O escândalo do comportamento evangélico

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George Barna desenvolveu alguns critérios para identificar aqueles que possuem uma “visão de mundo bíblica”. Essas pessoas crêem que a Bíblia oferece padrões morais e que “existem verdades morais absolutas”, comunicadas através da Bíblia. Além disso, elas crêem em mais seis pontos fundamentais: Deus é o Criador onisciente e onipotente que governa o universo; Jesus Cristo viveu uma vida sem pecado; Satanás existe e está ativo nesse mundo; a salvação é pela graça, e não por mérito; todo cristão tem a responsabilidade pessoal de evangelizar; e a Bíblia é totalmente correta em tudo aquilo que ensina.

Os critérios empregados por Barna para identificar as pessoas com uma visão de mundo bíblica não são os mesmos usados por ele para identificar o grupo dos evangélicos (capítulo 1), mas são bastante semelhantes. Como vimos anteriormente, o grupo dos “nascidos de novo” é bem abrangente, aproximadamente 40% da população, mas apenas 7% ou 8% são evangélicos. Entre aqueles que possuem uma visão de mundo bíblica, Barna descobriu que somente 9% dos adultos e 2% dos adolescentes nascidos de novo têm uma visão de mundo bíblica.10 Essa não é uma boa notícia.

A notícia boa é que esse pequeno grupo formado por pessoas com uma visão de mundo bíblica demonstra um tipo de comportamento genuinamente diferente. Essas pessoas são nove vezes mais propensas que todas as outras a evitar material “adulto” na Internet. São quatro vezes mais propensas que os outros cristãos a boicotar empresas e produtos de origem duvidosa e duas vezes mais propensas a não assistir filmes de conteúdo ruim. Elas são três vezes mais propensas que os outros adultos a não usar produtos derivados do tabaco, e duas vezes mais
propensas a trabalhar voluntariamente na ajuda às pessoas necessitadas.11 Quarenta e nove por cento dos cristãos nascidos de novo dedicaram mais de uma hora de trabalho voluntário na última semana a uma organização que atende aos pobres, enquanto que somente 22% dos cristãos que não nasceram de novo fizeram isso.12

Em uma pesquisa de 2000, Barna descobriu que os evangélicos são cinco vezes menos propensos que os adultos em geral a declarar que “suas carreiras vêm em primeiro lugar”.13 Há também fortes evidências de que entre os homens protestantes e doutrinariamente conservadores que freqüentam uma igreja, os índices de abuso doméstico sejam menores que em outros grupos.14

Não é de estranhar que esse bom comportamento esteja diretamente relacionado a um maior envolvimento religioso. Os que têm uma visão de mundo bíblica são quase duas vezes mais propensos que outros cristãos a ler a Bíblia diariamente. 15 Em todo o país, somente 21% dos adultos freqüentam a escola dominical semanalmente, mas 37% de todos os adultos nascidos de novo freqüentam. E os números saltam para 65% entre os evangélicos.16 Enquanto somente 20% de todos os adultos freqüentam um pequeno grupo de oração e estudo bíblico durante a
semana, 28% dos cristãos nascidos de novo freqüentam, e entre todos os evangélicos, o índice chega a 53%.17

Outros pesquisadores têm observado uma correlação semelhante entre a fé evangélica e a atividade religiosa. Christian Smith constatou que os evangélicos são muito mais propensos a freqüentar a igreja semanalmente ou a compartilhar o evangelho que outros cristãos.18 Esse mesmo padrão foi constatado em um estudo de 2001 feito pelo Pew Research Center.19

Essas estatísticas nos dão uma boa dose de esperança. Pessoas que partilham de uma visão de mundo bíblica demonstram melhor comportamento moral em suas atitudes — e essas pessoas representam um percentual significativo entre os evangélicos. Não podemos nos contentar com pesquisas que mostram que apenas 29% dos evangélicos contribuem generosamente na ajuda aos pobres e necessitados. Mas pelo menos isso é bem melhor do que os resultados das estatísticas entre os não-religiosos, onde somente 9% doam com liberalidade para ajudar os pobres. A comparação entre cristãos nominais e cristãos profundamente
comprometidos e doutrinariamente ortodoxos não deixa dúvidas de que o cristianismo genuíno produz um comportamento melhor, ao menos em algumas áreas.

As descobertas de Barna acerca do comportamento diferenciado dos cristãos que possuem uma visão de mundo bíblica ressaltam a importância da doutrina. A ortodoxia bíblica faz diferença. Uma boa maneira de colocar fim ao escândalo do comportamento cristão contemporâneo é trabalhar e orar fervorosamente para que floresça em nossas igrejas uma fé doutrinariamente ortodoxa.

Barna registra uma última constatação que oferece um pouco mais de esperança. Suas pesquisas revelam que, embora 91% dos cristãos nascidos de novo careçam de uma visão de mundo bíblica, eles estão abertos, e até mesmo ansiosos para crescer espiritualmente. Oitenta por cento dos cristãos nascidos de novo afirmaram que “um compromisso profundo e pessoal com a fé cristã é uma das principais prioridades para o futuro”.20 Nove entre dez cristãos de todos os grupos disseram
que se suas igrejas ensinassem como agir para crescer espiritualmente, eles procurariam ouvir seus conselhos e seguiriam a maioria das recomendações.21 Atitudes desse tipo indicam que as pessoas estão abertas para um discipulado bíblico mais consistente.

A situação não está tão desesperadora como parece. A fé bíblica provoca uma mudança substancial (embora não suficiente) na vida dos cristãos verdadeiramente comprometidos. A maioria dos cristãos nominais parece estar aberta ao crescimento espiritual.

O mais importante de tudo é que o evangelho é real! O carpinteiro de Nazaré levantou-se do túmulo e agora reina como Senhor do universo. Sua promessa de transformar à sua imagem todos os que nele crêem permanece. O Espírito Santo está vivo e poderoso, pronto a restaurar pessoas quebrantadas, dispostas a abrir incondicionalmente seus corações e vidas à sua poderosa presença.

Ao longo da história da igreja, mesmo nos momentos de crises profundas e de infidelidade, Deus sempre cumpriu suas promessas. Deus deseja realizar hoje as mesmas obras poderosas que fez no passado. Tudo que precisamos fazer é confiar e obedecer.

O Senhor que nós afirmamos amar e adorar está à porta e bate. Ele espera que nós o convidemos a entrar. Não podemos convidar apenas uma parte dele. Mas se nós o acolhermos em nosso coração e entregarmos nossa vida a Cristo, faremos obras grandiosas, muito além do que ousaríamos pedir ou imaginar. Ele transformará nosso pranto em alegria e porá fim à escandalosa desobediência do povo que se chama pelo seu nome.

Jesus, seja o centro,
Seja a nossa fonte,
Seja a nossa luz, Jesus.

Jesus, seja o centro,
Seja a nossa esperança,
Seja a nossa canção, Jesus.

Seja o fogo em nossos corações,
Seja o vento em nossas embarcações,
Seja a nossa razão de viver,
Jesus, Jesus.

Jesus, seja a nossa visão,
Seja o nosso caminho,
Seja o nosso guia,
Jesus.22

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