Mobilizando a igreja local para transformações sociais

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Sérgio Lyra

Nos últimos 50 anos de história evangélica brasileira, parece ter havido uma forte polarização entre igrejas que se envolvem e desenvolvem projetos sociais e igrejas que projetam e implementam estratégias de evangelização. Por algumas décadas prevaleceram as propostas evangelísticas, em particular as campanhas de evangelização em massa e localmente, as cruzadas e eventos evangelísticos (termo que julgo o mais impróprio possível). É notório que o congresso de Lausanne em 1974 trouxe um novo marco de ação, principalmente no que diz respeito a responsabilidade social da igreja. A partir de então, nitidamente pode-se notar uma mudança nos pratos da balança, refletindo mais peso nas ações sociais da igreja. Entretanto, o que me chama a atenção é que tal a tendência não foi a iniciativa de igrejas locais, mas a proeminência e o surgimento de agência para-eclesiásticas que passaram a ter o apoio da igrejas nos seus projetos sociais. Não desejo fazer a proposta de inadequabilidade missionária das agências para-eclesiáticas, entretanto, biblicamente falando, a missão é da igreja, e por hipótese alguma poderá ser terceirizada. Para dirimir dúvidas e melhor compreendermos a base teológica que deve fundamentar qualquer proposta missionária sadia, precisamos nos voltar sempre para as Sagradas Escrituras e a partir delas extrairmos a motivação, a sustentação e delimitação de nossas ações. Considerando ainda a questão da igreja local como comunidade a ser mobilizada, muitas vertentes e afluentes precisariam ser analisados. Na minha reflexão, não me deterei nos aspectos denominacionais, nem nos sistemas de governo eclesiásticos que atuam missionariamente. Opto por trilhar na proposta de igreja local mais inclusiva, ou seja, uma comunidade de crentes em Jesus que se reúnem regularmente e buscam ser fiéis praticantes das verdades reveladas nas Escrituras.

1. Polarizações da dicotomia missionária
Ao longo da história, posições extremadas e afastadas das bases bíblicas colocaram as ações missionárias da igreja em situações conflitantes. Para uns, planejar e fazer ação social era desprezar os valores eternos e praticar o evangelho social, o qual valoriza o material, as soluções para a miserabilidade, o investimento na dignidade e no ser humano como pessoa. Para outros, pensar só na salvação da alma seria descaracterizar o ser humano e criar uma capa esclerosada contra a desgraça e sofrimentos alheios, prometendo um céu sem olhar para a terra. Essa polarização gerou conceitos errados que ainda perduram na mente de muitos cristãos modernos e que precisam urgentemente de transformação.

Conceito equivocado de missão (Missio Dei)
Logo de início, devemos sempre entender que a missão é de Deus. Ele é o Senhor soberano das missões. Ele enviou seu Filho como missionário. Ele chamou, capacitou e enviou seus servos e servas para a missão e ainda age da mesma forma. E mais, sendo a missão de Deus, os moldes missionários são estabelecidos por Ele. Daí porque Jesus ter afirmado “Assim como o Pai me enviou ao mundo, eu envio vocês.” (João 17.18). Isto nos faz voltar para as verdades reveladas na Bíblia, para delas pautar toda e qualquer ação missionária, pois o que a igreja fizer, precisa ser a missão que Deus quer realizar através dela.

Conceito equivocado de missionário
Estranhamente, caso um pastor em culto de domingo, solicite que os missionários presentes se levantem, apenas alguns poucos membros da igreja o farão. Por que exclusão? Ao logo do tempo, talvez como conseqüência do grande esforço missionário transcultural realizado no século XIX, o conceito de missionário passou a ser apenas pessoas chamadas para pregar o evangelho em lugares distantes. Tal equívoco, de imediato, exclui toda a membresia da igreja e deixa de fora da missão todas as ações sociais. O resultado foi desastroso. Atualmente o conceito de missões é praticamente “dar dinheiro para missões”, viabilizar alguém ir pregar, enquanto a grande maioria fica inerte. Se uma igreja se considera missionária, geralmente ela apresenta uma lista de pessoas enviadas, com as quais contribui um pouco no sustento. E os membros da igreja local? O que são eles? Se a igreja de Jesus é uma igreja enviada ao mundo com uma missão dada por Deus e, portanto de natureza missionária, pode alguém alegar ser membro desta comunidade e não ser missionário? O livro de Atos responde com um estrondoso: não pode! A ação missionária é responsabilidade de todos e “tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8 – grifo meu).

