A crise financeira mundial e a pobreza

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A crise financeira mundial, desencadeada por problemas no mercado secundário de hipotecas dos Estados Unidos, tem trazido preocupação em todos os países do mundo. O momento é mais de perguntas do que de respostas quanto à profundidade, extensão e duração da crise. Há opiniões e prognósticos para todos os interesses e gostos. Os valores repassados pelos governos dos EUA e da Inglaterra, só para citar dois países atingidos mais diretamente, são absurdamente altos; fala-se em bilhões, trilhões como se pudéssemos mensurar o que isto realmente siginifica. Os "seguidores", fiéis do livre mercado, estão precisando rever seus conceitos e crenças de que o mercado como um "ser soberano" teria o poder de se auto regular sem a intervenção do estado. Antes dessa crise, a intervenção do Estado na economia era a pior das "heresias".

Em uma declaração inesperada, o ex-presidente do Fed- Banco Central Americano, Alan Greenspan, que dirigiu o Banco entre 1987 a 2006 reconheceu que os EUA estão no meio de "um tsunami creditício". Ele disse que "está em choque e não pode acreditar" como os bancos e as empresas financeiras não se vigiaram e controlaram a si próprias, que é com o que ele e outros responsáveis de supervisão no governo americano contavam.

Dentre as muitas perguntas que tem dominado o noticiario internacional, uma não tem sido feita e que talvez seja a única que nos interessa neste momento, como a maioria de nós não deve estar estar preocupados com as perdas das bolsas, ou com nossas ações, penso que a pergunta que nos interessa neste momento é: Como e em que medida esta crise deve atingir os pobres?

Segundo Eduardo Nunes, diretor adjunto da Visão Mundial e doutor em economia pela USP a crise atingirá os pobres da seguinte maneira:

a. A crise chegará aos mais pobres rapidamente. Este grupo é o que se beneficia mais tardiamente de qualquer crescimento e o que demora mais tempo para ser impactado pela recuperação. Há países mais vulneraveis do que outros, mas os pobres , em todo o mundo serão afetados.
b. A crise tende a pressionar a inflação, as taxas de juros (em alguns países) e índices de desemprego, com redução da massa salarial geral. A queda da pobreza e da desigualdade tende a sofrer uma interrupção, pelo menos em seu ritmo. No Brasil, cerca de 1.5 milhão de crianças vivem em lares pobres que serão afetados diretamente pela crise.
c. A crise reduz a capacidade, no médio-prazo, de investimentos públicos, inclusive os sociais.
d. A crise demanda ações de Advocacy para minimizar as injustiças.

Queridos irmãos e irmãs da RENAS, creio portanto, que a crise atinge diretamente nosso trabalho de combate e enfrentamento da pobreza de maneira que precisamos primeiramente orar para que Deus nos oriente sobre o que fazer neste momento e creio que como afirma Eduardo devemos implementar ações de advocacy, ou seja, busca pela justiça em favor dos pobres em especial as crianças que serão atingidas mais diretamente.

Em Cristo,
Welinton Pereira- Assessor da Visão Mundial e coordenação da RENAS

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