O papel de transformação social da igreja

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Em uma visita ao núcleo de atendimento a adolescentes infratores mantido pelo Vale da Benção, pude presenciar uma cena muito bonita e agradável. Esse núcleo de atendimento realiza suas atividades nas dependências da Igreja do Evangelho Quadrangular da Vila Barão, no município de Sorocaba. Ao adentrar o recinto, percebi que o ambiente estava decorado para uma festa. Havia algumas mesas com toalhas de banquete, guardanapos de linho, louças e utensílios que seriam utilizados por um buffet.

 

Ao redor de uma das mesas se encontrava um grupo de jovens atentos.  Junto a eles, um professor que ensinava como dobrar os guardanapos, como se portar ao servir, como atender bem ao cliente. Tratava-se de uma aula de garçom. Todos os jovens, inclusive o professor, usavam trajes de garçom.

 

Deixamos por um momento aquele ambiente e fomos em direção às outras dependências da igreja. Lá encontramos duas salas e uma cozinha que a igreja havia recém-inaugurado, justamente para que os cursos de bijuteria e eletricidade e as palestras com a comunidade pudessem ser ministrados com um pouco mais de conforto.

 

As cadeiras da sala haviam sido doadas por uma universidade também do município e as palestras sobre saúde, higiene e cidadania têm sido ministradas por profissionais do posto de saúde localizado em frente à igreja.

 

Voltando para o “templo” tivemos a oportunidade de conversar com os jovens-alunos, o professor e o proprietário do buffet. As histórias de vida eram as mais variadas possíveis. A maioria dos jovens que se encontravam naquela igreja vieram de famílias extremamente pobres e carentes do bairro. Alguns haviam se envolvido com atos infracionais, como tráfico e furtos. Dois deles eram egressos da FEBEM e outros participavam do curso por serem moradores da comunidade.

  

O professor nos disse que daquele grupo quatro jovens já estavam prestando serviços aos finais de semana como garçons nas festas promovidas pelo buffet. Ao ser indagado se não havia problemas em contratar jovens que anteriormente apresentaram grandes dificuldades de comportamento o proprietário do buffet respondeu que é muito melhor contratar os jovens do núcleo de atendimento, ou seja, que são atendidos na igreja, pois ali é possível conhecer suas famílias, suas residências e suas histórias de vida, além de que estes jovens são acompanhados de perto.

     

O meu contentamento foi notório. A minha alegria era intensa. Isso porque conseguia ver naquela cena e naquelas palavras o papel transformador da igreja sendo exercido de uma forma brilhante e responsável. A minha expressão e a dos demais que faziam a visita foi: este é o verdadeiro papel da igreja. Se todas as igrejas evangélicas abrissem suas portas para este tipo de atividade, veríamos milhares de jovens sendo “ressocializados” a sociedade. Veríamos a comunidade buscando a igreja, veríamos famílias inteiras indo buscar a igreja do Senhor Jesus.

 

 

Vivemos em um país onde a miséria e a violência assolam milhões de pessoas, vivemos em um país onde há tantas igrejas evangélicas.  É difícil encontrarmos uma igreja evangélica que não esteja muito próxima a uma realidade de pobreza e necessidades emergentes. Fico imaginando a força desta igreja para se tornar um sinal do Reino de Deus junto a comunidade onde ela está inserida e exercer seu papel transformador para jovens, crianças e famílias.

 

Não seria O CERTO abrir suas portas nos dias da semana, para que esta comunidade possa usufruir de suas dependências e ali aprender sobre saúde, higiene e até uma profissão?

 

Não seria O CERTO demonstrar o amor de Deus, resgatando marginalizados e trazendo um pouco de dignidade humana a pessoas que já tiveram problemas com a justiça?

 

Não seria O CERTO propiciar um espaço para que a família inteira fosse acolhida e pudesse experimentar o amor de Deus?

 

Não seria O CERTO praticarmos solidariedade?

 

 A igreja do Senhor Jesus é instrumento de Deus para levar esperança aos que vivem em meio ao sofrimento e dor. É a mensagem da esperança que é capaz de transformar vidas e oferecer uma nova vida em Jesus.

 

A minha oração é que muitas igrejas evangélicas possam entender que é através da prática do serviço, da solidariedade e do anúncio da  mensagem de esperança que a igreja estará exercendo o papel transformador de vidas.

 

Que Deus possa encontrar líderes de igrejas dispostos a serem um sinal histórico do Reino de Deus em meio a sua própria comunidade, em meio a sua própria gente. Que Deus possa continuar abençoando o trabalho das mãos do Pr. Divanil Fernandes e Pra. Maria Deloine Fernandes.

 

(Artigo escrito em novembro/2005 por Débora Lília dos Santos Fahur – Graduada em Psicologia pela Universidade Metodista de São Paulo. MBA-Gestão em Empreendedorismo Social USP – São Paulo. Diretora de Programas Sociais da Associação Educacional e Beneficente Vale da Benção e participa como membro da diretoria da Visão Mundial e do grupo coordenador da RENAS– Rede Evangélica Nacional de Ação Social.)

 
 
 

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