Desapropriação de terra fere missionário e gera protestos contra a polícia do Espírito Santo

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Na madrugada do dia 18 de maio, uma ação do Batalhão de Missões Especiais da Polícia Militar (BME) do Espírito Santo na desapropriação de um terreno da prefeitura de Aracruz (ES), no distrito de Barra do Riacho, deixou feridos e gerou muitos protestos.

Entre os feridos, estava o membro da Rede Fale e missionário da Avalanche Missões Urbanas, Eric “Peruca” Rodrigues. “Os policiais, armados com fuzis e submetralhadoras, ameaçaram matar o Gustavo, que é um companheiro nosso do (Valentes Noturnos e da Rede Fale ES). Me pegaram com mais dois amigos e fomos duramente esculachados (nunca ouvi tanto palavrão na minha vida). Por sorte fomos liberados. em num momento, mesmo de joelhos e de mãos para cima, descarregaram bala de borracha em mim. Saí correndo e pulei pra dentro de um barraco por sorte só uma bala me atingiu. Em toda minha vida nunca vi tamanha truculência contra pessoas pobres”, conta Eric.

Segundo relato de Gustavo de Biase, líder dos Valentes Noturnos (grupo missionário que faz trabalho humanitário/evangelístico para pessoas carentes), “não houve diálogo. Não deram a possibilidade aos moradores de retirarem seus imóveis. Conversei com vários moradores (das primeiras casas destruídas) que disseram ter perdido tudo (documento, dinheiro, móveis), pois a PM não os deixou entrar em casa para retirar nada. Ficamos com escopetas apontadas para nossas cabeças durante uns ‘eternos’ 20 ou 30 minutos. Segundo os policiais, somos ‘vagabundos que defendem mendigos invasores’. Presenciei policiais chutando o rosto de adolescentes que caiam no meio da correria, numa cena digna de tortura de filme policial”.

Na ocasião, 400 homens do BME da Polícia Militar usaram a força para retirar cerca de 330 famílias ocupantes de um terreno da prefeitura de Aracruz. Bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha foram usadas contra a população. O presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Gilmar Ferreira de Oliveira, esteve no local e também foi recebido com bombas de efeito moral.

"Há um manual com procedimentos para esse tipo de ação que não foi cumprido. Eles poderiam ter solicitado a nossa intervenção junto àquelas famílias para evitar que a polícia fizesse a desapropriação. Além disso, caso as negociações não avançassem, nós poderíamos ter acompanhado o processo de reintegração para tentar evitar o conflito", afirma Gilmar.

"As decisões judiciais têm que ser cumpridas, no entanto, é inaceitável que num Estado Democrático o BME continue a disparar tiros de borracha contra representantes da sociedade civil, como é o presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos. A Ordem se solidariza com o presidente do Conselho e sabe que o governador Renato Casagrande, fiel a sua trajetória, não permitirá que o cumprimento da Lei desborde em atos de violência", afirmou Homero Mafra, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES).

O mais triste resultado foi a morte de Santa Maria da Silva Peçanha, a dona Santa, de 47 anos. Ela morreu logo após o confronto com a polícia. Dona Santa tinha pressão alta, e segundo testemunhas, pediu para pegar o remédio em casa e a polícia não permitiu. Teve um AVC, foi internada e acabou morrendo na UTI.

Está marcado para o dia 31 de maio, das 9 às 12 horas, um Ato em Defesa dos Direitos Humanos no Espírito Santo. Os manifestantes querem denunciar os problemas de desrespeito e violência da Polícia Militar e cobrar do Governo Estadual a ação no caso das famílias desabrigadas em Aracruz.

Vídeo:
Assista aqui a matéria da Folha Vitória sobre o momento em que a confronto aconteceu: http://www.folhavitoria.com.br/videos/2011/05/tumulto-1.html

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