Redes Organizacionais no Terceiro Setor

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É indiscutível o crescimento e o ganho de visibilidade do terceiro setor no Brasil nas últimas décadas. Contudo, a imensa maioria das entidades sem fins lucrativos é de pequeno porte. Suas limitações financeiras e organizacionais as impedem de crescer muito além de sua atuação local. Por outro lado, existem inúmeras organizações atuando nas mesmas causas espalhadas pelo país.

Diante disto, as organizações do terceiro setor no Brasil têm percebido que o impacto social gerado pela sua atuação pode ser muito potencializado se suas ações forem articuladas em redes com outras entidades que compartilham das mesmas motivações. Segundo Bruno Ayres, coordenador geral do Portal do Voluntário, “as organizações de vanguarda do terceiro setor no Brasil sabem da importância desta articulação e estão buscando alternativas para a estruturação de suas redes organizacionais”.

Para aquele autor, podem-se observar dois tipos de articulação muito comuns:

· Articulações sistemáticas / orientadas: ações empreendidas pela rede como um todo, definidas a partir de consensos e demandas estratégicas dos participantes;

· Articulações pontuais / livres: ações empreendidas pelos participantes de forma não necessariamente coordenada, em pequenos grupos, geralmente de curta duração e para o cumprimento de objetivos e necessidades pontuais, por vezes estanques.

Para que a rede exerça todo o seu potencial é preciso que sejam criadas equipes de trabalho que atendam a alguns princípios:

· Existência de um propósito unificador;

· Participantes Independentes: Cada participante possui talentos únicos, diferentes e valiosos para trazer ao grupo e, para exercer sua criatividade, é preciso independência. É o equilíbrio entre a independência de cada participante e a interdependência cooperativa do grupo que dá força motriz a uma rede;

· Interligações voluntárias: Os participantes devem aderir por livre e espontânea vontade à rede, e não serem coagidos a isto;

· Multiplicidade de líderes: Descentralização, independência, diversidade e fluidez de lideranças são atestados de autenticidade de uma rede que visa a transposição de fronteiras;

· Interligação e transposição de fronteiras: Redes pressupõem transposição de fronteiras, sejam elas geográficas, hierárquicas, sociais ou políticas.

 

Por outro lado, as seguintes barreiras impedem / dificultam a participação nas redes:

· Políticas – problemas de liderança, esvaziamento de poder;

· Técnicas – problemas ao lidar com ferramentas de comunicação e tecnologia em geral;

· Internas:

o Confusão conceitual (não sabe o que é rede)

o Falta de direcionamento estratégico da organização

o Falta de tempo

o Foco em outras atividades mais urgentes

 

Por fim, o autor apresenta algumas “dicas” para facilitar a articulação e o crescimento da rede:

· Incentivos a articulações regionais;

· Encontros presenciais equilibrados com espaços para interações virtuais;

· Construção de um informativo.

 

A RENAS tem seguido todos estes princípios. Nosso objetivo é construir uma rede que agregue benefícios reais a todos os que participam dela. Contudo, esta meta será alcançada de forma muito mais significativa através da participação ativa de cada membro da rede.

Nas palavras de Bruno Ayres, “participar de uma Rede Organizacional envolve algo mais do que apenas trocar informações a respeito dos trabalhos que um grupo de organizações realiza isoladamente. Estar em rede significa realizar conjuntamente ações concretas que modificam as organizações para melhor e as ajudam a chegar mais rapidamente a seus objetivos”.

E, por fim, “o sucesso ou fracasso de uma rede depende menos do desempenho de seu articulador … e mais da percepção de que a atividade de enredar-se agrega valor às demais atividades do dia-a-dia de cada um dos participantes de uma rede”.
 

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