Objetivos do Milênio – Parte VII

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Os indicadores assinalam uma importante deterioração ambiental na região, escassa probabilidade de cumprimento das metas de revertê-la e dificuldade para cumprir as metas de saneamento, sobretudo no meio rural. Preocupa a perda das matas e da biodiversidade, a poluição do ar e o crescimento das favelas nas cidades. A cobertura de água potável mostra avanços importantes.

O desmatamento aumentou 2,4%, com suas conseqüências sob a forma de degradação de terras, perda de hábitat e de biodiversidade. A região não avança no sentido de menor intensidade energética: o consumo de energia em barris equivalentes de petróleo por mil dólares de produto foi de 2,7 em 2000, enquanto em 1990 foi de 2,8. As emissões de CO2 continuam muito ligadas à atividade econômica e em alguns países aumentam tanto quanto o desmatamento. A contribuição relativa da região para o problema global é pequena, de 2,6 toneladas de CO2 per capita, em comparação com as 11,2 toneladas correspondentes aos países desenvolvidos.

Existem oportunidades de melhoria da eficiência energética, aumento do uso de energias renováveis e participação no mercado de reduções de emissões de gases de efeito invernadouro. A participação da região na produção de bônus de redução de emissões de carbono poderia cobrir 10% da demanda européia e significar para ela uma receita estimada, em termos conservadores, em cerca de 2,2 bilhões de dólares.

Para a maioria dos países, a consecução da meta relativa à água potável urbana é possível, já que os avanços até o momento têm sido satisfatórios e em alguns casos registra-se, inclusive, progresso superior ao previsto, de acordo com o tempo transcorrido. Por conseguinte, bastaria expandir anualmente, no período 2005-2015, a cobertura em percentuais semelhantes aos da década de noventa, para alcançar ou superar esta meta.

Todavia, estar próximo de realizar a meta, como é o caso do Brasil, da Bolívia ou do Haiti, não significa que o nível de cobertura seja satisfatório, mesmo quando a comparação é feita com outros países da região que alcançaram níveis de cobertura superiores a 95%. Outros países que se situam abaixo deste nível são El Salvador, Peru, Nicarágua e Trinidad e Tobago. A meta de água potável no meio rural foi alcançada em Barbados, Equador, Guatemala, República Dominicana, Saint Kitts e Nevis e Santa Lúcia. Registram-se grandes diferenças entre os países, com coberturas de menos de 60% no Haiti e no Brasil e de mais de 90% na Costa Rica e nos países do Caribe não-latino.

A situação é menos promissora nos serviços de saneamento básico. Em 2002, a cobertura de saneamento urbano era de 84% e, no caso da rural, de 44%. O avanço foi de apenas 27% nas zonas rurais e de 35% nas urbanas, percentuais que evidenciam atraso no progresso no sentido da consecução da meta.

A meta de saneamento urbano foi alcançada nos países do Caribe. Preocupa, entretanto, a situação da Bolívia, Brasil, El Salvador, Guatemala, Haiti, Peru e República Dominicana.

Para atingir as metas de saneamento básico, exige-se que este atenda 150 milhões de pessoas (121 milhões nas zonas urbanas e 29 milhões nas rurais) em 2015.

Em 1990, 35,4% da população total urbana vivia em moradias com carências, cifra que diminuiu para 31,9% em 2001. Todavia, no mesmo período, o número dos habitantes das cidades aumentou em 79 milhões e a população residente em bairros degradados passou de 111 a 127 milhões de pessoas.

A meta é especialmente relevante para os países com níveis de favelização de mais de 50% de sua população urbana, como Belize, Bolívia, Guatemala, Haiti, Nicarágua e Peru. Também requerem um esforço adicional países como a Argentina, Brasil e Venezuela, que possuem altos índices de urbanização e mais de 25% de sua população urbana mora em casebres.

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