Como enfrentar a exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo

[ 1 ] Comentário
Débora Fahur (RENAS), Elisângela Machado (UnB) e Eva Cristina Dengler (Childhood)

A terceira plenária, ocorrida no segundo dia (16) do VI Encontro RENAS, tratou de um tema difícil e grave: a exploração sexual de crianças no setor do turismo. Participaram da mesa Elisângela Machado, coordenadora de projetos de turismo do Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (UnB) e Eva Cristina Dengler, Consultora da Childhood. Leia abaixo o resumo da plenária feito por Leonardo Felipe.

A partir de uma parceria da Universidade de Brasília (UnB) e do Ministério do Turismo se estabeleceu um combate à exploração sexual de crianças e do adolescente no turismo. Turismo sexual não é um conceito ou política promovida pelo governo e agentes do turismo. O termo certo é exploração sexual de crianças e de adolescentes no turismo. A criança não se prostitui, mas é explorada sexualmente. A partir da observação, por parte de agentes de atuação na área infantil e turística, sobre o grave problema da exploração sexual no turismo promovido por quadrilhas e organizações criminosas internacionais, foi promovido campanhas de conscientização contra esse crime.

Essas campanhas e as denúncias começaram a aumentar de forma significativa. Dos mais de cinco mil municípios brasileiros mais de dois mil têm atuação ou potencial turístico. Isso mostra que a gravidade do problema pode ser maior do que se espera se não forem feitas ações em toda essa universalidade de municípios o crime de exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo.

As soluções apresentadas são: fortalecer as campanhas de conscientização e promover a formação de multiplicadores que atuarão em comunidades, cidades, bairros, escolas, igrejas e outros locais próximos e dentro de regiões turísticas para que esses atores façam um trabalho mais especifico que as campanhas não conseguem fazer.

O principal foco das campanhas e dos multiplicadores é gerar nas pessoas envolvidas no turismo, a decisão de ser um agente denunciador desse crime. A ação de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo vem crescendo no âmbito do Governo Federal, entretanto nos níveis dos governos estaduais e municipais ainda é fraco e estagnado, na maior parte dos casos. Outra iniciativa que a UnB e o Ministério do Turismo buscaram, e vêm conseguindo bons resultados (principalmente por conta dos grandes eventos esportivos que serão realizados no país como Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas) é envolver as empresas e empresários do turismo para a erradicação desse crime contra crianças e adolescentes.

Nas rodovias
Durante a plenária foi apresentada a questão da exploração sexual de criança e adolescentes em rodovias e estradas por parte dos profissionais de estrada – caminhoneiros e motoristas de caminhão. A atividade é muito grande, pois o país utiliza como principal meio de transporte intermunicipal e interestadual e do escoamento da produção de bens as rodovias.

Essa cadeia de serviço produz uma enorme quantidade de profissionais (motoristas) que ficam longe de suas famílias e casas. A situação precária em que esses profissionais vivem, somada a condição de vulnerabilidade das crianças e adolescentes dos locais onde esses profissionais atuam, provoca um ambiente em todo o país muito favorável à prática desse crime. Com base nessa situação, o grupo começou a buscar soluções.

O trabalho começou a alcançar êxito a partir do momento que as empresas de transporte de carga rodoviário foram incluídas como parceiras nesse processo e combate. O combate é feito em campanhas de conscientização dos motoristas da gravidade do crime e envolvimento dos outros profissionais nessa cadeia de trabalho (como frentistas de postos de petróleo, funcionários de hotéis e motéis, funcionários de restaurantes e lanchonetes em estradas e outros) para serem agentes denunciadores desse crime.

No decorrer do trabalho foi observado e estabelecido um olhar mais humano e em defesa dos motoristas. Pois, não basta puni-los e ignorar a precariedade de sua atividade. Isso não vai mudar sua forma de pensar e agir perante a situação.

Bola na Rede
Ao final foi feita a apresentação do Programa/Projeto da RENAS Nacional de combate a exploração sexual de crianças e adolescentes denominada “Bola na Rede”. Essa ação será estabelecida em todas as cidades sedes da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Apresentou-se toda a ideia do projeto e suas ações práticas já executadas e em execução.

A escolha dessa frente de trabalho pela RENAS surgiu de forma gradativa e assumiu rapidamente um formato e tem tomado amplitude significativa em várias regiões e localidades. Enfrentar a exploração sexual de crianças e adolescentes é uma das ações que a RENAS pretende promover com intensidade e continuidade.

Texto: Leonardo Felipe
Foto: Alison Worrall

Uma resposta para Como enfrentar a exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo

  1. Patricia Lima disse:

    Moro na Tijuca e congrego na Primeira Igreja Batista do Grajaú, cidade do Rio de Janeiro/RJ
    Gostaria de participar da campanha mobilizando minha igreja e a partir dela, o meu bairro.
    Há uma forma de capacitação, que possamos fazer. Como podemos fazer parte dessa rede

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Current day month ye@r *