Entre ruídos, sons e ecos

[ 1 ] Comentário

A diferença entre o pingar de uma torneira e as notas de uma canção está na intencionalidade. Enquanto a irritante gota que cai repetidamente existe como consequência de um descuido ou de uma falta de reparo, as notas musicais são fruto de um ato intencional que junta sons isolados, pausas e ritmo, e os transforma em harmonia, ouvida e repetida. O resultado é beleza e arte.

Da mesma forma, temos ruídos e ecos. Os ruídos surgem a partir do acaso e não têm compromisso algum com os ouvidos dos outros. Já os ecos são frutos de vozes fortes o suficiente para multiplicarem-se em um ambiente disposto a aceitá-las.

Quando trabalhamos em rede, precisamos muito dos ecos; não dos ruídos. O ruído só confunde; o eco fortalece. Ao unir pessoas ou organizações dispostas a trabalhar juntas, emitimos sons; e estes geram ecos, vozes e mais vozes, criando uma verdadeira cadeia de sons propositais que tocam a existência. Cada voz pode ser um ponto de conciliação entre uma pergunta e uma resposta, uma necessidade e um serviço, um problema e uma ideia, uma virtude e outra virtude. Ou simplesmente pode ser a gratidão a uma atitude, uma preocupação genuína com a demanda ou a dor comunicada, o reconhecimento ao trabalho do outro, ou ainda o compartilhar em oração. O caminho assim construído é quase infinito e resulta em transformação. Apresenta-se também como um caminho alternativo ao que acontece no ambiente que nos cerca, inclusive, eclesiástico: espaços de muitos sons e poucos ecos.

A nossa bandeira é Jesus Cristo e seu reino. Cremos nos ecos potencializados pelo Espírito Santo e ouvidos por cada um de nós, e por todos nós. A sustentabilidade de RENAS está na habilidade de gerarmos sons e ecos de justiça e amor, e na sensibilidade de ouvirmos os sons e os ecos de quem está próximo de nós. Por isso, todas as ações da RENAS dependem de ecos. Ou seja, vozes que retransmitem outras vozes.

O som não sai de um único lugar nem vai para um único ponto. Ele é recebido, provoca mudanças e depois retransmitido, e já não é mais como o original. A este se acrescentaram experiências, histórias de vida, diferenças. E volta à sua fonte agora como eco, e mais uma vez é processado, retransmitido e compreendido. Sons e ecos tornam-se espaços de intercessão, onde somos edificados.

Não queremos simplesmente "sinos ressoando ou pratos retinindo" (1 Co 13.1), mas sim vozes fortes guiadas pelo amor de Deus.


Lissânder Dias e Klênia Fassoni
(GT de Comunicação da RENAS)

Uma resposta para Entre ruídos, sons e ecos

  1. sabrina disse:

    explica muito bem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *