Uma profissão a serviço do ser humano

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O Serviço Social é uma atividade de fundamental importância na atual sociedade. Como em 15 de maio comemora-se o dia do assistente social, vamos conhecer melhor este profissional que está diretamente envolvido na garantia e gestão dos direitos sociais. Atua sempre com o objetivo de assegurar o cumprimento dos direitos de forma universal e igualitária. Esta nobre profissão possui um projeto ético-político muito claro e definido, cujos princípios fundamentais são o reconhecimento da liberdade, a defesa intransigente da cidadania e um posicionamento decisivo em favor da eqüidade e da justiça social, entre outros.

O assistente social tem sido, historicamente, um dos agentes profissionais que implementam políticas sociais, especialmente públicas, atuando na sua execução, formulação e gestão. Muito se mistura termos como assistência e assistencialismo; por isso, confunde-se o seu papel. Assistencialismo é algo pontual, em que falta compromisso com a cidadania, onde as ações assistenciais são fragmentadas, imediatas, isoladas. O assistencialismo provoca dependência, utilizando-se de atos compensatórios e não de soluções concretas, transformando direito em favor.

Muitos têm, ainda hoje, a idéia de que o assistente social é aquela pessoa bondosa e muito caridosa, que, com seu bom e enorme coração, se dispôs a “ajudar o próximo”. Na verdade, o assistente social é um profissional que, após quatro anos de estudos no ensino superior (que englobam diversos saberes de várias ciências) está apto a exercer funções específicas e privativas do Serviço Social em diferentes áreas: escolas, hospitais, empresas públicas ou privadas, etc.

Para romper com o assistencialismo e garantir os direitos do cidadão, é necessária uma política pública que proponha alternativas de participação efetiva do indivíduo na sociedade. A LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social, que regulamenta os artigos 203 e 204 da Constituição Federal de 1988, reconhece a Assistência Social como política pública, direito do cidadão e dever do Estado, além de garantir a universalização dos direitos sociais. Por isso, nesse dia, temos enorme motivo de orgulho, por fazermos parte de uma profissão voltada para a busca de um país mais justo e igualitário, na luta pela universalização dos direitos e do pleno exercício da cidadania.

Diante dessas colocações, devemos pensar: qual o papel do assistente social no crescimento do Reino de Cristo? O Senhor Jesus, como maior exemplo que temos em todas as áreas, nos deixou lições preciosíssimas a esse respeito. Como cristãos e profissionais, de que forma podemos pôr em prática a fé através da nossa atuação profissional? Acredito que essa tarefa se mostra facilitada neste momento, pois nunca houve tanta proximidade de um projeto ético-político com os ensinamentos de Jesus, nos quais existe amor ao próximo, respeito às leis e a busca pela justiça social (Sl 146.5, 7-9).

E a Igreja, qual o seu papel? Cabe a nós, cristãos, refletir e considerar a Assistência Social como parte da tarefa do Corpo de Cristo. Nos dias de hoje, o papel social da Igreja se faz latente. É inegável que a questão social bate à porta, mostrando suas várias faces à igreja – mas nós, estamos imunes a isso? Devemos ficar parados? Claro que não! O doutor Robert Kalley, pioneiro da fé evangélica no Brasil, em sua chegada ao país desenvolveu ações de cunho social dignas de serem seguidas, tais como registro de nascimento e casamento civil para não-católicos; direitos políticos e civis; liberdade para venda de Bíblias e tratados evangélicos; registro de igrejas protestantes e sepultamento de protestantes em locais separados nos cemitérios.

Isso é assistência social! Ações realmente significativas e transformadoras. Não podemos nos furtar de nossa tarefa neste mundo que despeja todos os dias em nossa porta seus problemas, suas chagas, seu câncer. A Igreja não pode se esconder, ou fazer vistas grossas ao que nos chega às mãos, ao que nos bate à porta, às mazelas deixadas pelo sistema alienante, cruel e opressor em que vivemos; onde o pai não tem dinheiro para alimentar o filho e rouba; onde o menino de rua cheira cola para enganar a fome; onde milhares de mulheres são espancadas por seus parceiros e, por tamanha humilhação, não têm coragem de denunciar; onde crianças pedem esmolas, fazem malabarismos nos sinais para ganhar uns trocados e assim ajudar a família a sobreviver. Irmãos, “O principal desafio é refletir sobre como podemos organizar melhor a política social para que a vida, como dádiva de Deus, possa se desenvolver e crescer da melhor forma possível” (Rosane Pletsch).

A Igreja existe dentro de um contexto no tempo e no espaço, e neste sentido, precisa se adequar aos dias de hoje. Cristo era, antes de tudo, preocupado com as pessoas, com a restauração da dignidade humana. A Igreja, em sua ação, deve estar ciente de que sua missão deve visar à integralidade do ser humano, e não apenas da alma humana. Isso envolve o nosso testemunho, a revelação do amor de Cristo em nós, mostrando que Ele não se agrada e não se conforma com a situação de injustiça social.

O amor ao próximo necessita ser exercitado, como parte do legado de Cristo e de um coração transformado pelo poder do Espírito. A preocupação com o outro deve existir em nosso cotidiano. Como podemos ficar parados diante dos problemas que chegam até nós – pobreza, miséria, população de rua, crianças em situação de risco, prostituição e tantos outros? Devemos enfrentar cada situação de maneira adequada. A Igreja precisa se preparar para tais mudanças, pois a cada dia as mazelas sociais se agravam, requerendo de nós uma postura mais firme de enfrentamento – e isso inclui medidas de capacitação, para que o trabalho social seja realizado da forma mais competente possível.

A Igreja de Cristo deve estar preparada para abençoar com a Palavra, mas também com a provisão de mantimentos, roupas, suprimentos domésticos, assessoria jurídica, apoio emocional, psicológico etc. Citando as palavras do pastor Silvandro Cordeiro, “Este é o momento mais oportuno na história da igreja evangélica brasileira, de usar a fé na defesa da liberdade sem, contudo, perder os valores e os princípios do Reino de Deus, estabelecidos nas Escrituras Sagradas”. Jesus Cristo, nosso modelo de responsabilidade social, nos desafia – “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio”.

Não é fácil. Demanda tempo e disposição para de fato realizar um trabalho social digno e transformador. Mas a recompensa de fazer a obra do Senhor, de obedecer aos seus mandamentos e, mais ainda, a alegria de saber que contribuímos de forma significativa para o engrandecimento do Reino não tem preço!


Telma Gomes Pilet é assistente social, membro da Igreja Evangélica Campograndense, RJ.

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