Papel de plástico: do lixo ao livro

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Tendo como matéria-prima o plástico descartado após-consumo, uma variedade de papel sintético foi desenvolvida na Universidade Federal de São Carlos – UFSCar e testada em uma planta piloto da empresa Vitopel, que fabrica filmes flexíveis em Votorantim, SP.

Fabricado a partir de garrafas de água, potes plásticos de alimentos e embalagens de material de limpeza, o novo material produzido em forma de filmes pode ser empregado em rótulos de garrafas, outdoors, tabuleiros de jogos, etiquetas, livros escolares e até cédulas de dinheiro.

Segundo a professora Sati Manrich, do Departamento de Engenharia de Materiais da UFSCar, o novo papel é indicado para aplicações que necessitam de propriedades como barreira à umidade e água, além de ser bastante resistente".

Coordenadora do projeto, Sati Manrich afirma que existem várias patentes e produtos comercializados com matéria-prima virgem, mas não foi encontrada nenhuma patente de papel sintético feito a partir de material plástico reciclado.

Nas pesquisas, foram usadas diferentes composições e misturas de plásticos da classe das poliolefinas, e o aspecto final é o mesmo do produto obtido a partir da resina virgem, com a vantagem de aproveitar o material que iria para o aterro sanitário ou lixões.

Segundo os pesquisadores, são necessários 850 quilos de plástico reciclado para a produção de 1000 quilos de papel sintético. A cada tonelada produzida, pelo menos 30 árvores deixam de ser cortadas. Por outro lado, esse processo industrial consome menos água e menos energia do que o do papel tradicional. O plástico é triturado e misturado a uma série de substâncias, passando a uma máquina, onde é submetido a altas temperaturas.

Em breve, os setores da indústria gráfica e de embalagem poderão contar com a inovação. O produto utiliza a tecnologia dos filmes de polipropileno biorientado – BOPP. O resultado é um material resistente, com aspecto diferenciado, similar ao do papel "couché". Se o papel de origem plástica for utilizado na confecção de livros escolares, estes terão uma vida útil maior.

Pesquisa e desenvolvimento
O projeto, que levou cerca de três anos para ser desenvolvido, resulta dos esforços da Vitopel e do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (DEMa – UFSCar). Maior companhia latino-americana, e terceira no mundo, na produção de filmes flexíveis, a Vitopel aprimorou as formulações originais e agregou a tecnologia para o desenvolvimento de filmes multicamadas, com tratamento que oferece ao produto final características como uma espessura mais fina, e ao mesmo tempo mais resistente, capaz de proporcionar barreiras à umidade, odores etc. A parceria conta ainda com aporte da FAPESP.

A empresa investe anualmente cerca de US$ 2 milhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e detém outras patentes de produtos criados para diversos mercados, como o de embalagem, informa o presidente da Vitopel, José Ricardo Roriz Coelho. A companhia produz anualmente 150 mil toneladas de filmes flexíveis de BOPP e prevê investimentos de US$ 55 milhões até 2010 na ampliação da produção.


Reproduzido com a autorização do jornal O Lutador.

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