Evangelização desassociada das boas obras e vice-versa
Se o ministério de Jesus nos é dado como o modelo missionário a ser duplicado, então podemos afirmar com muita tranqüilidade que evangelização e ação social são como duas irmãs siamesas com um só coração. A princípio, pode parecer uma anomalia, todavia, a anomalia é separar as duas ações. Para mim, falar de missão integral na igreja local e mobilizá-la para tal, implica em conduzir a membresia dessa igreja a praticar o anúncio da mensagem salvadora de Jesus, par e passo que se pratica a ação social. Destaco que a ação social é ampla e não deve ser vista apenas como intervenções efetivas em favor dos pobres. Entendendo o mandato social dado por Deus ao ser humano, e em particular ao seu povo, a igreja deve abraçar áreas como ecologia, leis justas, liberdades individuais. Estes aspectos podem e devem constar nos projetos eclesiásticos. Assim, ao viver peregrinamente no mundo, a membresia da igreja, de acordo com a sua vocação, trás consigo o bom aroma de Cristo (II Co 2.15) e perfuma o mundo com este bom perfume. Costumo dizer que nas ações sociais, a igreja de Jesus deve ser como uma vitrine desejável, uma espécie de show-room antecipando o reino de Deus.

2. Três causas da inércia social eclesiástica
Sou consciente que reduzir para apenas três, as causas da inércia de ações sociais efetivas por parte das igrejas locais, é apenas o resultado de elencar as que considero mais críticas.

Alienação das misérias
Há uma frase popular que reflete o que eu quero identificar: “O que os olhos não vêem, o coração não sente.” Quanto mais uma igreja se mantém alheia das realidades de miséria em sua volta, mais ensimesmada ela terá as suas ações. Destaco a pergunta se realmente desejamos “o incômodo” de pessoas carentes ou marginalizadas, freqüentando as nossas igrejas. Somos fortemente movidos pelas intervenções emergenciais, pelas invasões evangelísticas e pelas ações pontuais que podem até aliviar, mas não resolvem. O que mais me espanta, é que, via de regra, a iniciativa social primeira não é da igreja, mas da “não igreja”. A igreja se move com a multidão que já está em movimento. Um missionário canadense questionou a ação de muitos cristãos ao darem esmola, indagando se não seria pagar para tirar da frente, uma realidade com a qual não se deseja se envolver. Enquanto uma igreja local não se deixar se mover, comover e chorar pelas misérias ao delas se aproximar, a alienação a tornará uma comunidade missionariamente inerte.

Descaracterização da misericórdia
Uma situação sócio-econômica confortável em uma igreja local é também uma tentação para fazer adoecer a prática da misericórdia. A proposta materialista do ter não possui limites, e cada vez mais está ditando o que as pessoas devem fazer para ter. As propostas atuais não fazem ninguém parar para “contar as bênçãos da divina mão”, ou “estar satisfeito com que tem”. A busca pelo ter faz enfermar a prática da misericórdia, pois quem tem olhos, tempo e projetos voltados para si mesmo, jamais poderá dedicar tempo e recursos para o outro. Ressalto que pela própria natureza da misericórdia, a ação precisa partir do coração para o outro, e dar o que não é merecido. Igreja que não se preocupa com a pobreza, com as injustiças, com as desigualdades e não se dispõe a compartilhar bênçãos, já começou a subir a escadaria maldita do egocentrismo eclesiástico. Defendo a posição de que quanto mais rica for uma igreja local, maior é sua responsabilidade social.

Terceirização da Missão
Eis aqui um assunto delicado, mas que não pode passar desapercebido das nossas reflexões. Se a proposta divina para executar sua missão é através da igreja, a sua agência missionária, então está se cometendo um grave erro bíblico e estratégico nesta execução. A bem da verdade, não podemos fechar os olhos ao precioso trabalho que é prestado pelas várias agências missionárias para-eclesiásticas, tanto na evangelização como na ação social. Todavia, em hipótese alguma, os resultados são as bases para as nossas fundamentações doutrinárias e teológicas. A bíblia afirma categoricamente que a agência missionária de Deus é a igreja, não uma denominação ou uma organização. Ao referir-me a igreja, restrinjo-me ao povo de Deus que sob a orientação e governo de Cristo e do Santo Espírito, reúne-se local e regularmente para adorar, ensinar e praticar tudo o que Jesus ensinou e, enquanto vive neste mundo, anuncia o evangelho de Cristo e implanta os valores do Reino de Deus onde está inserida. A inércia da participação social da igreja local se deu quando se decidiu abraçar o repasse ou terceirização da ação missionária. Em nome de parcerias, a inversão aconteceu e ainda acontece amplamente. Ao invés da igreja local ser o agente da ação, a comunidade que “põe a mão na massa”, ela se torna mais uma viabilizadora da ação exercida pela para-igreja, se podemos assim chamar, pois de fato não é igreja, mas faz ação de igreja. Já sabedores que a missão que Deus deu a Jesus foi integralmente transferida para o seu povo santo e missionário (I Pe 2.9-10; Ef 2.8-9; Jo 20.21-23), então, a missão é da igreja e isto precisa ser restaurado localmente. Todavia, acredito que as agências para-eclesiáticas podem servir de suporte, apoio e parceiras das igrejas, mas nunca substituir a igreja.

