Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos (Mt 5.6) (continuação)

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A justiça nas relações humanas
Para Jesus, os “realizados com a vida”, por terem fome e sede de justiça, buscam em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça. A justiça de Deus é bem maior que o conceito de justiça do ser humano. É baseada em valores como mansidão, sensibilidade, misericórdia e amor. Mas isso não quer dizer que a justiça de Deus é menor do que o mínimo exigido pela justiça humana, como o direito à habitação, alimentação, saúde, educação, lazer, liberdade de exercer a vocação humana. Alguns desses direitos são condições de vida comuns aos animais, como habitação e alimentação, por exemplo.

A fome de justiça do discípulo traduz-se na busca e na manifestação da justiça entre as pessoas. Refiro-me ao princípio bíblico de se requerer mais de quem tem mais, de esperar maior responsabilidade de quem mais recebeu ou conquistou.

Falamos primeiramente sobre a justiça* na relação do ser humano com Deus. Nesse sentido, não temos nada a reivindicar. Deus nos acolhe e justifica pela sua infinita graça. Mas há uma outra dimensão da justiça – a que se expressa nas relações humanas.

O exemplo dos profetas
No Sermão do Monte, quando Jesus encerra o conjunto das bem-aventuranças, faz a seguinte advertência aos discípulos: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguiram, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.” (Mt 5.11, 12.) Os discípulos de Jesus são os irmãos históricos dos profetas. Entender o ministério e a mensagem dos profetas para, a partir daí, elucidar a missão dos discípulos, estava implícito nas palavras de Jesus. Na mensagem dos profetas, não há como fugir da natureza ética da justiça.

Elias e Eliseu confrontaram abertamente monarcas injustos e seus exércitos opressores. Isaías, enquanto anunciava sua esperança escatológica, denunciava as distorções e o cinismo dos religiosos (Is 1.11-17), a incoerência dos políticos (Is 10.1, 2), a acumulação de bens e as desigualdades sociais (Is 5.8), e repudiava a depravação moral e as ambigüidades éticas (Is 5.18-23). O mesmo aconteceu com Jeremias, Amós e muitos outros. Todos foram perseguidos e maltratados. Alguns perderam a vida.

Assim como os profetas responderam de maneira ética às demandas dos seus dias, o discípulo contemporâneo tem a mesma responsabilidade. Infelizes os sem apetite de justiça, os acomodados, os indiferentes ao clamor do pobre e oprimido. Felizes os que têm apetite, os insaciáveis, os que nunca se fartam de nutrir-se da justiça divina.

* A justiça de Deus é entendida dentro do conceito de redenção e salvação, e não apenas de punição e condenação. Este conceito é visto tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, como foi mostrado na primeira parte do artigo, publicado na edição anterior.

Carlos Queiroz, casado, dois filhos, é pastor da Igreja de Cristo e leciona missiologia no Seminário Teológico de Fortaleza.

** Artigo cedido pela Revista Mãos Dadas.

12 respostas para Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos (Mt 5.6) (continuação)

  1. […] Retirado do artigo Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos (baseado no livro Ser É o Bastante, Editora […]

  2. Carlos Humberto de Oliveira disse:

    Porque os comentaristas deste texto não conseguem ter uma visão humanista e somente espiritualista? Acho que levam ao extremo a frase: não sou deste mundo. Ora eu enxergo um Jesus (humano Cristo (espiritual), ou seja, dois lados da mesma moeda.

  3. Berenice disse:

    Acho pobre a mentalidade de cristãos que dizem que crente não deve se envolver com com política…então para esses que pensam assim,pergunto deixe de pagar seus impostos e contribuir como todo cidadão pra ver o que acontece. Devemos ter sede e fome de justiça sim…e só olhar para o Brasil de hoje ,fica claro que se a igreja clamar diante do senhor poderemos fazer a diferença em todos os setores e trazer luz em meio as trevas que tem predominado na política,na economia e demais setores.

    • Edivaldo Ferreira disse:

      Berenice, nós os que somos redimidos, não devemos nos envolver com a política. Devemos sim, nos concentrar em Deus e nos seus interesses. A ordem na qual Deus opera sua salvação é salvar os homens, resolvendo o problema do pecado. Ele tem realizado uma grande obra na humanidade de salvação e santificação pessoal. O Senhor Jesus nos confiou esse propósito, que é o de ir ao encontro de pecadores e dispensar a vida de Deus, cooperando com a obra de salvar os homens do pecado. Quando um homem é salvo, ele espontaneamente será benéfico à sociedade. Em sua segunda vinda, Cristo irá resolver todos os problemas sociais e políticos de maneira cabal.

