RENAS realiza encontro nacional e discute desenvolvimento comunitário e geração de renda

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Lissânder Dias

 
Pessoas que compuseram a mesa de apresentação do Encontro Nacional da RENAS.  
   

A Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS) realizou o segundo encontro nacional reunindo mais de 180 pessoas de dezenas de organizações sociais evangélicas do Brasil, no SESC Venda Nova, em Belo Horizonte (MG). Durante três dias (13, 14 e 15 de setembro), o grupo refletiu coletivamente sobre como a ação social cristã pode contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento comunitário.

O encontro contou com palestras, painéis, debates, grupos de trabalhos e momentos litúrgicos, com temas como: Geração de Trabalho e Renda, Política Nacional de Assistência Social, Comércio Solidário e Missão Integral. O evento também proporcionou “pontos de encontro” com conexões, contatos e trocas de experiência entre organizações pequenas e grandes, do Norte ao Sul, de diferentes frentes de trabalho na área de ação social.

Ação social e políticas públicas

A secretária de estado e assistência social de Minas Gerais, Roberta Lima, lembrou a importância das igrejas evangélicas como lugar de apoio ao pobre, quando as portas do Estado não estão abertas. Segundo ela, o cidadão encontra na igreja a possibilidade de buscar ajuda diante de suas necessidades.

O presidente do Conselho Nacional de Assistência Social, Silvio Iung, apresentou a Política Nacional de Assistência Social, elaborada em 2004, como “marco legal” para a atuação das ONGs e do Governo em favor da população. Ele também lembrou a importância da Constituição de 1988 para a prática da cidadania e defendeu o SUAS (Sistema Único de Assistência Social). Segundo Iung, está acontecendo um engessamento nas políticas públicas devido a uma visão puramente arrecadatória, onde a preocupação maior é gastar os recursos disponíveis.

O ‘princípio do direito’

O pastor Ariovaldo Ramos explicou o princípio do direito, segundo ele, presente no início da Igreja Primitiva (registrado em Atos 2.42-47). “Na filantropia, a pessoa abençoa o necessitado segundo suas posses. No princípio do direito, é a necessidade do beneficiário que determina a ação”.

Para outra palestrante, a médica Fátima Oliveira, representando o Instituto Cultiva, a ação social tem que ser vista como direito do cidadão. “Pobreza é uma questão de injustiça social, não de caridade”. Ela mesma, no entanto, considerou que “é dever do Estado dar o peixe e ensinar a pescar” e questionou: “é ético deixar uma pessoa morrer de fome?”.

Segundo dia: Desenvolvimento comunitário

A temática do segundo dia do encontro foi Desenvolvimento Comunitário. A programação começou com uma reflexão bíblica dirigida por Ariovaldo Ramos, que enfatizou a necessidade da Igreja ser responsável em servir a necessidade do irmão. “Esta perspectiva é lógica porque a Igreja tem a idéia de Corpo. Qual a parte mais importante do seu corpo? É aquela que está sofrendo.”

Em seguida, houve um painel de discussão sobre modelos de desenvolvimento comunitário, com a participação de representantes do CADI (Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral) no Paraná, o DLIS (Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável), do SEBRAE e o Com Vida, do Pará, que tem como foco o desenvolvimento integral e sustentável. Segundo Juarez de Paula, do SEBRAE, “desenvolvimento não se esgota em crescimento econômico. Não há desenvolvimento sem crescimento, mas pode haver crescimento sem desenvolvimento”. Para Maurício Cunha, do CADI, desenvolvimento tem a ver com transformação. “Ele acontece quando valores, comportamentos e conseqüências sobre a comunidade são transformados”. Fidélis Paixão, do Com Vida, destacou a participação da Igreja no desenvolvimento integral. “A missão da Igreja é proclamar o reino de Deus e resgatar toda a criação”.