3. Propostas mobilizadoras de transformação
É esperado do povo de Deus a decisão por uma mudança, quando este se deparar com uma postura que não reflita o ideal divino. Ora, se as igrejas locais devem romper as barreiras e se moverem em direção da não-igreja com atos e palavras, então uma nova reforma deve impactar nossas comunidades. Mobilizar a igreja significa trazê-la novamente para sua posição de comunidade-de-servos-com-uma-toalha, que tem como missão ser instrumento do amor de Deus para todas as pessoas e as pessoas como um todo, anunciando todo evangelho e estendendo as mãos para praticar toda boa obra.

Modelo de mudança a partir de liderança referencial
Acredito que o primeiro passo a ser dado precisa partir da liderança da igreja local. Inicialmente a ação da liderança deve ser fazer para ser modelo e depois migrar para capacitar a igreja para fazer. Confesso que o despertar para a ação integral na comunidade que eu pastoreio, não partiu de mim mesmo e sim da esposa de um dos presbíteros, a qual decidiu se aproximar de uma comunidade que vivia da catação do lixo na cidade de Olinda-PE. Tenho também que reconhecer que um processo de mobilização de uma igreja não ganha vulto da noite para o dia, mas age como cloro concentrado colocado na água de uma piscina. Mesmo que a água esteja parada, o seu conteúdo é progressiva e inteiramente afetado. Quando a liderança da igreja local abraça a proposta da missão integral, e isto significa compreender e praticar, um sistema de estímulo, referência e contágio se instala na igreja. Afirmo que quando se deseja que toda a igreja se envolva e pratique uma determinada ação, toda a liderança precisa primeiro dar o exemplo e ensinar a fazer.

Abraçar a missão como estilo de vida da igreja
Nas últimas décadas, a realização de eventos missionários tem suplantado em muito as ações missionárias continuadas. Isto provoca uma sazonalização inaceitável, pois tanto a pregação do evangelho quanto a prática das obras passam a ter épocas de serem praticadas. O exemplo que os cristãos de Jerusalém nos deram, ao serem expulsos de sua cidade (At 8.1-3), faz uma imensa diferença entre agir por eventos e agir como estilo de vida. Observe que eles, mesmo perdendo quase todos os meios de estabilidade de vida, “… iam por toda parte pregando a palavra.” (At 8.3). Emblemático é o relato do que acontecia na igreja de Jope, em particular através das ações da irmã Docas, “notável pelas boas obras e esmolas que fazia” (At 9.36). Fica muitíssimo evidente que aquela irmã tinha as boas obras como estilo de vida. Questiono: será que a proposta de vida que o mundo nos propõe, permite espaço para praticar boas obras como estilo de vida? O cristão do século XXI tem tempo para isto ou só lhe sobra tempo para agir esporadicamente em eventos de curta duração? A mobilização para uma mudança nesta área pode levar anos e até uma geração, entretanto isto n&atild
;o significa que ela não é urgente e importante. Uma palavra a mais. A realização de eventos pela igreja local com propostas missionárias não é um erro, mas se este é o estilo missionário da igreja, então uma doença paralisante se instalou no sistema missionário e progressivamente afetará o todo.

Reconhecimento e aproximação da realidade local pela membresia
Quanto mais os membros da igreja local tiverem experiências de aproximação com a realidade de sua comunidade ou público alvo, mais haverá um despertamento para ações de transformação por parte da igreja. Reconheço que entre o interesse de fazer algo em prol de uma necessidade e a efetiva ação transformadora há um caminho a ser percorrido. Destaco aqui a decisão tomada pelo samaritano na parábola contada pelo Senhor Jesus (Lc 10.30-34). Enquanto alguém não decidiu se aproximar da pessoa carente, nada foi feito em prol dela. É a igreja local que decide de quem ela irá se aproximar e até onde fará ações em prol da necessidade identificada.