      • Kelly Lucas disse:

        E por acaso os corruptos nao precisam de salvacao?Envolver se com política nem sempre é sinônimo de corrupção para alguns. Existem muitos representantes evangélicos, graças a Deus, no congresso que lutam pela família e pela manutenção de valores. Atraves de suas ações eles procuram fazer a vontade de Deus, pois lutando por esses valores, com ética e respeito, afrontam uma sociedade que luta cada vez mais por seus próprios interesses e que não reconhece mais a Deus. Obedecer ao Senhor implica em todas as áreas de nossas vidas, escola, trabalho, igreja, casa, comunidade…Onde quer que formos temos a missão de evangelizar, e através de ações de mostraremos o que somos…Esta escrito:Pelos frutos os conhecerei…Então se alguns políticos e até mesmo civis se envolvem em política e através disso levam a palavra do Senhor a quem precisa, por quê não? Sabemos que Jesus voltará e fará Justiça, mas ele deixou uma missão maior…Ama teu próximo.Não podemos deixar a sociedade se afundar sem tentar ao menos intervir, lutar contra isso tudo, se não conseguiremos vencer ao menos tentaremos, pois é Deus quem está a frente de nossas causas. Não nos conformar com um país corrupto é ter fome e sede de justiça. Buscar cada vez mais a Deus e a sua vontade é ter fome e sede de justiça. Deus quer que todos sejam salvos.

        • josilene gomes heidericke disse:

          Irmão, fico feliz ao ler estas palavras escritas por vocâ. Eu estava desanimada a respeito das eleições para vereador, confesso que pensando nas más ações, digo más intenções de candidatos, colocando a todos como farinha do mesmo saco. sei que pequei pensando assim, e, peço perdão.
          Precisamos de representantes evangélicos na bancada sim. Só desta forma teremos pessoas comprometidas com o reino de Deus, buscando fazer a justiça de acordo com a vontade de Deus para o bem do povo.

        • WALLAS BARBOSA MOREIRA disse:

          A resposta é simples! ! Quem se mistura com porcos farelos come

  4. Edivaldo Ferreira disse:

    É perceptível que o contexto das bem aventuranças dizem respeito ao caráter do homem de Deus. Em cada uma delas o verbo ‘ser’ está oculto. Bem aventurado o que É humilde, o que É manso, o que É puro, o que É pacificador, o que É misericordioso, o que É quebrantado, o que É perseguido por causa da justiça. Note que não há esse verbo no verso 6, que diz respeito a Justiça divina. O Senhor Jesus não poderia dizer “bem aventurados os justos” pois não há um justo nem quem atenda as justas exigências de Deus. Nesse verso o Senhor quer nos ensinar que bem aventurado o que TEM uma sede uma fome de ser justo e realizar a vontade do Pai. É isso o que nos diz o contexto das bem aventuranças.

    • Kelly Lucas disse:

      Exatamente…Você está certíssimo. Justiça é o oposto de pecado. Deus é a justiça. Quem tem fome e sede de justiça busca a Deus incessantemente, é querer estar perto do Senhor, fazer sua vontade.

      • Gilma N. Silva disse:

        Fica só esperando a justiça do céu, acho que somos humanos, vivemos aqui, pra mim tem fome e sede de justiça, é total, vivemos aqui, baseados na justiça de Deus, que é perfeita, precisamos ter essa sede!

  5. Luciano Élives disse:

    Já fomos justificados pelo sangue mediante a fé Jesus Cristo.Esta justiça de ( Mateus 5.6) não fala sobre o desejo de buscarmos uma justificação, pois Jesus já nos justificou e este era o proposito da cruz,do contrario seria em vão e não foi a morte de Jesus.Esta justiça de ( Mateus 5.6) fala sobre justiça terrena;fala sobre a falta de amor entre a humanos em todo contexto da sociedade.Esta justiça não é para agora por que mesmo os maus de de coração precisão da misericórdia de Deus,hoje eles tem uma chance oportunidade de se arrependerem,mas quanto acabar o tempo ão de ser julgados diante do trono branco.

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