Os exemplos comprovam a afirmação

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Cerca de 1.650 pessoas participaram do 6º CBM (Congresso Brasileiro de Missões), de 10 a 14 de outubro, em Caldas Novas (GO). Na pauta, a necessidade da evangelização foi reafirmada, mas junto com ela uma vida coerente que inclui honestidade pessoal e compaixão pelo pobre e pelo planeta, movida por Cristo.

O cuidado integral do missionário foi um dos temas em destaque. Isso significa que é preciso encarar as demandas pessoais como parte da obra de Deus em nós, e a partir de nós. Pelo menos, seis livros sobre este assunto foram lançados no congresso.

Tércio dirige momento de oração pela justiça social

No segundo dia, o CBM reservou um momento específico de oração pela justiça social. Conduzimos pelo Pr. Tércio Freire, da RENAS, inspirados pela declaração missionária de Jesus em Lucas 4.18,19, e desafiados pelos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), oramos por problemas sociais como: pobreza, doenças, falta de igualdade e liberdade e comunidades oprimidas por sistemas políticos.

No mesmo dia, os participantes ouviram experiências efetivas de transformação social, como a ONG Monte Horebe, em Itaperuçu (PR), o trabalho com crianças em risco da JOCUM e a mobilização da RENAS. O diretor do Monte Horebe, Bebeto Araújo, afirmou que devemos fugir da ideia de que a pobreza é algo inevitável. “Cremos que podemos sinalizar concretamente o reino de Deus aqui na terra”, disse ele, referindo-se às transformações sociais e espirituais que este reino é capaz de realizar por meio dos cristãos.

Entre os corredores e uma diversidade de ênfases nos estandes era possível perceber, no entanto, que muitas ações missionárias incluem a área social. É o caso do trabalho da Junta de Missões Nacionais, da Convenção Batista Brasileira (CBB), que desenvolve um projeto para transformar as “cracolândias” em “cristolândias”, onde o dependente químico é acolhido, cuidado e restaurado. Outro caso é Ministério Desafio, de uma igreja independente, que trabalha com povos quilombolas do Nordeste, ajudando em ações de educação, esporte, lazer e ação social e apoiando missionários e pastores. Entre os muitos folders e folhetos que cada participante recebeu é possível ver que projetos de igrejas, organizações cristãs e escolas de missões consideram a área social como parte da sua pauta de trabalho (seja na intervenção direta, seja na capacitação de obreiros).

Ainda é cedo para afirmar que a dicotomia entre evangelização e ação social já não existe no meio missionário brasileiro. Ela, inclusive, ainda esteve presente em algumas falas e discursos na plenária do 6º CBM. Mas é possível ter certeza de que, na prática, a relevância das missões cristãs passa inevitavelmente pela proclamação verbal e pelos atos de misericórdia e justiça social. Mais que os discursos, os exemplos comprovam a afirmação.

Por Lissânder Dias

Uma resposta para Os exemplos comprovam a afirmação

  1. Elvimar Gonçalves Leite disse:

    Parabéns… não participei pessoalmente do 6º congresso, mas assiste via net . Fiquei impressionado com a fala de Marcos Amado em “Países Totalitarios” onde fez uma defesa contra a teologia do bem-estar-pessoal e, depois, afirmou que não podemos formar “obreiros mimados”. Fantástico!!!!

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