À tarde, o encontro contou com a participação dos missionários e antropólogos Márcia e Edson Suzuki e Ronaldo Lidório. Eles denunciaram a prática de infanticídio em tribos indígenas no Brasil. Informaram também o trabalho da ONG cristã ATINI que luta para que o governo e a sociedade civil sejam mobilizados em torno do problema. Os participantes do encontro da RENAS assinaram uma declaração de apoio à ONG e ao projeto de lei 1057/2007 que identifica como crime o infanticídio indígena. [leia a declaração aqui]

Os grupos de trabalho aconteceram logo em seguida e foram divididos pelos seguintes temas: Elaboração e Gestão de Projetos em Parceria com o Poder Público, com Werner Fuchs, da Rede Paranaense de Assistência Social; Gestão Financeira de ONGs, com Ilídio C. Oliveira Jr., da IGFCONSULT; Legislação do Terceiro Setor, com Donna Fernandes, da Associação Evangélica Beneficente; e Redes Sociais, com Eliel Freitas Jr. da Tearfund e Flávio Conrado da RENAS-RJ.

À noite, o sociólogo Fernando Gomes Moraes contou sua experiência assessorando projetos sociais da ONU e de ONG´s em diversos países. Ele insistiu que não podemos nos acostumar com os problemas sociais.

Terceiro dia: Geração de Trabalho e Renda

O tema do último dia foi Geração de Trabalho e Renda. O encontro iniciou com uma reflexão bíblica do Pr. Jeremias Ribeiro e foi até o final da manhã com a mesa redonda com representantes da ANDE (Agência Nacional de Desenvolvimento Econômico), Cáritas Brasil e Ética Brasil Comércio Solidário.  Entre os assuntos discutidos estava a necessidade de maior consciência de um consumo responsável pelos cristãos. Segundo Glaydson Santos, gerente executivo da Ética Brasil, é preciso transformar as estruturas para se combater a desigualdade social. Outro assunto discutido foi a execução de programas sociais por meio dos chamados Fundos Rotativos. Os Fundos Rotativos são uma proposta de trabalho com experiências de micro-crédito que pode ser adotada por ONGs e denominações evangélicas. O público mostrou bastante interesse no assunto e a RENAS-SP se dispôs a organizar uma palestra sobre o assunto com Elza Fagundes, da ANDE, para ONGs da região Sudeste.

O Encontro Nacional da RENAS terminou com a celebração da Santa Ceia, ministrada pelos pastores presentes e digirida pelo Pr. Werner Fuchs.

Um encontro contra a corrente

Para Welinton Pereira, da Visão Mundial e um dos coordenadores do Grupo Gestor da RENAS, o encontro foi uma vitória de todos, pois “temos acreditado, mesmo contra a corrente, no processo de trabalho em rede como uma opção horizontal das relações”.

“Saímos desse encontro com a certeza de que demos mais um grande passo na consolidação da Rede, em especial para o fortalecimento de tantas outras redes. Foi emocionante ver os irmãos do Nordeste e do Norte reunidos no planejamento de suas ações. Muitas oportunidades de relacionamentos foram criadas a partir deste encontro.”

Avaliação dos participantes

A julgar pelos 98 formulários de avaliação preenchidos, os participantes também saíram do encontro com um saldo bem positivo. Veja abaixo o resumo em tabela: 

Item Avaliação
Hospedagem/alimentação Excelente (86)
Duração do evento Excelente (80)
Programação Excelente (68)
Oportunidades de contatos / relacionamentos Excelente (70)

Na avaliação escrita, os participantes destacaram a diversidade das organizações e a oportunidade de relacionamentos, além das reflexões bíblicas de Ariovaldo Ramos. Muitos saíram com bastante interesse em mobilizar redes em suas comunidades e regiões.

Assembléias da RENAS

Paralelamente ao encontro, também foram realizadas duas assembléias com os membros da RENAS. Entre os assuntos em pauta, estavam a eleição de novos membros do Grupo Gestor, a formação de grupos de trabalho baseados nos objetivos da rede, a realização do próximo encontro nacional, o apoio ao movimento contra o infanticídio indígena e a participação da RENAS em conselhos da sociedade civil que discutem políticas públicas. Participaram das assembléias 21 organizações sociais e 09 redes.

Álbum de Fotos

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