Exposição fotográfica e lançamento do livro Angola – a esperança de um povo

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Finalmente chega ao Rio de Janeiro a Exposição Angola – A Esperança de um Povo, de grande sucesso em suas temporadas em São Paulo, Salvador e Brasília. Devido ao grande vínculo cultural entre África e Rio de Janeiro, os fotógrafos não podiam deixar de levar esta importante mostra fotográfica à capital carioca, cidade com a maior colônia de cidadãos de origem angolana no País. A nova edição da exposição vai ocupar o segundo andar do Centro Cultural Justiça Federal, Av. Rio Branco, 241, Centro, de 27 de outubro a 10 de dezembro de 2006.

A Exposição e o Livro Angola – A Esperança de um Povo são fruto do trabalho dos fotógrafos documentaristas Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá que percorreram diversas cidades do país africano logo após o acordo de paz que deu fim à guerra civil. Por intermédio do apoio de entidades como Comitê Internacional da Cruz Vermelha, GBECA – Grupo Bíblico de Estudantes Cristãos de Angola, Schweizer Allianz Mission (Sole), The Halo Trust (desminagem) e Médicos Sem Fronteiras, os fotógrafos chegaram a várias regiões de difícil acesso, visitando campos de deslocados, hospitais, campos minados e escolas na capital e no interior. O resultado desta documentação fotográfica é revelado nas 60 fotos em preto e branco e coloridas presentes na exposição e 48 no livro. São imagens de esperança, alegria e fé num futuro de paz que finalmente aparecem refletidas nos olhos de cada pessoa comum nas ruas das grandes cidades, em distribuições de alimento, nos cuidados médicos recebidos e no reencontro com familiares.

“A África sempre foi a meca das expedições de fotografia documental. Imagens de crianças desnutridas e guerras fratricidas circulam pelos jornais, revistas e publicações de todo o mundo de tempos em tempos. Imagens de esperança, solidariedade e luta para reconstrução de vidas, entretanto, são bem mais raras. O desafio maior, nos parece, é penetrar na alma do povo sofrido para resgatar os valores, sentimentos e fé que não foram destruídos pela ganância, guerra e desespero. E, obviamente, traduzir tudo isso em imagens fotográficas de alto impacto.”

Serviço
Exposição Angola – A Esperança de um Povo
Quando: 26 de outubro a 10 de dezembro de 2006.
Local: Centro Cultural Justiça Federal, Av. Rio Branco, 241,
Centro, Rio de Janeiro – RJ
Livro Angola – A Esperança de um Povo
Vendas: Nas melhores livrarias ou através do site www.carosamigos.com.br
Produção: Media Quatro – www.mediaquatro.sites.uol.com.br
Apoio: Sindicato dos Trabalhadores da Justiça Federal do Rio de Janeiro;
Comitê Internacional da Cruz Vermelha; e Labtec – Laboratório Fotográfico
Sugestão para entrevista e Atendimento à imprensa:
Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá
Tels. (11) 5093-2855 / 9631-0666
vgpsouza@uol.com.br
mge_sa@yahoo.com.br

Relato de bordo
 
“Amigo, Amiga! Me tiras um retrato?”

Antes de embarcamos para Angola, tentamos nos informar o máximo possível sobre o país e seu povo. Falamos com refugiados no Brasil, expatriados, antigos missionários, afro-portugueses expulsos na década de 70, pessoal de entidades humanitárias internacionais e também com nossos contatos dentro do país. Se por um lado ouvíamos sobre as dificuldades burocráticas e logísticas do projeto, por outro soubemos do carinho e respeito que o povo angolano nutre pelos brasileiros. Algo, no entanto, nos inquietava e podia por em risco toda a missão: os angolanos seriam bastante arredios a serem fotografados.

Depois de 27 anos de guerra civil que literalmente colocou milhares de irmãos nos exércitos opostos da UNITA e do MPLA, nos pareceu natural o temor de que uma fotografia pudesse ser usada para indicar quem é o inimigo e portanto fosse perigosa. É fato que principalmente para os mais velhos, pessoal militar e policiais, as fotografias continuam não sendo bem vistas. Mas entre os jovens, mulheres e sobretudo crianças, o sentimento é exatamente o contrário. Quando, com as câmeras a tiracolo, percorríamos as ruas de Luanda, a periferia da capital, os campos de deslocados em Huambo, as escolas e mesmo nos hospitais, a frase mais ouvida era “Amigo, Amiga! Me tiras um retrato?”

Angola vive hoje um momento diferente, uma mudança completa em poucos meses. Seu povo quer mostrar sua cara, se identificar, se conhecer, se enxergar. Não como pobres africanos que necessitam de ajuda, mas como um povo orgulhoso que enfrenta de cabeça erguida sua difícil situação e tem esperança no futuro próximo. A fotografia e o vídeo são também instrumentos dessa mudança. E por isso é tão importante colocar seus rostos em película, papel, fita…Somos privilegiados em poder compartilhar desse momento histórico e “clicar” a nova face de Angola.

Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá 

Sobre os fotógrafos

Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá (vgpsouza@uol.com.br e mge_sa@yahoo.com.br)  são fotógrafos com formação bastante eclética, tendo passado por diversas revistas, jornais, agências, etc. Seu maior interesse comum, entretanto, é por projetos pessoais de fotografia documental que mostrem a vida, as pessoas e os lugares por uma ótica diferente e por vezes não convencional. A fotografia de cada um se complementa no outro, somando ângulos e estilos. Em sua trajetória já correram o Brasil quase inteiro e também meio mundo.

Os fotógrafos já documentaram o cotidiano dos índios Xavantes no Mato Grosso e dos Guaranis em São Paulo; o carnaval em Santos (que resultou em prêmio e exposição no Banespa); a triste realidade das pessoas afetadas pela hanseníase na África e no Brasil; blueseiros de rua, artistas consagrados e público no Jazz Fest de New Orleans; a plasticidade das esculturas tumulares de vários cemitérios no Brasil, Europa e África; os esfumaçados bares de música de Praga; os trabalhadores na Romênia e Hungria; reminiscências do gueto judeu de Terezin, na República Tcheca, depois transformado em campo de concentração para alemães; o desejo de liberdade na parte da Caxemira ocupada pela Índia; a violência urbana na Colômbia que mata mais que a guerra civil e o tráfico de drogas; e muito mais.

Entre os seus projetos atuais estão a continuação do trabalho sobre o impacto das minas terrestres na América Latina, que já rendeu diversos artigos e exposições no Peru, Venezuela e Espanha; a publicação de um novo livro sobre este tema ainda em 2006; e uma documentação mais profunda de conflitos escondidos: guerras atuais esquecidas pela mídia e portanto ignoradas mundo afora.

Mais informações no site: www.mediaquatro.sites.uol.com.br

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