhard Fuchs é empresário e um dos coordenadores da RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social).

 

2 respostas para Afinal, por onde começar?

  1. ROSA BOMFIM disse:

    Ate pouco tempo meu questionamento era esse: A Igreja precisa fazer alguma coisa, mas eu sou a Igreja. E a resposta veio. Eu precisava buscar conhecimento, capacitação, envolvimento concreto, e não mais suposições. Então estive com o FEPAS, que me levou ao Encontro RENAS 2012 em Manaus. E agora o concreto existe. Estou engajada com a Articuladora do BOLA NA REDE DO RS-PORTO ALEGRE e sei que sera uma caminhada significativa para o crescimento do Reino de Deus. Dia 18 de Maio começamos oficialmente a MOBILIZAÇÃO com o MUTIRÃO DE ORAÇÃO pelas nossas crianças e Adolescentes em situação de vulnerabilidade. Estou muito feliz por efetivamente estar fazendo algo relevante. GRAÇA E PAZ.

  2. Roseli Cavalcanti dos Reis disse:

    Por onde começar??
    Bem, eu li a resposta de Rosa Bomfim, e isto foi há quase dois anos atrás. Estamos agora em 2015. Verdade é que somente hoje estou tomando conhecimento da Renas, infelizmente.
    Sou estudante de Serviço Social e, pesquisando para meu tema de TCC, acabei encontrando no Google.
    Por onde comecei?? Sendo missionária evangélica, senti o desejo de ser Assistente Social para alcançar a comunidade, não somente com o coração, mas com técnica e capacitação; precisamos enfim, nos aprimorar para servir no Reino.
    Estou amando o site e gostaria de parabenizar por estes textos de capacitação.
    É pena que nós evangélicos estamos caminhando para o social de uma maneira ainda muito lenta.

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