Planejamento de ações com participação coletiva
Quando atendi o apela da irmã para visitar famílias no lixão de Olinda, confesso que fiquei literalmente chocado. Minha mente se encheu de perguntas teológicas, sociais, políticas e até existências. Aquela realidade exigia respostas, ações para ontem e eu perguntava por que tanta inércia governamental? (somos sempre tentados a colocar a responsabilidade nos outros). Em muito pouco tempo percebi que minha formação era inadequada para elaborar ações efetivas, eu não sabia o que fazer! Graças a Deus que na igreja, apenas alguns são pastores. Expus a realidade para cinco membros: um diácono, uma senhora que trabalhava no terceiro setor, uma assistente social, uma pedagoga e um economista. Eles foram contagiados e o resultado foi um projeto chamado ProclamAção (www.proclamacao.com) que produziu envolvimento dos membros em ações emergenciais e também na criação do Centro Cristão de Apoio a Família-CCAF. Tal ação espalhou-se pela igreja e uma santa epidemia aconteceu, levando muitos a assumirem a proposta. Atualmente, o CCAF conta com o apoio logístico, financeiro e pessoal da igreja local e interage com cerca de 200 crianças e mais de 130 famílias com educação, iniciação profissional, melhoria na geração de renda e evangelização.

Ensino da igreja sobre a doutrina bíblica da ação social
Motivar a mobilização da igreja apenas pela necessidade, tornaria a igreja cristã equivalente as ações de muitas ONGs. O apóstolo Paulo advertiu os crentes de Corinto a não contribuírem por necessidade (II Co 2.9). O mesmo princípio se aplica na tarefa de mobilizar uma igreja para a ação social transformadora. A mola mestra de todas as nossas ações deve ser a glória de Deus (I Co 10.31), entretanto, somos sabedores que irmãos e irmãs com o dom de misericórdia possuem olhos especiais. O que fazer? Até onde e quem vai fazer? Como vai se fazer?A igreja precisa ser ensinada sobre as verdades que fundamentam as nossas ações missionárias. O membro que estende sua mão para ajudar deve ser reconhecido como missionário (embora isto não o isente da responsabilidade de testemunhar verbalmente de Jesus). A igreja precisa saber que ela é a expressão viva do amor de Deus. Permita-me compartilhar algo que aconteceu em minha igreja. Certa senhora da igreja decidiu participar do grupo de visitação aos barracos no morro do cuzcuz-Olinda, onde a situação era hiper-precária, quase que inimaginável. Ao chegar a um dos casebres, ela disse a senhora que apareceu: “Vim aqui para lhe dizer que Deus ama você.” De pronto a moradora respondeu: “Se Deus me ama, por que eu estou nesta desgraça de vida?”, e passou a relatar todas as suas mazelas. A irmãzinha entrou em crise doutrinária e emocional, não disse nada para aquela senhora, sentiu-se envergonhada pela visita, inútil e terminou no meu escritório, chorando muito. Percebi que eu não havia ensinado a igreja acerca da amplitude da sua missão, nem a grandeza de quem ela representa. Assim, resolvi começar ensinando a base doutrinária ali mesmo. Ocorreu, então, o seguinte diálogo:

Quanto você ganha para fazer este trabalho de visitação? Perguntei.
– Nada
O que fez você ir até o morro do cuzcuz?
– Eu queria ajudar aquelas pessoas.
Então você é a resposta a pergunta daquela senhora miserável.
-Como assim?

Enquanto o cristão não se vê como o canal do amor e da graça de Deus, ele irá transferir o valor do missionário para a obra missionária. Mostrei a minha irmã e a igreja que cada servo e serva de Deus é a manifestação viva do amor. A irmã voltou ao barraco da senhora carente, se apresentou como enviada por Deus para demonstrar que Deus também a amava. O resultado? O início de uma ação transformadora efetiva.

