Devocional I – A importância da igreja nas ações de misericórdia e justiça

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Pastor Ebenéser, do Exército de Salvação, foi o responsável pela primeira devocional do IV Encontro Nacional de RENAS. Compartilhou com os participantes que sua intenção não era, necessariamente, citar as diversas dificuldades às quais estão sujeitas as organizações sociais. Em vez disso, destacou uma experiência que teve com um grupo de jovens que iam de van para um retiro da igreja. No caminho, houve troca de tiros, e o risco do grupo de jovens e adolescentes ser atingidos era grande. Nesse momento, ele começou a orar perguntando a Deus o que ele diria aos pais dos adolescentes caso algum deles fosse atingido. Durante a oração, os jovens começaram a cantar uma música que dizia: “Não temas, sou contigo. Agindo eu, quem impedirá?”. A atitude dos adolescentes o edificou e, graças a Deus, ninguém foi atingido.

Assim, o pastor deu início a sua reflexão sobre como é comum passarmos por dificuldades de diferentes proporções que nos afligem, como somos levados a perguntar a Deus a razão disso e até mesmo questionar onde ele está quando sofremos.

Cristo passou por tristezas profundas em função de seu ministério de levar sobre si o pecado de toda humanidade. Os momentos finais de sua vida, narrados em Mateus a partir do capítulo 26, mostram a proporção da angústia de Jesus que o leva a buscar, mais uma vez, a seu Pai em oração no Getsêmani. Apesar de ter levado consigo Pedro, João e Tiago, compartilhado com eles de seu sofrimento e feito-lhes o pedido de vigiar com ele, Cristo se sentiu sozinho. Por três vezes insistiu com seus discípulos que partilhassem de seu sofrimento, mas “os seus olhos estavam pesados”. Muitas vezes, diante de nossos sofrimentos, nos sentimos como Jesus. E a boa notícia, que nos conforta, é que Jesus sabe, por experiência própria, o que é sofrer sozinho. Logo, ele sabe a proporção da nossa dor quando ela é acompanhada de solidão.

Será que conseguimos, por algum momento durante a nossa dor, parar um pouco e pensar na dor que o próprio Jesus sente ao ver a humanidade sofrendo por causa do pecado? “Jesus ainda procura pessoas para orar com ele no Getsêmani”.

Com mais uma história, agora da missionária Emily Carmichael, o pastor Ebenéser contou sobre o sofrimento que ela passou ao ver a dor das meninas indianas, que, por questões religiosas, eram exploradas sexualmente nos templo hindus. Com a indiferença tanto de líderes governamentais quanto de líderes religiosos, Emily se viu sozinha, sendo levada a apresentar a Deus seus sentimentos de que o que acontecia com aquelas garotas não era mais problema dela – a missionária havia feito tudo o que podia. Neste instante, ela visualizou a imagem de Cristo, embaixo de alguma árvore indiana, derramando rios de lágrimas e dizendo: “Esse problema não é seu, é meu. Eu só estou procurando alguém que me ajude a suportá-lo”.

A pergunta mais enfática da devocional foi: você está disposto a ajoelhar-se em oração pelos sofrimentos de Cristo pelos perdidos? Às vezes passamos noites em claro, preocupados com nossos próprios sofrimentos, e negamos a beleza do amor e da misericórdia de Jesus em acolher esse nosso sofrimento e nos ajudar. Cremos que ele se dispõe a estar do nosso lado em nossos momentos de “sexta-feira”, momentos de dor e morte. Jesus nos diz: “É chegado o domingo da ressurreição!” e “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. Cremos nisso, pois sabemos que ele nunca dorme. Porém, quantas vezes nos apresentamos como discípulos sonolentos diante do sofrimento do outro, diante do sofrimento de Cristo com o sofrimento da humanidade… Ele está acordado no Getsêmani e espera que nos juntemos a ele em oração.


Lucas Rolim

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