Bíblia é mais…. justiça!

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No contexto de grande parte das igrejas cristãs existe um fosso, tanto no aspecto individual quanto na estrutura organizacional, entre estudo da Bíblia e ação social. Pessoas ligadas a departamentos de educação religiosa e a departamentos de assistência social no âmbito eclesiástico são, geralmente, de grupos diferentes e sem conexão de atuação. Isso provavelmente seja resultado da tradição protestante clássica que estimula a leitura devocional da Bíblia, "para guardar no coração", mas nem sempre avança no sentido de fomentar novos caminhos e metodologias de estudo comunitário da Bíblia, no sentido de produzir reflexão e engajamento para transformação da realidade social.

Buscando enfrentar tal desafio e oferecer alternativas de superação desta dicotomia a Primeira Igreja Batista de Mesquita, Rio de Janeiro, promoveu, no sábado, 13 de dezembro de 2008, véspera do Dia da Bíblia segundo o calendário protestante, o I Encontro de Convergência de Leitura Bíblica e Intervenção Social. O evento, que reuniu mais de 50 pessoas interessadas na temática, aconteceu no auditório da Prefeitura Municipal de Mesquita, Baixada Fluminense.

Contando com o apoio institucional do Instituto de Estudos da Religião (ISER), que certificou os participantes, e da Editora Horizonal, além da colaboração de entidades como Renas RJ e FTL-RJ, o encontro foi dividido em duas partes, sendo a primeira uma preleção do biblista, Milton Schwantes, professor da Universidade Metodista de São Paulo, e a segunda, uma mesa de reflexão, que contou com quatro expositores e um moderador e teve boa participação do público.

Segundo Schwantes, é no estudo comunitário da Bíblia que se pode ouvir, com mais clareza e segurança, a voz de Deus, a manifestação do seu Espírito e, portanto, a capacitação das pessoas para a ação no mundo. A leitura bíblica em grupo é capaz de produzir interlocução e ajudar fortemente nos processos de transformação social para melhor dignidade da vida humana. Com essa metodologia o professor deu a tônica de sua conferência, abrindo espaço periódico para as pessoas se expressarem com perguntas, críticas, contribuições.

A segunda parte do evento ocorreu com a própria formação da mesa, feita por Elcio Sant`Anna, coordenador geral do encontro, que convidou e apresentou os participantes da mesma: Alexandre Castro, pastor, psicólogo e professor do CEFET-RJ, serviu como moderador. Sobre o desafio da violência e as possibilidades de intervenção social, inclusive com a participação das igrejas, falou Pedro Strozemberg, advogado e militante pelos direitos humanos e diretor-executivo do ISER. Vânia Dutra, assistente social da Prefeitura do Rio, membro da Rede Evangélica Nacional de Ação Social (Renas-Rio) e coordenadora do Núcleo de Gestão Social da Universidade Mackenzie Rio.

Ela abordou em sua fala os problemas da saúde pública, possibilidades e a importância da participação das igrejas num processo de radicalização da democracia e do acesso à saúde pública de qualidade. Um panorama abrangente do trabalho social no município de Mesquita foi apresentado por Cássia Valéria, secretária de ação social da Prefeitura Municipal.

Encerradas as falas dos preletores, Alexandre Castro sugeriu que as igrejas se tornem, à luz da experiência bíblica do Antigo Testamento, "cidades de refúgio" para acolherem necessitados e ajudar a encaminhar pessoas em seus processos de mudança e busca por dignidade de vida.

As perguntas, respostas e comentários do público com a mesa enriqueceu o debate, sugeriu caminhos e salientou compromissos para a construção de uma sociedade mais justa para todos.

A expectativa que os organizadores do Bíblia é mais… têm é que as ações pós evento se constituam em procedimentos de percepção das necessidades sociais por leitores e leitoras da Bíblia da região. É por isto que se estuda a criação de um fórum permanente de leitura bíblica e intervenção social a partir de egressos do Bíblia é mais…


Clemir Fernandes – ALC Notícias, 22/12/2008

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