Capacitar, liberar e apoiar ações da igreja.
Resolvi incluir esta recomendação porque a liderança da igreja local é sempre tentada a manter o controle das ações com rédeas curtas. É certo que liberar sem capacitar significa expor a comunidade ao empirismo, e isto pode custar muito caro. Cabe aos pastores e mestres da igreja ensinarem sua comunidade acerca da missão integral, mas não apenas isto, é preciso praticar as quatro máximas da prática do discipulado: (1) Eu faço você observa; (2) Eu faço você ajuda; (3) Você faz eu ajudo; (4) Você faz eu observo. Igreja treinada e liberada com apoio para servir missionariamente produz ações surpreendentes. Lembra do grupo que visitava os barracos no morro do cuzcuz? Eles mobilizaram outros membros, reformaram mais de dez barracos enquanto a prefeitura não providenciava a relocação das famílias. Sem que a idéia partisse da liderança pastoral, um grupo de jovens foi levado a reformar o barraco de uma família que passou a freqüentar a igreja. As esposas dos presbíteros e pastores se reuniram e criaram a REDE DE AUXíLIO, com o propósito de suprir necessidades dos projetos sociais. Um grupo de jovem formou um ministério chamado Káris, e por um ano inteiro dedicaram todos os sábados para proporcionar escolinha de esportes para crianças de escolas públicas da cidade de João Alfredo-PE, onde a igreja tem trabalho missionário. Um empresário da Igreja resolveu doar 20% dos seus lucros para obras sociais sob a supervisão da igreja.

A igreja de Jesus em si mesma tem todos os requisito para marcar o seu contexto de forma relevante e eterna. Não por causa das pessoas que a compõe, mas por causa daquele que é o seu Deus. Nada nem ninguém poderá impedir que a missão de Deus chegue ao seu objetivo. Assim, a igreja como agente desta missão tem consigo o aval, a unção, o poder e a autoridade do próprio Deus para cumprir o que lhe foi comissionado. O reino de trevas pode tentar impedir fechando porta, mas as chaves do Reino de Deus foram dadas a igreja (Mt 16.18-19). Satanás pode investir com astutas armadilhas, mas o poder de Deus e toda armadura de proteção e estabilidade está com o Seu povo (Ef 6.10-13).

Mobilizar uma igreja para agir através de ações transformadoras é chamá-la para praticar a sua missão. A igreja existe neste mundo para isso, e enquanto este mundo existir essa será a sua missão.


Sérgio Paulo R. Lyra, doutor em ministério e mestre em missiologia urbana. Pastor presbiteriano desde 1980, professor de vários seminários; Membro do Cons. Gestor do Centro Cristão de Apoio a Família; Coordenador do Projeto Repartir e do Consórcio Presbiteriano para Ações Missionárias no Interior de Pernambuco.

Nota:
Este artigo foi baseado na preleção de Sérgio Lyra durante no V Encontro Nacional da RENAS, em Recife (PE), de 12 a 14 de agosto de 2010.

2 respostas para Mobilizando a igreja local para transformações sociais

  1. Pr. Daniel Felipe Sobral disse:

    Esta Site está muito bom mande mais informações.

  2. VALDO RODRIGUES disse:

    Compreendo na prática o assunto abordado, após passar por diversas denominações com um projeto social debaixo do braço, sem obter resultados positivos, durante 7 anos, até porque fazia parte do plano de Deus me moldar, capacitar, ampliar a visão, deixar a religiosidade, etc…
    Em 2006, cheguei a uma nova denominação e conheci uma comunidade estabelecida numa ocupação irregular, na mesma uma missionária já havia iniciado um trabalho num terreno cedido, mas precisou deixar o projeto, por motivos particulares.
    Neste local, começamos com um trabalho aos sábados, no período da tarde, com crianças, inicialmente 30 crianças, com passar do tempo chegamos a ter 90 crianças. Apresentamos o projeto para um diretor de uma escola local, que abriu as portas da escola, onde passamos atender as crianças, adolescentes, jovens e os pais, isto é, toda a comunidade podia participar.
    As crianças participavam do Projeto Semente, ja os jovens e adultos participavam de palestras e cursos de capacitação profissional, com esta ação ganhamos um premio do Ministério da Cultura.
    Regularizamos o projeto por meio de uma fundação, onde passamos a atender crianças e adolescentes no contra turno escola, mas não deixamos o projeto original, onde novamente em 2010 recebemos um outro premio do Ministério da Cultura.
    Abrimos núcleo de cursinhos pré vestibulares para pessoas carentes e afrodescendentes, participei de diversos conselhos municipais de direitos e de controle social, fui conselheiro tutelar, voluntários em escolas, casas de recuperação, Fundação Casa.
    Em 2012, fui eleito vereador, com forte atuação na area social e no fortalecimento dos conselhos e da participação popular.
    Procuro incentivar outras igrejas e irmãos a ampliarem sua visão e tenho visto como Deus é maravilhoso e que é Ele quem promove tudo isto, basta apenas estarmos atentos à sua voz.

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