A mãe de muitos filhos

Comente!
Com apenas doze anos ela já havia lido toda a Bíblia oito vezes. Enfrentou problemas sérios de saúde na infância e na vida adulta. Ainda criança, não podia ver animais sendo maltratados. O dom da compaixão surgiu muito cedo em sua vida. No início da adolescência decidiu “a odiar o pecado de todo coração, mas amar o pecador.”

Casou-se aos 26 anos, com a mesma idade do marido. Nasceram-lhes, 5 filhas e 3 filhos. Era uma mãe amorosa que prezava a educação dos filhos, valorizava a música e, especialmente, os dirigia ao caminho do Senhor.

Intolerante com a bebida, chegou a dissuadir o marido de seguir o tratamento médico que incluía um pouco de vinho.

Escreveu vários livros, entre eles Ministério Feminino, no qual tentava mostrar que o Rev. Arthur Rees estava errado em seu livro, quando dizia que uma mulher não tinha direito de pregar. Isto foi em 1860. Ao lado de um carisma enorme e do desejo de seguir o “vento do Espírito”, anteviu fabulosamente a necessidade de organização e planejamento numa missão cristã.

Foi uma companheira exemplar de seu marido. Como mulher de oração, pregação e serviço inspirou milhares de pessoas. 

Em tempos de perseguição teve a ousadia de desafiar as autoridades. Acreditava que o exército de Cristo era formado de pessoas simples, comuns, que se dispunham a servir a Deus.

No dia de seu falecimento (aos 61 anos) estavam presentes mais de 50 mil pessoas. Todos queriam prestar uma homenagem à frágil mulher que afetara a Inglaterra.

Um repórter de jornal que ouvira uma das mensagens da sra. Booth escreveu em seu jornal: “Quem é esta sra. Booth, que possuía um tal poder para atrair a uma simples reunião pelo menos um décimo de toda a população de nosso distrito?” “Sim, quem era esta mulher que despertava o interesse de muitos milhares de pessoas? De onde teriam vindo? Eram pessoas que tinham sido abençoadas e ajudadas: homens que tinham sido bêbados, mulheres que foram salvas da prostituição; havia ricos e pobres, jovens e velhos — todos estavam ali por causa da vida e influência dela.

Essa mulher é Catherine Booth, afetuosamente conhecida como a mãe do Exército. Ela e seu marido, William Booth fundaram o Exército de Salvação em 1864.
 

Trechos retirados do livro Catherine Booth, a mãe do Exército, de Joan Metcalf. Exército de salvação, 2002.

“À medida que a Missão cresceu, havia muito trabalho de escritório a ser feito. A sra. Booth sabia como deveria ser uma Missão bem organizada. Ela escreveu, ‘Quando os homens querem fazer negócios ou um túnel, ou uma nova coisa, não falam delas de modo vago. Mas fazem planos. Estabelecem o trabalho para fazer a tal coisa. Digo freqüentemente, Ó Deus, ajuda-nos a ver a necessidade para o discernimento em religião como fazemos em outras coisas.’ Devemos parar de ser sentimentais e lançarmo-nos ao trabalho árduo. Se o Evangelho deve progredir contra paixões vis e ambição mundana, devemos pregá-lo de modo sério e determinado. Esta ‘guerra’ deve ser conduzida, pelo menos, com o mesmo cuidado com o qual os homens fazem os trabalhos terrenos.’”

“Em seu coração, havia um amor especial por elas (prostitutas). Ela auxiliaria a encontrar lares agradáveis para seus filhos. Ela ajudaria às próprias mães a obterem novamente o auto-respeito e a dignidade. O dia chegou quando o Exército de Salvação levantou alto sua voz contra toda a prática de prostituição. Naquela época era fácil para jovens se extraviarem. Catherine escreveu à Rainha Vitória e também ao Primeiro Ministro Gladstone. Com o General e muitos outros, ela queria que as práticas do mal fossem mudadas por ele. Ele auxiliou a reunir 393.000 assinaturas em uma petição. As assinaturas foram escritas num rolo de papel com mais de duas milhas de comprimento. Este rolo foi coberto com as cores do Exército e levado num vagão através de Londres. Oito salvacionistas carregaram-no do vagão para o Parlamento. Como resultado, mudanças foram feitas nas leis da Inglaterra, de modo a que não mais fosse fácil que jovens se tornassem vítimas de homens perversos.”

“Catherine Booth tinha uma grande fé no Exército de Salvação, e viu oportunidades sem limite para ele. Ela poderia escrever: ‘Se Deus possuir e usar tais homens e mulheres simples, podemos atingir todo o país em muito pouco tempo’. Ela viu que o Movimento estava sendo moldado por Deus a fim de se tornar num grande poder na Inglaterra e talvez no mundo. Todavia ela deu esta advertência, “Digo agora, como já disse muitas vezes antes, prefiramos qualidade a quantidade. Tenhamos cuidado de qual Evangelho pregamos. Cuidemos de nossos convertidos. É da mais alta importância manter o espírito da Missão.’”
 

(Artigo cedido pela Revista Ultimato)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *