Sem a menor dor de cabeça

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Eles devoram o meu povo como quem come pão. (Sl 14.4.)

Uma das mais gritantes denúncias dos Salmos 14 e 53 é a perda total da sensibilidade na prática de um crime: “Eles [os malfeitores] devoram o meu povo como quem come pão” (Sl 14.4; 53.4). Para eles, explorar alguém é tão natural quanto comer um pedaço de pão.

Há quem explora o mais fraco, o mais ingênuo, o mais desarmado, o mais humilde, o mais crente “como quem come pão”: sem a menor dor de cabeça, sem qualquer sentimento de culpa, sem corar de vermelho, sem remorso algum.
Há quem explora a criança, a mulher, o idoso, o estrangeiro, o deficiente físico, o endividado, o negro “como quem come pão”.

Há quem mata o próprio cônjuge, quem sufoca o próprio filho, quem corta a cabeça da própria avó, quem estupra a própria filha “como quem come pão”.

Há quem trai o próprio amigo, quem revela o esconderijo do próprio amigo, quem torna públicas as mazelas do próprio amigo, quem rouba o próprio amigo “como quem come pão”.

Há quem prega mentira, quem calunia o rival, quem indica o caminho errado, quem não dá testemunho da verdade, quem guarda silêncio quanto à inocência do inocente, com toda a simplicidade, “como quem come pão”.

Transbordando de ciúmes do filho de Raquel, os irmãos de José agarraram-no e o jogaram dentro de um poço sem água com a intenção de lhe fazerem mal. Então sentaram-se para comer tranqüilamente (Gn 37.25). Já não tinham sensibilidade alguma!

Retirado do livro Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos, da Editora Ultimato.

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