Devocional II – Pr. Neil – Igreja Batista Betânia/RJ

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A base de RENAS e, em consequência disso, do IV Encontro da rede é a teologia da missão integral. O evangelho do reino, em sua proclamação, diz que a restauração trazida por Jesus atinge o ser humano em sua totalidade, o que abrange a restauração dos relacionamentos do homem com Deus, com o outro ser humano e com os ambientes, natural e social, onde a humanidade vive. Esta verdade bíblica do evangelho de Cristo deve inspirar a nossa vida em todos os âmbitos e promover mudanças no nosso meio, por meio de sua divulgação falada e vivida.

Apesar dessa verdade, o pastor Neil, da Igreja Batista Betânia do Rio de Janeiro, responsável pela parte devocional do terceiro e último dia do Encontro de RENAS, apresenta que a realidade de hoje é marcada pela divulgação de lixos e mentiras. Nunca houve tanta produção de pensamentos corrompidos, e é triste a constatação de que são esses pensamentos que ficam guardados na mente das pessoas.

Além desse problema, é possível observar que o evangelho do reino não tem causado o impacto de transformação que ele é capaz de causar. Isso porque os cristãos têm pensado sim sobre a sociedade, oração e justiça social, mas a prática desses pensamentos tem sido aquém daquilo que deveria ser realizado.

Diante disso, o pr. Neil faz a leitura do texto de Mateus 5, versículo 13 que, segundo ele, já foi utilizado em milhares de sermões, falando sobre sermos o sal da terra. No entanto, esta continua insípida. “Nós que fomos colocados para ser o sal da terra, somos seus destruidores”.

A reflexão continua por meio de uma ilustração comum, mas interessante: a figura da carne de um churrasco suculento e de aparência saborosa como sendo aquilo que é essencial nesse tipo de refeição e a importância do sal para realçar o sabor dessa essência. Quando a carne, por mais deliciosa que possa parecer, não contém sal, seu sabor fica sem graça e o prazer por se alimentar da essência de um churrasco se dissipa. O que vem depois é a vontade de abrir mão daquilo que é essencial e partir na busca de outra coisa: na busca daquilo que é trivial.

É justamente esse o retrato das nossas sociedades (na qual nos incluímos): temos perdido o prazer naquilo que é essencial por não conseguirmos perceber seu sabor, e passamos a valorizar coisas que não possuem valor algum. O amor pelo outro, por exemplo, perdeu seu sentido. Passamos a amar mais as coisas do que as pessoas. E as próprias pessoas se tornaram coisas, em vista da facilidade que se tem de comprar um loiro ou uma loira da mesma forma que se encomenda uma pizza. “Come-se a pizza e come-se as pessoas”.

“Se a vida perde o sabor é porque nós, como igreja, nos deformamos”. Ao invés de termos o evangelho do o reino como estilo de vida (nossa essência) e darmos sabor a esse estilo, através da prática sincera de seus valores, nos preocupamos em defender as nossas denominações e o evangelho doente que nos cerca. “Deformados, mudamos a visão que tínhamos de missão”. Ao invés de servimos a Deus através do serviço às pessoas, procuramos que Deus nos sirva e satisfaça nossos desejos consumistas.

O desafio proposto pela devocional do pastor Neil se resume numa frase da música Vamos Viver, de Sandra de Sá: “vamos consertar o mundo, vamos começar lavando os pratos”. Que tudo o que foi pensado e aprendido durante o Encontro se transforme e atos que façam diferença na vida das outras pessoas, mesmo que esses atos sejam aparentemente pequenos. Vamos salgar o que é essencial, para que as pessoas voltem-se para a verdade do evangelho de Cristo e tenham prazer em saboreá-la.


Lucas Rolim

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